5 de maio de 2013

Meu universo de leitora: uma sondagem

Ler é dialogar? - É. Ler é duvidar? - É. Ler é entender o significado das coisas e, por isso, entender o outro? - É! Ler é se transformar por meio do sentido que a palavra produz? - É. Então ler um bom livro é sempre garantir a mudança: nós nunca seremos os mesmos depois de terminada a leitura. Terminada no papel e continuada na vida! (Celso Sisto)

Uma das obras na minha cabeceira é "Textos e pretextos sobre a arte de contar histórias", de Celso Sisto.

Volta e meia, abro e leio e releio. Um texto delicioso.

Nas páginas 28 e 29,  Sisto propõe "uma sondagem do nosso universo leitor, baseado nos direitos imprescritíveis do leitor, inventados pelo escritor Daniel Pennac".

Bueno, aqui vai minha sondagem:

1. Livros com que exerci meu direito de não ler: do Paulo Coelho. Tá bem, li "O alquimista".

2. Não lembro de ter pulado páginas nas leituras de textos literários. Já nos  teóricos, pulo a toda hora!

3. Nunca terminei de ler "Em busca do tempo perdido" (Proust). Ganhei do Marco a obra em 1991 (lembro bem!). Andei uns dias abraçada aos livros - o contado mais íntimo que tive com eles. Dias depois dessa apropriação física, comecei a ler "Nos caminhos de Swann". Não consegui dar conta, sentia uma angústia, uma falta de ar...

Ah, e tem "Grande sertão: veredas", numa edição linda, dos 50 anos da obra,  que está guardada, à espera... "Nonada".

4. Releio contos: do Machado de Assis, do Rubem Fonseca, do Dalton Trevisan: adoro os temas; os jeitos, às vezes, irônicos; às vezes, cruéis; sempre, surpreendentes.  Releio "O continente - volume I", do Erico Verissimo, questão de identidade. Releio "Quatro negros", do Luís Augusto Fischer, a Janéti me emociona.

5. Outras coisas que leio? De tudo um pouco.

Os filmes (são textos também, né?!) andam taco a taco com a literatura. 

Tenho lido, muito mesmo,  artigos em livros, em revistas, na web sobre  ensino de literatura infantil, didática da linguagem (especialmente,  questões sobre a aprendizagem de ortografia - minha nova paixão) e uso de tecnologias na educação.

6. Meu direito ao bovarismo - "doença textualmente transmissível"! - aparece em Ana Terra, pretendo ter a coragem dela; em Judas, quando percebo que a vida é isso: um tanto obscura; em Janéti, queria ter a mesma obsessão pela família; em Ismália, divido a fantasia do suicídio (tão linda a imagem!).

7. Lugares em que gosto (ou gostava) de ler: antes, o ônibus, quando percorria um trajeto longo até a escola. Agora, para/com meus alunos: ou literatura infantil ou poesia ou contos.

8. Adoro economizar livro! Quase sempre, abandono por um tempo o livro antes que acabe, não gosto de me separar assim bruscamente das personagens, das tramas, dos ambientes... inicio a leitura de outra obra... então, retomo a anterior e termino. Quer dizer, quase nunca estou sozinha. ;)

9. Para ler em voz alta em qualquer lugar e em qualquer horário: "I-Juca-pirama", "Navio Negreiro", "Soneto de fidelidade" e alguns contos da obra "Capitu sou eu", de Dalton Trevisan - "De olhinho fechado", por exemplo.

10. A obra que mais trabalha dentro de mim: "Judas , o obscuro", escrevi sobre isso neste texto.

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Desafio: que tal fazeres a sondagem de teu universo leitor?

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Escrevi também:



23 de abril de 2013

Sobre aprendizagem de ortografia



Invariavelmente, quando descobrem que sou professora de português, ou vêm as perguntas: como se escreve tal palavra, em tal caso há crase? ou a timidez: não repara nos erros...

