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23 de outubro de 2012

De ferramentas e interfaces

    
  
No início do Curso de Especialização Tecnologias na Educação (PUC-Rio/MEC), em 2009, na disciplina Mídias na Educação, lemos Internet na escola e inclusão, de Marco Silva.

Lembrei desse texto,  quando pensava sobre as palavras que escolhemos para expressar nossas  ideias...

Nele, o autor fala sobre a necessidade urgente da escola trazer a Internet para a sala de aula sob pena de ficar (de novo?!)
na contramão da história, alheia ao espírito do tempo e, criminosamente, produzindo exclusão social ou exclusão da cibercultura. Quando o professor convida o aprendiz a um site, ele não apenas lança mão da nova mídia para potencializar a aprendizagem de um conteúdo curricular, mas contribui pedagogicamente para a inclusão desse aprendiz na cibercultura.
Para essa inclusão, o professor deverá “se dar conta de pelo mesmo quatro exigências da cibercultura oportunamente favoráveis à educação cidadã”:

  • O professor precisará se dar conta de que transitamos da mídia clássica para a mídia online;
  • O professor precisará se dar conta do hipertexto próprio da tecnologia digital;
  • O professor precisará se dar conta da interatividade enquanto mudança fundamental do esquema clássico da comunicação;
  • O professor precisará se dar conta de que pode potencializar a comunicação e a aprendizagem utilizando interfaces da Internet.
Na última exigência mencionada, Silva usa o termo interface, trazido de Steven Johnson, no livro A cultura da interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e de comunicar, distinguindo-o de ferramenta.
Ferramenta é o utensílio do trabalhador e do artista empregado nas artes e ofícios. A ferramenta realiza a extensão do músculo e da habilidade humanos na fabricação, na arte. Interface é um termo que na informática e na cibercultura ganha o sentido de dispositivo para encontro de duas ou mais faces em atitude comunicacional, dialógica ou polifônica. A ferramenta opera com o objeto material e a interface é um objeto virtual. A ferramenta está para a sociedade industrial como instrumento de fabricação, de manufatura. A interface está para a cibercultura como espaço online de encontro e de comunicação entre duas ou mais faces. É mais do que um mediador de interação ou tradutor de sensibilidades entre as faces. Isso sim seria "ferramenta", termo inadequado para exprimir o sentido de "ambiente", de "espaço" no ciberespaço ou "universo paralelo de zeros e uns" (Johnson, 2001, p. 19).
Quando li pela primeira vez essa comparação, achei interessante, em especial, porque, segundo o autor, o professor

pode lançar mão destas interfaces para a co-criação da comunicação e da aprendizagem em sua sala de aula presencial e online. Elas favorecem integração, sentimento de pertença, trocas, crítica e autocrítica, discussões temáticas, elaboração, colaboração, exploração, experimentação, simulação e descoberta.
Sim, as palavras que usamos para nomear revelam as relações que estabelecemos com o que nomeamos!


13 de setembro de 2012

"O voto consciente": a "gestação" de um texto colaborativo


(A imagem vem do texto Trabalho colaborativo na/em rede - que vale muito a pena ser lido!)
 Participando, colaborando, reconhecendo e sendo reconhecida pelos seus pares, a pessoa que atua intensamente na comunidade virtual sente seu poder, desenvolve suas potencialidades comunicacionais, libera seus talentos. (...) Aprende a conviver com o grupo, a colaborar e respeitar as pessoas, a falar e a ouvir (ainda que ambos ocorram em intercâmbios escritos), a superar conflitos, expor opiniões, trabalhar com pessoas que não conhece presencialmente, mas com as quais se identifica no plano dos interesses e ideias (Vani Kenski).
Essa citação está no TCC que apresentei no curso de Especialização Tecnologias em Educação (PUC-Rio/MEC), em dezembro de 2012. E a ideia da aprendizagem colaborativa online é não só o projeto desse TCC, mas o que tenho perseguido desde 2009, pois (de novo o TCC)
acredito que “aprendemos melhor quando vivenciamos, experimentamos, sentimos" (Moran); ou seja, se o futuro professor desenvolve a autoria em um blog, por exemplo, ou participa de uma lista de discussão em que troca idéias com outros professores, refletindo sobre as práticas, poderá transformar essas experiências em ações com seus (futuros) alunos.
E a web me entusiasma pelos encontros que possibilita...
Vai que, em 2011, li sobre o trabalho da professora Juliana Seabra Laudares, no Jornal do Professor, quando,  na edição 58, algumas atividades que desenvolvemos com os alunos foram notícia.

Mas Rolim de Moura, em Rondônia, entrou no meu mapa, quando ela puxou conversa sobre o Cultura Jovem – o jornal do Elisa que acabava de sair do forno, no grupo Blogs Educativos

Desde então, nosso contato é frequente e estamos iniciando, juntamente com alunos do Elisa e do Aluízio, um  trabalho colaborativo mediado pela web (a Suany Neves, aluna do ensino médio - curso normal, escreveu um texto muito bom: Elisa, no RS e Aluízio, em RO: altas conexões). 

Já vivenciamos algumas situações concretas de interação: o grupo Cultura Jovem – jornal do Elisa, no Facebook, um encontro sincrônico entre os alunos, usando msn e webcam e, mais recentemente, o texto O voto consciente – editorial da quarta edição do CJ. 

A ideia de escrevermos colaborativamente veio da professora Juliana, no grupo do Facebook, e abri o arquivo assim:
Ainda não é o texto, apenas um convite, uma explicação:
A profe Juliana, de Rolim de Moura (RO), deu a ideia de fazermos um textos colaborativo, aqui no grupo mesmo, com o tema "voto consciente".
Ela e eu (Suely) começamos e todos que desejarem contribuem...
Depois, esse texto vai para um jornal de Rolim de Moura e para um jornal de Uruguaiana...
O que acham? Vamos expressar nossas ideias e fazer valer nosso desejo de interação!!!
Acho que não tem muitas regras para a escrita... só devemos cuidar para não "fugir" do tema proposto e para não "apagar" o que foi dito por outra pessoa...
Então, mãos à obra!
O texto foi iniciado pela Juliana:
Em época de eleição, muito se fala sobre a importância do voto consciente, será que as pessoas votam desta forma?
Além de todas as propagandas e promessas vãs o que podemos esperar dos políticos que aí estão? Será que devemos apenas esperar? (...)
Algumas contribuições depois, feitas pelo pessoal do Aluízio - a professora Daniela Almenara e a aluna do  Hannah Keyty e por mim (pois é, o povo do Elisa ficou tímido, não participou deste texto... quem sabe dos próximos...), achamos que o texto estava pronto.

A primeira publicação está no Editorial da edição número quatro do Cultura Jovem.

Essas são minhas primeiras experiências de produção coletiva, feitas a partir de um projeto que envolve duas escolas que só se encontraram por causa das ferramentas que web  oferece!

