2 de dezembro de 2009

Leitura em andamento: “O filho eterno”

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Uma obra que tem mexido comigo: O filho eterno, de Cristóvão Tezza!

Essa história nasce da necessidade do autor falar, usando a literatura, sobre sua experiência de pai de um menino com Síndrome de Down.
– Acho que é hoje – ela disse. – Agora – completou, com a voz mais forte, tocando-lhe o braço, porque ele é um homem distraído.
Assim começa o romance. A criança vai nascer e o narrador nos apresenta o pai como “alguém provisório”, cheio de ansiedades, de dúvidas, tentando ser escritor, sustentado pela mulher...

No hospital, sozinho, durante a madrugada, enquanto a mulher está na sala de parto, o homem de 28 anos repassa algumas vivências e projeta outras...

Na manhã seguinte – “a manhã mais brutal da vida dele” – ele e os familiares se preparam para conhecer o recém nascido...
Súbito, a porta se abre e entram os dois médicos, o pediatra e o obstetra, e um deles tem um pacote na mão. Estão surpreendentemente sérios, absurdamente sérios, pesados, para um momento tão feliz – parecem militares.
Assim, com o quarto cheio de gente, anunciam a Síndrome de Down do bebê. Naqueles anos oitenta, mongolóide era o termo que designava essa variação genética.

O pai
recusava-se a ir adiante na linha do tempo; lutava por permanecer no segundo anterior à revelação, como um boi cabeceando no espaça estreito da fila do matadouro; recusava-se mesmo a olhar para a cama (...) nem a morte teria esse poder de me destruir. A morte são sete dias de luto, e a vida continua. Agora, não. Isso não terá fim.
Meio fora de órbita, se consola:
tudo que tenho é um filho recém-nascido que deve morrer em breve. (...) essa morte anunciada, parecia-lhe, nesse momento, o único lado bom da vida.
A morte precoce: uma das características da Síndrome de Down presentes na literatura médica na época.
Ainda não terminei a leitura, mas esse início coincide com os relatos dos pais de crianças com Síndrome de Down, no documentário "Do luto à luta", de Evaldo Mocarzel.

Sei que superando a dor, a frustração, o pai, sobretudo, antevê o espaço que aquela criança ocupará em sua vida: um filho eterno: título poético, lírico, que revela, lindamente, uma pitada de melancolia.

7 comentários:

Patrícia disse...

Suely!

Passei pra saber das novidades, como sempre, o blog está recheado delas, amo muito tudo isso!!

Abraço!

Vivien Morgato : disse...

ótima escolha. Eu li e me impressionei muito com o autor.
Fiz uma resenha aqui:


http://mejoana.blogspot.com/2008/12/tempo-rei.html

beijos.

Lenira, Deolinda, Claudiane, Vanda disse...

Me bateu uma vontade de ler também, pela sua resenha percebe-se o quanto essa leitura é instigante.

Tenho uma cunhada que tem a síndrome de down, é o xodó da família, tão cheia de si, sabe ler, adora escrever no diário e copiar resumos de novelas.

Obrigado pela dica.

Bjus... e Bom Fim de semana.

Vivien Morgato : disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vivien Morgato : disse...

Obrigada pela visita, Suely.
No caso do Filho Eterno, em relação às questões que vc levantou no meu blog, acho que Tezza narra a sua particular forma de se relacionar com o filho.
Acredito que cada relação seja muito particularizada e, talvez, alguns tenham tido ações próximas a dele.
Quanto a impossibilidade de desenvolvimento da autonomia, pelo que conheço da sindrome ( tenho um primo e já tive alguns alunos portadores) existem diversos níveis, o caso do filho do Tezza é um deles.
Alguns vão se desenvolver maravilhosamente bem, outros terão mais percalços. Minha prima ( mãe de um garotinho portador da SD) argumenta que muitas jovens mães, acreditam que poderão superar todas as limitações e que algumas limitações não existem.
Isso é ilusório.
É complicado: se vc não percebe uma questão como problema, vc não caminha para soluciona-lo.
Eu tb acho que narrar a reação negativa, diante dos filhos, é crueldade. Não vi o filme mencionado, mas concordo com esse aspecto.
De qq forma, acredito que qq tipo de criança com necessidade especial deva ser incluído...mas incluído verdadeiramente, não pró forma como fazem algumas escolas!
É preciso que os pais estejam atentos para o discurso da escola: discurso é discurso, a realidade das crianças, dentro do cotidiano escolar é outra...muitas vezes ignoradas pelos professores, vítima de bullying..
Ainda há muito a se fazer para uma inclusão real.
Bom, vou parar, falei exageradamente.;0)
Um beijos.

6 de Dezembro de 2009 10:58

Lulu disse...

Profª Suely,

Eu sei que você gosta de ler (somos duas!) e de presentes também. Por isso te aviso: meu blog está com uma promoção de ano novo! Vai ser sorteado o livro Pequeno Manual de Filosofia Para Sobreviver A Um Papo-Cabeça. Participe! Você pode participar até 31/12 então corra! Para participar, basta responder a pergunta: "Quais são seus três desejos para 2010?". O link para você participar:
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Siga os passos e boa sorte!

Beijos!

Jefferson Rosa disse...

Adorei o blog e vou ler sempre, visitem meu blog de resenhas: http://figurado.wordpress.com/ Acredito que você irão gostar.