Isso me incomoda.

Primeiro, porque perseguir os usuários (eta, palavrinha danada!) da língua em busca de erros: taí uma coisa que não costumo fazer.

Segundo, porque essas questões trazem uma visão, bastante conservadora, sobre o uso da língua escrita: escrever certo é, apenas, escrever corretamente as palavras.

Procuro valorizar a expressão das ideias, ler o textos, especialmente dos alunos, como leitora e não como caçadora de erros.

Óbvio, meu papel como professora (e não estou usando nenhuma locução adjetiva propositalmente, pois é função dos professores de todas as áreas) é desenvolver nos alunos a habilidade de uso da língua nas diferentes situações, em especial, quando há a exigência da norma padrão - por exemplo, em alguns textos escritos.

E quando se trata de padrão, há  que se considerar a grafia correta das palavras, claro!

E, é justamente, a aprendizagem da ortografia que tem me fascinado nos últimos tempos. 

Porque trabalho com didática da linguagem, no ensino médio curso normal, e preciso ensinar os alunos a ensinar ortografia.

Porque os erros de grafia discriminam - os que erram são motivo de deboche (até nas redes sociais online, espaços em que "falamos") e, por isso, escrevem  menos.

Porque identifico, em textos de alunos do ensino médio,   problemas semelhantes aos  dos textos das crianças dos anos iniciais do ensino fundamental. E sei, por ouvir falar, que na universidade isso, às vezes, se repete.

Alguma coisa não está dando certo no tempo em que os alunos ficam na escola, tendo cinco períodos semanais de língua portuguesa (só para mencionar a disciplina sobre a qual recai toda a culpa pelo erros na  escrita!).

Quem sabe o mito de que se o aluno for leitor será bom produtor de textos. Sim, leitura e escrita andam meio juntas, mas apenas a leitura não garante a escrita. Como diz o professor Artur Gomes de Morais, na obra "Ortografia: ensinar e aprender", "não podemos esperar que eles (os alunos) aprendam ortografia apenas "com o tempo" ou "sozinhos".

Então, o que fazer? como fazer? por que fazer?
A norma ortográfica é uma convenção, uma convenção social e algo cobrado socialmente, portanto a escola precisa assumir o seu ensino e, para fazê-lo, ao invés de repetir as práticas tradicionais (...), o que nos  interessa é, inicialmente, compreender o que da ortografia precisa ser compreendido, que é objeto de reflexão, e o que precisa ser memorizado.
Essa é a fala inicial do professor Artur no vídeo - "Ortografia na sala de aula - parte 1" - a seguir. Esse vídeo, produzido pelo CEEL - UFPE, nos ensina que

Para seguir refletindo sobre a aprendizagem de ortografia: Ortografia na sala de aula - parte 2.

Gostaria de conversar sobre esse tema: como é encaminhada a aprendizagem de ortografia na escola em que atuas?

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  • Atualização (1)
Meu colega Kaue Fructtos Garcia indicou, no Facebook, enquanto conversávamos sobre ensino de ortografia, o artigo de Juremir Machado da Silva, publicado no jornal Correio do Povo, no dia 25/04/2013: Lula, o grande o vencedor.