São alunos e professores  que acreditam que é muito importante sairmos da posição cômoda de "espectadores" para sermos autores!

Há dificuldades? Sim.

Numa avaliação um pouco apressada, talvez, ser autor, fora das redes sociais voltadas para o entretenimento, ainda, intimida alunos e professores. 

Digo isso, pois somos poucos, muito poucos, os que participamos de forma efetiva quando se propõem projetos que implicam autoria.

Por quê? Ouço que o tempo é o maior adversário - fazemos tantas coisas, temos tantas aulas, que não conseguimos sentar para escrever.

Será, apenas, isso?


22 de outubro de 2011

TCC: presença online de futuros professores


(Algumas futuras professoras e eu fazendo pose para  Anderson Petroceli)

      Em dezembro de 2010, no encerramento do curso de Especialização Tecnologias em Educação (PUC-Rio/MEC), como já havia dito aqui, apresentamos os trabalhos de conclusão.

     Recém hoje tomei coragem para trazer o meu para cá. :-)

     Se alguém tiver tempo, paciência... adoraria ouvir alguns comentários...

Ampliação da presença online de futuros professores: uma proposta de aprendizagem colaborativa

20 de julho de 2011

Elisa em rede

     


         De verdade, comecei o Ufa! para aprender o funcionamento dos blogs. Quando falo em funcionamento, quero dizer a parte "mecânica" mesmo: inserir uma coisa e outra.

          Pensava que  isso bastava para ser uma professora inovadora e já poderia propor a novidade para os alunos.

       Só não previa  mais descobertas: me vi autora, (antes, escrevia muito pouco, algum trabalho para um curso aqui, um plano de aula ali, algum comentário em textos de alunos...); me vi acolhida por um grupo de colegas blogueiros e percebi o blog como espaço de diálogo!

       No ano passado, ao ler o texto Redes sociais, apropriação (internalização!) tecnológica, da Suzana Gutierrez me enxerguei (e a meus colegas). Bingo! Era isso que acontecera comigo: sem querer, melhor, sem planejar muito, fui construindo minha presença online - nos blogs, nas listas, em fóruns, em chats.

      Esse texto (e outros da Suzana), me ajudaram a entender por que, de um grupo de 100 matrículas num curso do ProInfo, apenas, trinta terminaram e poucos continuaram a usar as TIC nas práticas pedagógicas.

     A  partir da ideia de construir a presença online, elaborei meu TCC do curso de Especialização Tecnologias em Educação. A pergunta de partida:
Como ampliar a presença online de futuros professores (alunos do Curso Normal em nível médio), usando interfaces que fomentem a construção do conhecimento de forma colaborativa, a reflexão sobre a prática, a qualificação da pesquisa, a busca pela autoria, com autonomia, criatividade e criticidade?
        A resposta veio num Projeto de Ação pedagógica para possibilitar
a construção de comunidades virtuais de professores em formação inicial, a fim de qualificar a fluência tecnológica (Pedro Demo), desencadeando um processo de apropriação das Tecnologias da Informação e da Comunicação, a partir do engajamento e da participação nessas redes (Suzana Gutierrez), diminuindo, assim, o risco do abandono das mesmas (Suzana Gutierrez), depois de concluído o curso.

     Na apresentação, em dezembro do ano passado, o professor Ricardo Basílio me indagou:

     - Já pensaste em fazer esse projeto com teus colegas?

     - Não me atrevo, disse na época.

      Só que a gente se movimenta...

     E ontem (19/07) começou a nascer o Elisa em rede! Um espaço da escola com a pretensão de ser  ponto de chegada e de partida para  conversas. Um passo para a construção da presença online da escola: alunos, professores, funcionários, famílias.

     Como vamos concretizar nossa rede na web? Não temos muitas certezas...
   
     Tens sugestões?


11 de dezembro de 2010

Final do curso de especialização

 

     Apresentando para o professor; recebendo a declaração de conclusão

 

Andrea e a professora que a avaliou e recebendo a declaração de conclusão do curso

 

      Nos dias 01 e 02 de dezembro, as turmas do curso de especialização Tecnologias em Educação se encontraram, presencialmente,  em Porto Alegre, para a apresentação dos TCCs.

     De Uruguaiana, a Andrea Berro e eu! Nossos trabalhos: “Mídias na educação: formação de professores – construindo propostas inovadoras” e “Ampliação da presença online de futuros professores: uma proposta de aprendizagem colaborativa”, respectivamente.

     Um pouco de frustração se alojou em nós  por causa do formato do evento. 

     Na verdade, não foi o formato que nos incomodou,  sabíamos desde o início que teríamos que apresentar o trabalho para um professor, a partir de um pôster. O que atrapalhou, talvez, tenha sido o lugar inadequado – um salão de escola que não permitia a circulação para partilhar os trabalhos com os colegas.

      Mesmo assim foi interessante conhecer a turma RS07 – ou melhor, o que sobrou dela! (acho que a metade não foi até o final!) - depois de um ano de convivência online.

     Além disso, a sensação de ter cumprido uma meta é muito boa!

     Fica a vontade de continuar estudando… e a certeza de que o meu projeto de ação  vai ser testado em 2011!

     Meu pôster pode ser acessado aqui!

 

Algumas colegas da turma RS07: Inês, Gilssara, Neli, Andrea, Nilza e eu

21 de novembro de 2010

TCC – resumo e mapa textual

                                          

      O TCC está em processo de avaliação…

     Durante a produção desse trabalho, me senti muito sozinha! Embora a presença generosa da orientadora.

     O engraçado é que, apenas, nesse momento, esse sentimento apareceu. Talvez, as decisões sobre tema, tipo de trabalho,  pergunta de partida, referencial teórico tenham influenciado. E os colegas envolvidos em seus próprios TCC; portanto, meio ausentes.

     Presencialmente, as pessoas sem muito tempo para ouvir sobre temas, ainda, distantes das práticas…

     Embora a insegurança (não sei o que vai dar!) resolvi trazer para cá o resumo e o mapa textual do projeto de ação que propus (e pretendo desenvolver no ano que vem)!                                                                 

     O título: Ampliação da presença online de futuros professores: uma proposta de aprendizagem colaborativa.

     O resumo:

Entre os recursos para desenvolver habilidades e conteúdos, cada vez mais, estão presentes nas escolas as novas tecnologias que possibilitam a aprendizagem mediada pela web. Para o uso dessas tecnologias, é importante que o (futuro) professor conheça não só o funcionamento das mesmas, mas, também, as possibilidades pedagógicas, a fim de integrá-las aos processos de aprendizagem. Este trabalho parte de seguinte questão: como ampliar a presença online de futuros professores (alunos do Curso Normal em nível médio), usando interfaces que possibilitem a construção do conhecimento de forma colaborativa, a reflexão sobre a prática, a qualificação da pesquisa, a busca pela autoria, com autonomia, criatividade e criticidade? Como resposta a essa pergunta, apresento um Projeto de Ação pedagógica que visa à construção de comunidades virtuais de professores em formação inicial, a fim de qualificar a fluência tecnológica, desencadeando um processo de apropriação das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC), a partir do engajamento e da participação nessas redes e diminuindo, assim, o risco do abandono das mesmas, depois de concluído o curso. Para embasar o Projeto de Ação, revisito algumas concepções de aprendizagem – instrucionismo e educação bancária, construtivismo, educação libertadora e (re) construcionismo, aprendizagem colaborativa; além de definir comunidades virtuais de aprendizagem e interfaces comparativamente a ferramentas. Proponho a formação da rede online em torno de blogs, lista de discussão e wikis, interfaces da web 2.0 que propiciam a colaboração.

     O mapa: está aqui!

17 de setembro de 2010

De minhocas e TCC (2)

minhocas

Professores que realmente estão em rede encontram-se na rede. (Suzana Gutierrez)

     Decidi pensar em como  construir essas redes mediadas pelas TIC.

     Entre os nove temas propostos pelo curso, escolhi:

  • Experiência de uso educacional de Ferramenta Web 2.0

     Pergunta de partida (primeira tentativa):

  • Como fomentar/instigar a presença online de futur@s professoras e professores (alun@s do Curso Normal em nível médio) usando ferramentas da web 2.0 que possibilitam construir conhecimento de forma colaborativa, qualificando a pesquisa, buscando a autoria?

     Segunda:

  • É possível fomentar/instigar, n@s futur@s professoras e professores (alun@s do Curso Normal em nível médio), uma presença online, que possibilite a reflexão sobre a prática, a construção do conhecimento de forma colaborativa, a qualificação da pesquisa, a busca pela autoria, com autonomia e criatividade?

     Por que  pretendo  montar um projeto de ação pedagógica a ser desenvolvido em sala de aula?

     Nas escolas das redes públicas (estadual e municipal), há laboratórios de informática, com computadores conectados à Internet. Isso é um fato. Não tem como retroceder. Portanto, é urgente e necessária a apropriação dessa tecnologia pel@s professores e professoras e pel@s alun@s.

     Além de significar novas possibilidades de construção do conhecimento, o acesso à rede de computadores deve ser garantido na escola pública, pois, é , especialmente, o lugar em que acontece a inclusão digital.

     Há que considerar, também, que a maioria d@s alun@s do Curso Normal em nível médio vem de famílias com baixo poder aquisitivo, em que a presença do computador (e da Internet) é escassa. Quando desejam se comunicar com os amigos, por exemplo, através de redes sociais – exclusivamente, Orkut e Msn - muit@s frequentam  lan houses. Quer dizer, mesmo com o acesso meio limitado, já fazem parte de algumas redes online, com um objetivo lúdico, de lazer.

     É preciso, então, que comecem a usar interfaces (Marco Silva), também, para trocar experiências com os pares (futur@s professoras e professores), fazer a reflexão sobre as práticas, elaborar trabalhos colaborativos, realizar pesquisas, buscar a autoria, com criatividade, autonomia e criticidade; ou seja, que desenvolvam uma cultura de colaboração, partilha e produção de saberes (Maria Raquel Patrício e outros), que aprendam em rede e na rede.

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Esse texto está quase como enviei para a disciplina Pesquisa e Saber Docente, do Curso de Especialização Tecnologias em Educação. Por isso, o tom mais formal!

5 de setembro de 2010

De minhocas e TCC (1)

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     Via Buzz, o Sérgio Lima,  a Suzana Gutierrez e a Lilian Starobinas, generosamente, trazem algumas minhocas para dar vida  ao  meu TCC em início de gestação…

     Resolvi escrever aqui  o que vou pensando a partir das provocações que me fizeram… pois é, o texto ficou longo…

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     Quando li, no texto da Suzana, sobre a necessidade de construir uma presença online, me senti contemplada. Foi um pouco o que aconteceu/acontece comigo.

     Nas duas formações de que participei/participo - ProInfo Integrado e especialização, vivenciei o que a Suzana diz aqui:

Algumas formações, apesar de trabalharem com diferentes tipos de tecnologia, exploram pouco o potencial de formação de rede e mantém o mesmo tipo de relação da sala de aula tradicional, na qual a formação de rede também não é muito explorada. A comunicação e as experiências compartilhadas ficam em grande parte apenas entre professor e aluno.

(...) isso acontece quase sempre porque a rede formada (?) se restringe ao curso e seus participantes e se encerra no final das aulas.

     Principalmente, o curso de especialização me dava uma baita expectativa: agora, sim, vou realizar trabalhos colaborativos online... Que nada!

     Mas, sem “querer”, movida pela curiosidade, mais por sorte do que por juízo, fui construindo, aos poucos (desde 2008, sou uma neófita nos meios digitais!) uma rede – no blog, na lista de discussão – em que me senti acolhida, com que aprendo muito!

     Isso contribuiu/contribui para que eu esboçasse um processo de

apropriação (internalização?)  autônoma, fundamentada na consciência e compreensão das TIC e da realidade social na qual elas se inserem (...). O processo de apropriação das TIC é alterado quando o professor começa a participar de redes sociais online. Em especial quando estas redes são públicas e redes de professores.

     A minha intenção é partilhar isso com @s alun@s do Curso  Normal médio! Instigá-l@s a aprender e a ensinar de maneira colaborativa, em rede (online e presencialmente). Ou pelos menos, problematizar o modelo de aula centrado no professor e que é reproduzido quando se propõem atividades usando o computador.

     A fim de que essas meninas e esses meninos, no papel de alun@s (atualmente) e, depois, de professores (as), possam experimentar uma aprendizagem (mediada pelo computador ou não) menos instrucionista, com mais autoria, mais criatividade, mais criticidade. E, a partir dessa vivência, desenvolvam projetos com seus alunos em que a construção de redes esteja presente.

     Pois, acredito que

  • se não sou leitor, como vou formar leitores?
  • se não sou escritor (não me relaciono, minimamente, com os textos escritos) como vou formar produtores de texto?

     Da mesma forma, em relação ao que a web nos possibilita!

     E , acho, aqui entra o aprender fazendo:

  • não é preciso, primeiro, aprender a falar para depois falar;
  • não é preciso aprender a ler, primeiro, para depois ler;
  • não é preciso aprender a escrever para depois escrever;
  • não é preciso aprender a participar de uma rede mediada pela web, para depois participar.

     Então, me proponho a pensar em como  construir essa rede mediada pelas ferramentas¹ que a web¹  nos oferece. É possível?

     Uma micro experiência contra-hegemônica!

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1. Suzana, daqui a pouco escrevo sobre o tema de casa: ferramentas e web 2.0!

4 de setembro de 2010

TCC: tema e pergunta de partida

     tcc

     Parto de um pressuposto e de uma necessidade.

     O pressuposto:

O processo de apropriação das TIC é alterado quando o professor começa a participar de redes sociais online. Em especial quando estas redes são públicas e redes de professores. (Suzana Gutierrez, no texto Redes sociais, apropriação (internalização!) tecnológica)

     A necessidade: construir n@s alun@s do Curso Normal em nível médio, futur@s professores dos anos iniciais, a internalização das TIC – como possibilidade de autoria, de partilha, de construção coletiva.

     Se @s futur@s professores (as) não usam as ferramentas que a web disponibiliza para construir conhecimento de forma colaborativa, qualificando a pesquisa, buscando a autoria, com criticidade e criatividade, como irão orientar @s alun@s, dos anos iniciais do ensino fundamental, para essas práticas?

     Tema: Experiência de uso educacional de Ferramenta Web 2.0

     Pergunta de partida: Como fomentar/instigar a presença online de futur@s professoras e professores (alun@s do Curso Normal em nível médio) usando ferramentas da web 2.0 que possibilitam construir conhecimento de forma colaborativa, qualificando a pesquisa, buscando a autoria?

     Tipo de trabalho: Montar um projeto de ação pedagógica a ser desenvolvido em sala de aula

     É possível?

    Dá pano pra manga?

15 de agosto de 2010

O Ufa! e o TCC

 curso-puc
     Nos últimos dias, duas coisas me afligiam: a primeira: que ferramenta usar no trabalho final da Oficina Projeto Utilizando Ambientes Interativos Virtuais?

     Queria muito trabalhar com uma wiki, até criei uma, mas sozinha?

     Não tive coragem de convidar nenhuma colega, nem a Dea, minha parceira de sempre, pois sei das muitas atribuições de cada uma...

     Então, resolvi, usar o velho e bom Ufa! Minha casa!  Minha cara!

     Não vi muito sentido em criar um espaço apenas para a monografia do Curso de Especialização, se já havia trazido  para cá  tantas reflexões feitas no decorrer das disciplinas...
`
     (Para ter acesso ao que escrevi  basta clicar na aba Especialização!)

     Além do mais, tenho certeza que não daria conta de mais um blog... Pois mal e mal tenho alimentado este!

     Resolvi unir o útil e necessário – cumprir a atividade final da Oficina - ao agradável – blogar (meu vício!).

     Então, torno oficial:  uma parte do Ufa! se transforma num “espaço de discussão para o desenvolvimento da monografia”. Vou “comentar a literatura utilizada na monografia, fazer links para sites com informações relevantes, apresentar estudos de caso etc. É um espaço de registro e reflexão” (proposta da atividade final).

     Minha segunda aflição: que questão (questões) norteará (nortearão) meu TCC?

     Sobre isso falo no próximo post!

     Enfim, colegas do Curso, sejam bem-vind@s!!!

     A casa, também, é de vocês!!

     Tomara que a gente fortaleça nossos vínculos por aqui também!

     Boas leituras! Muitas construções!

5 de agosto de 2010

“Abrindo caminho”

Abrindo caminho
   
 
Em menos de três semanas, as últimas de julho, o MEC, por intermédio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, enviou para as escolas de educação infantil e de anos iniciais do ensino fundamental mais duas caixas com obras de literatura infantil… preciosidades… é o Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE/2010.

@s alun@s do Curso Normal em nível médio, para quem mostrei as obras, vibraram… os olhos brilharam… muitas possibilidades de leitura com @s pequen@s nos estágios e nos pré-estágios…

Entre os livros – Abrindo Caminho, de Ana Maria Machado, escolhido por uma das meninas para a contação, usando fichas com as ilustrações (lindas! de Elizabeth Teixeira).

Quando ouvi a história me encantei… Algumas alunas da turma acharam-na esquisita, faltavam-lhes algumas conexões. Quem é Dante? e Tom? uma e outra reconheciam o intertexto com Águas de março… Mas tod@s concordávamos: era uma história linda!

Pensei, então, em montar uma atividade que pudesse nos encaminhar para o pleno entendimento do texto, além das pistas que o próprio texto e as ilustrações nos dão.

Uma atividade que nos fizesse refletir sobre a importância da construção de uma história de leitura, a fim de desvendar as tramas que @s autores tecem com outros textos.

Ou quanto mais lemos mais referências teremos e melhores serão nossas leituras…

Esse é um dos papéis d@s professores(as) dos anos iniciais…

Aliás, de tod@s @s professores(as)!

Então, propus, num trabalho para a Oficina Projeto Pedagógico Usando Texto, Imagem e Som, do Curso de Especialização Tecnologias em Educação - CCEAD - PUC-Rio, a construção de um hipertexto, tendo como texto-base essa obra que nos instigou.
(...) é mais que uma história...
Mostra personagens do passado, desbravadores que enfrentaram a selva, o deserto, o oceano, o céu...
Gente de verdade que conseguiu transformar obstáculo em caminho, inimigo em amigo, fim em começo. E quantos caminhos foram abertos!
Quem são esses personagens? Você é capaz de descobrir?
E quantos caminhos existem ainda por abrir! (texto da quarta capa do livro)

Descobrir quem são essas figuras e apresentá-las aos leitores e às leitoras é o desafio que será tecido nos nós do hipertexto.

Além de ser uma bela metáfora da própria idéia de hipertexto: abrir caminhos para @s leitores (as), permitindo o diálogo entre disciplinas e mídias.

O texto do trabalho pode ser acessado aqui!

A seguir, o início da obra:
No meio do caminho de Dante tinha uma selva escura.
No meio do caminho de Carlos tinha uma pedra.
No meio do caminho de Tom tinha um rio.
Era pau.
Era pedra.
Era o fim do caminho?
Cada um no seu canto
com seu canto
nos chamou.
E nenhum de nós,
nunca mais, ficou sozinho.
No meio do caminho de Dante teve uma estrada.
No meio do caminho de Carlos teve um túnel.
No meio do caminho de Tom teve uma ponte.
No meio do caminho de Cris tinha um oceano.
No meio do caminho de Marco tinha inimigo e deserto.
E tinha muita lonjura pelo caminho de Alberto.
(...)

Levar Tom Jobim para ouvir e se deliciar com as crianças, descobrir os feitos e os efeitos desses homens corajosos que abriram caminhos... viajar com Marco Polo, Cristóvão Colombo, conhecer a Divina Comédia de Dante, os sonhos e os voos de Santos Dumont... ler Drummond... se encantar...

Quantos conteúdos! Quantas aprendizagens! Quanta beleza!


4 de julho de 2010

Televisão: "o perigo de uma só história"

 
(Da disciplina Mídia, cultura e sociedade, do Curso de Especialização Tecnologias em Educação - CCEAD - PUC-Rio)

     O trabalho final da disciplina Mídia, cultura e sociedade  envolvia a escolha de um programa de televisão para a análise.
 
     Problema à vista: cada vez assisto menos aos programas de tv!

     Então, fiz uma breve pesquisa com @s alun@s: deu Malhação ID na cabeça!

     Não havia opção: vi alguns capítulos...

    O texto que segue faz parte da conclusão. Quem quiser saber mais é só clicar aqui!

A educação está no centro das atenções dos lares brasileiros. E onde ela está na escola? (Catarina Chagas, Revista TV Escola)
     Que a televisão está em todos os lares é indiscutível. Que a maior parte da população tem acesso aos canais abertos é inegável. Que as crianças chegam à escola com uma história de telespectadoras é fato.

     Como nos diz Eugênio Bucci, em “De olho na televisão: a deseducação educativa”:

(..) a televisão praticamente monopoliza a apresentação da criança para o mundo (do consumo) e vice-versa. Ela  inicia o público infantil na socialização.

     Como essa mídia

(...) desempenha papel fundamental no processo de construção de identidade dos adolescentes e na formação de uma cultura que é assimilada por eles (Camila Menegaz),
penso que uma das atribuições da escola é fomentar junto aos alunos a criticidade sobre esse veículo, a fim de construir novos olhares sobre os produtos veiculados por ele.

     Ou seja, a televisão deve estar nas salas de aula, sim, como mais um texto para ser lido por todos, a fim de que se explicitem suas gramáticas e suas  influências sobre os telespectadores.

     Finalizo, trazendo a fala da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, divulgada em uma palestra (vídeo imperdível, indicado pelo Sérgio Lima, no Buzz!):  a necessidade e a urgência de termos contato com várias histórias. Uma história, única, pode causar sérios danos à identidade de um povo.

Histórias importam. Muitas histórias importam. Histórias têm sido usadas para expropriar e tornar maligno. Mas histórias podem também ser usadas para capacitar e humanizar. Histórias podem destruir a dignidade de um povo, mas histórias podem reparar essa dignidade perdida.
      Ampliando essa idéia, para aproximá-la  da mídia em estudo neste texto, penso que um dos problemas da televisão é que ela conta apenas uma história. Principalmente pela escassez de opções entre os canais abertos. Neste recanto do Brasil em que vivo, há, apenas,  três opções: Rede Globo, SBT e Rede TV!
 
     Portanto, a escola deve problematizar o monopólio dessa voz, trazendo outras histórias para os alunos.

     Mais uma vez a fala de  Chimamanda Ngozi Adichie:

 Quando nós rejeitamos uma única história, quando percebemos que nunca há apenas uma história, sobre nenhum lugar, nós reconquistamos um tipo de paraíso.

16 de maio de 2010

Gestão e integração das tecnologias...


 (Do fórum Ampliando a reflexão sobre gestão, da disciplina Gestão e Integração das Tecnologias e Mídias Educacionais, do Curso de Especialização Tecnologias em Educação - CCEAD - PUC-Rio)

No curso “Ensinando e aprendendo com as TIC” (no NTE de Uruguaiana, em 2008/2009), a formadora nos provocou com uma apresentação  que, se bem me lembro, mostrava imagens da casa de uma família de classe média lá pelos nos anos 60, com móveis e eletrodomésticos característicos da época e, em contrapartida, os mesmos ambientes no século XXI: mudanças visíveis!

Os últimos slides eram de salas de aula desses mesmos períodos (identificáveis pela roupa das crianças e pelo mobiliário, por exemplo): o mesmo formato!

Por que a escola demora tanto para acolher as transformações da  sociedade?

Talvez, não sou nenhuma estudiosa de sociologia ou história, por ser uma das instituições responsáveis pela manutenção dos padrões que a sociedade capitalista exige: individualismo, produtividade, reprodução, repetição.

Talvez por que o debate sobre esse tema não passe pela escola: será que é preciso manter esse modelo de  sociedade? Ou é possível, e necessário, buscar novas relações entre as pessoas, novas relações com o conhecimento?

Penso que as ações da gestão – tanto da escola como  do Estado – são essenciais para a construção desse outro mundo possível.

Um mundo em que a escola seja ”um espaço criador, em uma comunidade de aprendizagem utilizando as tecnologias possíveis¹.

Essa escola precisa, sim, de gestores que fomentem a (re)construção, a reflexão, a prática do/sobre projeto político pedagógico. E nesse projeto, se insira a concepção de “aprendizagem em rede, que se constitui em assumir uma postura de *aprendente* e de *ensinante*².

Também, é primordial garantir os espaços de formação em que se possa repensar as práticas, a fim de articular “novos referenciais pedagógicos que envolvem os conhecimentos das especificidades das mídias, entre outras competências que o paradigma da sociedade atual demanda².

Penso que a postura mais importante do professor e do gestor no século XXI é “aprender a aprender ao longo da vida, numa rede colaborativa²

Se estiverem abertos ao novo, se pensarem a “aprendizagem como um processo² em que o “aluno aprende-fazendo, aplicando aquilo que sabe e buscando novas compreensões com significado para aquilo que está produzindo², a integração das mídias às práticas pedagógicas, aos poucos, irá se construindo.

O professor deixa de ser um mero repassador de conteúdos para assumir o papel de mediador no processo de construção coletiva do conhecimento.

Como mediador, possibilita o acesso dos alunos às tecnologias, garante a formação para o uso dessas tecnologias, assim como o “domínio pedagógico¹, facilitando o processo de aprendizagem e buscando “soluções inovadoras que seriam impossíveis sem essas novas tecnologias¹.

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2. PRADO, Maria Elisabette Brisola Brito do. Integração de mídias e a reconstrução da prática pedagógica.


7 de maio de 2010

Escola em Rede

 A disciplina Design Didático, do curso de Especialização Tecnologias em Educação (CCEAD-PUC-Rio), nos provocou bastante:
Que escola desejamos? Que mudanças podemos promover em nossas ações na sala de aula que tragam melhoria para nossa escola, como um todo?
Assistimos ao vídeo Crônicas da Terra – Jean Piaget e refletimos sobre a situação da Escola do Bairro Cinza
Uma das tarefas: propor ideias transformadoras para aquela escola, a fim de melhorar a qualidade do ensino e da aprendizagem.
Escrevi o seguinte (para inspirar as escolas cinza por aí…):
Quero uma escola
Que mostre um rumo seguro
Semeie estrelas no escuro
E lições de libertação...
(Silvio Genro)
Final de ano letivo... o cansaço habitual: correção de provas, notas, somas e divisões, médias... reprovações... os fracassos habituais... esses meninos não querem nada com nada! eu me esforço passando o conteúdo e eles não aprendem!!!
No ano que vem tem mais... (desânimo!)
Será que vale a pena continuar assim? Por que não investir em diálogo, em partilha, em transformação e em aprendizagens?
Para início de conversa, que tal repensar o modelo de gestão? Chegar a uma gestão democrática, desburocratizada e, realmente, envolvida com as questões pedagógicas – razão de existir de uma escola?
Então, rever o projeto político pedagógico: que escola queremos? que professores queremos? que alunos queremos? que funcionários? que gestores? que comunidade? como podemos contribuir para que essa escola aconteça?
Quero uma escola
Que cante a democracia
Resgate a cidadania
Dando voz a quem não tem...
(idem)
Pronto! Nasce o debate... começa uma outra escola possível! Em que o PPP não é apenas um papel que mofa numa gaveta, mas um norte - construído coletivamente - para as práticas diárias, recheado de idéias inovadoras. Entre elas a de aprendizagem cooperativa que “traz benefícios para os alunos, pois eles precisam aprender a interagir uns com os outros, como membros de um grupo. Exercitar a tomada de decisão e desenvolver habilidades de trabalho em grupo, tornando-se mais confiantes ao expor publicamente seus pontos de vista” (Santoro).

Essa construção é fortalecida na formação continuada dos professores – momentos de planejar as ações, que partem das “experiências socioculturais” vivenciadas pelos aluno.
Uma escola que partilhe
Os frutos da educação,
Que conquiste corações
E consciências também!
(idem)
Por causa desse planejamento, as salas de aula se ampliam: agora, a biblioteca, a sala de informática, os laboratórios de ciências, a sala de vídeo, as quadras de esporte, os jardins... tudo inspira a aprendizagem...
(...) uma escola
Que espalhe a esperança
Que cative a criança
Como quem cultiva a flor...
(idem)
A Escola do Bairro Cinza dá lugar, aos poucos, à Escola em Rede! Um espaço em que se compartilham experiências, em que se criam soluções para os problemas da comunidade, em que se ensina e se aprende! Um espaço em permanente construção! Para tod@s!
E segue o poeta uruguaianense, Silvio Genro,
(...) uma escola que devolva
A alegria esquecida
Que reinvente a vida
Plena de participação!
(idem)
No final do ano, muitos projetos realizados e outros tantos “engatilhados” para o ano seguinte...
Enfim, uma escola que alimenta sonhos e utopias e ajuda a desenvolver pessoas de verdade!!!

24 de abril de 2010

Sim, Paulo é contemporâneo!

paulo_freire
“Eu gostaria de ser lembrado como alguém que amou o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida”. (Depoimento dado a Edney Silvestre, em NY, abril de 1997, publicado em seu livro Os Contestadores... e transcrito no livro de Paulo Freire, Pedagogia da Intolerância,  organizado e apresentado por Ana Maria Araújo Freire.)
Assisti ao documentário Paulo Freire Contemporâneo, realizado por Toni Venturi…

O filme nos guia num lindo e emocionante passeio pela vida, pela obra, pelo legado de Paulo Freire!

E nos faz reafirmar: sim, Paulo é contemporâneo!

Ainda hoje se buscam caminhos na educação para superar “o sentimento de A sobre B, de um professor que transmite uma educação bancária a alguém que recebe” (Marcos Guerra, professor/advogado).

No filme, um belo resgate dos círculos de cultura com relatos de educadores(as) e de educand@s:

“Aprendi a ler no colo de meu pai. Isso me fascina”, nos diz a senhora que acompanhava, quando menina, o pai nos círculos.

Sebastião Vassão, pescador:  “… porque a pessoa que não sabe ler, praticamente ele é cego.”

Ou, a fala de Marisa Pereira, doméstica: “Fiquei até emocionada,  quando eu vi o Ministério. Aí, olhei assim, aprendi a ler, para mim era uma emoção”.

E a gente vê, nas palavras e nos olhos dessas pessoas, a esperança! a alegria!

Essa é uma das  revoluções de Paulo Freire: o oprimido sai da invisibilidade imposta pela cultura dominante, e vem para o palco da história (Moacir Gadotti).

E há, nos dias que correm, os que questionam as políticas afirmativas, por exemplo, como se fossem ações discriminadoras… na verdade,  ações de justiça social.

Paulo Freire é contemporâneo, sim!

Gadotti refere os quatro pilares da educação  para o  século XXI propostos pela UNESCO e presentes na pedagogia freireana:
  • aprender a aprender;
  • aprender a conviver;
  • aprender a fazer;
  • aprender a ser.
A eles, Paulo acrescentaria: aprender por quê? a favor de quê? contra quê? – a dimensão política, a necessidade de desvelar as relações de poder subjacentes às ações.

Paulo Freire é contemporâneo, sim!

Nos coloca a necessidade de ensinar as crianças, os jovens, os adultos a construir um estilo de vida sustentável – um dos  grandes temas do século XXI!

Ver, ouvir  (ler) Paulo é fortalecer a esperança, indispensável à vida e à prática pedagógica! Sacia nossa “sede de saber” ou alimenta nossa “fome de cabeça”, como diziam em Angicos! Nos faz sonhar sonhos possíveis!

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Para ler: Reinventando Paulo Freire na escola do século XXI, texto de Moacir Gadotti.

8 de março de 2010

Prática pedagógica com integração de mídias?

midias

(Da oficina O professor e a prática pedagógica com a integração de mídias, do Curso de Especialização Tecnologias em Educação – CCEAD – PUC-RIO e SEED-MEC…)

 

De um lado, computador, Internet, celular, câmera digital, vídeo, televisão, projetor: alguns recursos tecnológicos que circulam nas escolas. De outro: conteúdos e mais conteúdos transmitidos verticalmente! No meio de tudo isso: alunos e professores! Esse é o cenário da maioria das escolas.

Como transformá-lo de modo a construir a integração de mídias na prática pedagógica?

Em primeiro lugar, os espaços-tempos de formação continuada na escola são fundamentais, pois possibilitam a troca de ideias e a reflexão sobre as práticas.

A partir dessa reflexão, redesenhar a função do professor – deixando a comodidade de repassador de conteúdos e mais conteúdos para assumir a mediação pedagógica que exige “ações reflexivas e investigativas sobre seu papel, enquanto aquele que faz a gestão pedagógica, criando condições que favoreçam o processo de construção do conhecimento dos alunos” (aqui o texto de Elisabette Brisola Brito Prado).

A atitude de mediador é essencial para que se desenvolva a interação entre os pares, e daí a troca de boas práticas, e entre professores e alunos, e daí o trabalho colaborativo.

Se há espaço de diálogo, há o ambiente propício para a criação de projetos interdisciplinares e, assim, começam a surgir novas formas de ensinar e de aprender... Já não mais centradas no professor, mas “favorecendo o aprendizado contextualizado do aluno e a construção do conhecimento” (Prado).

Essas novas relações abrem o professor para aprendizagem permanente, em rede, criando a necessidade de conhecer as especificidades das mídias que circulam na escola e na sociedade, a fim de usá-las como ferramentas na construção da autoria!

Esse caminho, óbvio, não é fácil – exige investimento dos gestores das escolas e das secretarias de governo. Mas, principalmente, exige “professores que buscam sempre soluções, alternativas, novas técnicas, metodologias. Procuram, em condições menos favoráveis, fazer mudanças (se motivam para continuar aprendendo). Diante de novas propostas ou idéias, fazem pesquisa, e procuram implementá-las e avaliá-las” (aqui o texto de José Manuel Moran).

22 de fevereiro de 2010

RPG: uma aventura urbana



     Esta sinopse de roteiro de uma aventura de RPG desenvolvi em 2009, na disciplina Introdução às narrativas e roteiros interativos para educação, do Curso de Especialização Tecnologias em Educação.

     Talvez algum (a) leitor (a) do Ufa! se interesse e use em sala de aula…

     Que fique claro: é uma tentativa apenas…

     A proposta está aqui!

     Eis o roteiro:
Duas questões me afligem como professora de língua portuguesa e de literatura no ensino médio: a formação do leitor e a construção da autoria. Muitos jovens chegam à etapa final da educação básica sem ter desenvolvido essas habilidades!

Por que não usar RPG para alcançar esses objetivos? Assim aliaríamos o lúdico ao pedagógico como nos ensina Carlos Klimick, no texto Sobre projetos lúdico-pedagógicos.

Comecei a pesquisar sobre o tema e encontrei uma proposta muito interessante apresentada pelo mesmo Klimick e Eliane Bettocchi: Escrita e leitura através de narrativas e livros interativos.

Atrevo-me a usá-la como inspiração para elaborar a sinopse de roteiro de uma aventura, para uma turma de 1º ano do ensino médio.

Parto de um conto – gênero de curta extensão, de fácil leitura.

De um tema: (ausência de) solidariedade entre pessoas que partilham espaços sociais.

De um autor: Dalton Trevisan – um dos mestres nesse gênero, com temática urbana, contemporânea, pouco lido nas escolas.

De uma obra: Uma vela para Dario.

Essa história revela o drama de um homem, numa cidade grande, provavelmente Curitiba – cenário predileto do autor -, que, ao sofrer um mal súbito, cai na calçada e fica à mercê das pessoas que transitam pelo lugar. Umas lhe observam curiosas, outras indiferentes, outras o saqueiam... até que morre...

Duração do jogo: em torno de sete aulas...

O jogo: o mestre – o professor – propõe o desafio:

Vamos construir juntos uma história! Ela começa assim:

“Numa rua movimentada de uma cidade de porte médio, do interior do Rio Grande do Sul, na época das festas...
Dario vinha apressado, guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Por ela escorregando, sentou-se na calçada, ainda úmida de chuva, e descansou na pedra o cachimbo.”

O que aconteceu com esse homem, ali naquela rua, nas três horas que se seguiram a esse fato?

O mestre orienta os jogadores – os alunos, em duplas – a criar uma personagem que, em algum momento, vai interagir nesse cenário com Dario. As duplas, devem escolher (ou o mestre pode sorteá-las para que não haja coincidências) entre as seguintes: senhor gordo, rapaz de bigode, moradora de uma das casas da rua (1), moradora de uma das casas da rua (2), criança de pijama moradora em uma das casas da rua (1), criança de pijama moradora em uma das casas da rua (2), velhinha de cabeça grisalha, taxista, alguém, um terceiro, o guarda, curioso (1), curioso (2), senhor piedoso, menino de cor e descalço.

Em seguida, os jogadores elaboram, por escrito, a biografia ou a autobiografia da personagem que vão representar.

Na aula seguinte, os alunos trazem para o jogo um objeto, um adereço, uma música, um poema que identifique a personagem, a fim de apresentá-la ao mestre a aos outros jogadores.

Agora é o momento de criar, coletivamente, um desenho do cenário e expô-lo num cartaz, ou, quem sabe, construir uma maquete. O mestre determina alguns pontos importantes: esquina, parede de uma casa, calçada, pedra, várias residências, portas, janelas, ponto de táxi na esquina, farmácia no fim da outra rua, peixaria, café...

Também, orienta que as personagens, considerando os dados biográficos, escolham seus lugares (fixos ou em movimento) na cena.

Início do jogo: tendo os jogadores dispostos ao redor do cenário, o mestre relê a situação inicial, apresenta o texto “solitário/solidário”, de Ronaldo Azeredo – um enigma que deverá ser desvendado de acordo com as possíveis leituras que o poema permite -,
solitário solidário soli ário
solitário solitário soli ário
solidário solitário soli ário
solidário solidário soli ário
e sorteia uma personagem para começar.

A cada solução criada pelos jogadores, o mestre propõe novas situações, de forma que todas as personagens atinjam o objetivo de se relacionar com Dario.

Situações que vão ocorrer durante o jogo:

· As personagens se relacionam com Dario e entre si: falam, observam, espiam, dão palpites, tomam café, conversam, correm...
· Alguns carregam Dario até o táxi.
· Alguém lembra da farmácia.
· Dario é largado na porta da peixaria.
· As pessoas, que vieram apreciar o incidente, tomam café e bebem aproveitando a noite.
· Um terceiro examina os documentos de Dario.
· A polícia aparece.
· Surge um senhor piedoso.
· Um menino descalço entra em cena.
· As pessoas fecham as janelas e vão dormir.
· Algo acontece com os pertences de Dario: guarda-chuva, cachimbo, sapatos, alfinete de pérola da gravata, relógio, documentos, aliança...

O jogo termina depois que todas as personagens, durante as três horas que se seguiram ao episódio inicial, interagiram de alguma forma com Dario e interferiram no destino desse homem.

Então, o debate: o que revelam as relações das personagens? De que forma a leitura do poema de Ronaldo Azeredo auxiliou no planejamento das ações das personagens? Na sociedade, temos exemplos reais das situações que criamos no jogo? É possível construir um mundo menos individualista, mais solidário? Como?

Espero que, após a participação nessa aventura urbana, os alunos tenham curiosidade de ler este e outros textos de Dalton Trevisan, como também contos de outros autores contemporâneos.

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Referências bibliográficas:

· BETTOCCHI, Eliane e KLIMICK, Carlos. Escrita e leitura através de narrativas e livros interativos. Disponível em: http://www.historias.interativas.nom.br/incorporais/pdfs/cpareia.pdf. Acesso em: 15/12/09.

· AZEREDO, Ronaldo. solitário/solidário. In: SIMON, Iumna Maria e DANTAS, Vinicius. Poesia concreta. São Paulo, Abril Educação: 1982.

19 de fevereiro de 2010

Há formação continuada?

TREINAMENTO PARA PROFESSORES

Retornando, aos poucos…

As aulas no Curso de Especialização Tecnologias em Educação (PUC – Rio/MEC) reiniciaram em 03/02: debates, reflexões…

Estão em andamento duas oficinas “Recursos e Pesquisa na Web” e “O professor e a prática pedagógica com integração das mídias”.

Especialmente a segunda tem me provocado, pois toca numa das grandes vulnerabilidades da educação no Brasil: a formação continuada dos professores!

Pergunto: a formação acadêmica, nos cursos de licenciatura, tem possibilitado o uso das mídias na perspectiva da autoria, do trabalho colaborativo? Ou, ainda, as aulas nos cursos de graduação são instrucionistas¹?

O que isso tem a ver?  Penso que construímos nossos modelos de aula estudando as teorias do conhecimento, é claro, mas, e principalmente, observando nossos mestres!

Sim, podemos nos transformar, estamos aprendendo sempre, mas tudo fica mais difícil, se a faculdade não investe em comportamentos inovadores!

Os alunos terminam a graduação - professores, coordenadores, gestores - com o modelo tradicional de aula internalizado…

Ah, mas tem a formação continuada, permanente… A partir dela, aos poucos, dá para rever as práticas e transformá-las, a fim de buscar a construção do conhecimento…

E aí mais um problema: não há espaço/tempo para formação continuada!

Parece que os sistemas públicos de educação entendem o adjetivo *continuada* como um ou dois encontros durante o ano letivo para decidir sobre festividades na escola! Pelo menos, é isso que vivencio…

Acho importantes os cursos fomentados pelo MEC, por exemplo. Percebo, porém, um  limite: em geral,  formam professores para multiplicar nas escolas. Mas, onde estão os espaços/tempos para essa  multiplicação???

Penso que a formação continuada  deveria ser garantida nas escolas, com os gestores, a coordenação a supervisão, os professores refletindo sobre as práticas, partilhando boas ações…

Enquanto isso, na vida real, cada professor dá sua aula e ninguém tem nada com isso. Não há troca, não há projeto…

Como inserir o uso das mídias num contexto assim? Se sabemos da necessidade de um ambiente de aprendizagem que implica

um processo de investigação, representação, reflexão, descoberta e construção do conhecimento, no qual as mídias a utilizar são selecionadas segundo os objetivos da atividade. (…) caso o professor não conheça as características, potencialidades e limitações das tecnologias e mídias, ele poderá desperdiçar a oportunidade de favorecer um desenvolvimento mais poderoso do aluno.

(…)

Para que o professor possa desenvolver tais competências é preciso que ele esteja engajado em programas de formação, participando de comunidades de aprendizagem e de produção de conhecimento.²

Um dos papéis fundamentais dos gestores é  garantir esses ambientes de aprendizagem!

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1. Expressão usada pelo professor Pedro Demo, no texto “Dissecando a aula”; disponível aqui!

2. Trecho do texto “Prática pedagógica e formação de professores com projetos: articulação entre conhecimento, tecnologias e mídias”, de Maria Elisabette Prado; disponível aqui!

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  • Na Revista Nova Escola, de outubro de 2008, há um bom material sobre formação de professores, em que destaco a reportagem “Não basta só tapar buracos”; disponível aqui!
  • No site Salto para o Futuro, há uma entrevista muito interessante com Vani Kenski, professora doutora da Faculdade de Educação da USP e diretora da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) - “Tecnologias digitais na educação”; disponível aqui!

16 de dezembro de 2009

Olhares além da SD



      Um blog meio abandonado… o Ufa!

      Mas algumas produções em outros espaços.

       Quando recebi a proposta da atividade final da disciplina Inclusão e Tecnologias Assistivas, no curso de Especialização Tecnologias em Educação, vibrei: finalmente participaria de um trabalho colaborativo online!

      Tá, não foi uma construção como eu imaginava… assim, todo o grupo usando ferramentas colaborativas para elaborar textos , o Google Sites, por exemplo.

      Um dos limites: minhas colegas de grupo não dominavam essa ferramenta.

      Criei o site – Olhares além da SD - para publicar nossa pesquisa para o Seminário Virtual. As colegas enviavam as contribuições por email ou pelo Fórum do curso e eu as publicava…

      Foi o que deu para ser feito…

      Acho que reunimos um bom material sobre Síndrome de Down!

      Quem puder dar uma espiada… é só ir por aqui!

2 de dezembro de 2009

Leitura em andamento: “O filho eterno”

o-filho-eterno

Uma obra que tem mexido comigo: O filho eterno, de Cristóvão Tezza!

Essa história nasce da necessidade do autor falar, usando a literatura, sobre sua experiência de pai de um menino com Síndrome de Down.
– Acho que é hoje – ela disse. – Agora – completou, com a voz mais forte, tocando-lhe o braço, porque ele é um homem distraído.
Assim começa o romance. A criança vai nascer e o narrador nos apresenta o pai como “alguém provisório”, cheio de ansiedades, de dúvidas, tentando ser escritor, sustentado pela mulher...

No hospital, sozinho, durante a madrugada, enquanto a mulher está na sala de parto, o homem de 28 anos repassa algumas vivências e projeta outras...

Na manhã seguinte – “a manhã mais brutal da vida dele” – ele e os familiares se preparam para conhecer o recém nascido...
Súbito, a porta se abre e entram os dois médicos, o pediatra e o obstetra, e um deles tem um pacote na mão. Estão surpreendentemente sérios, absurdamente sérios, pesados, para um momento tão feliz – parecem militares.
Assim, com o quarto cheio de gente, anunciam a Síndrome de Down do bebê. Naqueles anos oitenta, mongolóide era o termo que designava essa variação genética.

O pai
recusava-se a ir adiante na linha do tempo; lutava por permanecer no segundo anterior à revelação, como um boi cabeceando no espaça estreito da fila do matadouro; recusava-se mesmo a olhar para a cama (...) nem a morte teria esse poder de me destruir. A morte são sete dias de luto, e a vida continua. Agora, não. Isso não terá fim.
Meio fora de órbita, se consola:
tudo que tenho é um filho recém-nascido que deve morrer em breve. (...) essa morte anunciada, parecia-lhe, nesse momento, o único lado bom da vida.
A morte precoce: uma das características da Síndrome de Down presentes na literatura médica na época.
Ainda não terminei a leitura, mas esse início coincide com os relatos dos pais de crianças com Síndrome de Down, no documentário "Do luto à luta", de Evaldo Mocarzel.

Sei que superando a dor, a frustração, o pai, sobretudo, antevê o espaço que aquela criança ocupará em sua vida: um filho eterno: título poético, lírico, que revela, lindamente, uma pitada de melancolia.