21 de abril de 2013

Sobre livros impressos e digitais


Pra não perder, trouxe pra cá minhas reflexões sobre a possibilidade do livro acabar, provocação num dos fóruns (março/2013) do curso Tecnologias Aplicadas à Aprendizagem de Língua Portuguesa.
Oi, colegas! 
Há uns quinze dias recebi o tablet que o Governo do Estado (RS) está distribuindo para professores do ensino médio. Sem dúvidas, um suporte bem amigável para a leitura de obras online.
Abro parênteses para dizer que trabalho no curso de formação de professores em nível médio - jovens que atuarão em turmas de educação infantil e anos iniciais – e uma das disciplinas é didática da linguagem, em que está sempre presente a preocupação com a formação de leitores, especialmente leitores de literatura.
O Governo Federal, por sua vez, tem cumprido de forma bastante razoável a distribuição de obras de literatura infantil às escolas.
Então, temos a “faca e o queijo”: vontade de cumprir com um de nossos papeis fundamentais – formação de leitores de literatura e tecnologia para isso – acervos muito interessantes.
Com esse relato quero salientar que os investimentos, pelo menos em nossa região, relacionados às tecnologias digitais ainda são limitados (especialmente no que diz respeito à formação continuada de professores).
Por aqui, nem pensamos na possibilidade do livro acabar! E quando falo em livro, embora a provocação não explicite, estou me referindo a livro impresso.
Penso que a tendência é a boa convivência entre as duas tecnologias. Observo, especialmente, nos adolescentes (meus alunos) e nas crianças (alunas de meus alunos) o brilho nos olhos tanto ao ler/ouvir um boa história que vem de um livro impresso (prática frequente nas aulas) quanto ao ter acesso a uma obra digital (bem mais raro).
Há que ressaltar que os livros impressos já fazem parte do cotidiano das escolas (falo em escolas da rede pública estadual!), enquanto os leitores digitais ainda não – se restringem a um smartfone, um notebook ou um tablet de algum aluno ou professor; ainda devo mencionar que o acesso a redes sem fio ou 3G é bastante precário.
Sou uma professora apaixonada por livros impressos e por tecnologias digitais; uma das minhas missões é formar leitores de literatura (outra paixão!) - em qualquer suporte!
Sabe a “Dupla delícia”, de Mario Quintana?
“O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.”
Em todas as mídias!
Vamos conversando... ;)
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Outros escritos (meus) sobre esse tema:
  • Neste link, um texto  sobre o debate entre Alberto Manguel e Kate Wilson, na 14ª Jornada Nacional de Literatura 
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Um filme:
  • Lendo os debates sobre livros impressos e digitais, lembrei de um filme sensacional do Truffaut: "Fahrenheit 451", baseado na obra de Ray Bradbury, que retrata uma sociedade em que a leitura é proibida, os livros são queimados, mas, outras tecnologias são permitidas - tv, telefones, antenas... mesmo assim, os leitores resistem.
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Andei lendo alguns artigos da Revista Vox - edição impressa, ano 2, nº 2, e que descobri em formato digital neste endereço.

Gostei muito do que diz Celso Gutfreind, no texto "Livro impresso ou digital: o bem e o mal?": 
"(...) só se pode falar em suporte e leitura se houve a construção do leitor" (p.119).
Me parece que devemos nos preocupar mais com a formação de leitores... e que as leituras sejam em qualquer suporte...

Quando Manguel despreza o digital, me vem a ideia de que a leitura (e a literatura) é para poucos - aqueles que têm acesso aos livros impressos.

Vamos conversando...

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Minha colega Rosane Gelati, no Facebook, indicou o texto de Luiz Carlos Amorim e eu trouxe pra cá: Livro, para sempre.


6 de abril de 2013

Ah, os tablets...


 (05/03, em Poa, com a Lourdes - coordenadora 10ª CRE e
 com a Cristina - diretora do Elisa)
A educação é um processo rico e complexo de ajudar a aprender, a evoluir, a ser pessoas livres. As tecnologias fazem parte do nosso mundo, nos ajudam, mas ainda precisamos experimentar muito para encontrar caminhos de integração que nos permitam avanços significativos na escola e na vida.

Sabe, eu nunca ouvi um professor reclamar quando os gestores públicos  põem quadro negro (tá, verde ou branco) na sala de aula e providencia giz...

Nunca ouvi um professor reclamar dos livros didáticos que os governos  disponibilizam para os alunos...

Nunca ouvi um professor reclamar dos acervos de obras literárias que os governos  enviam para as bibliotecas...

Nunca ouvi um professor reclamar das revistas especializadas que chegam às escolas...

Nunca ouvi um professor reclamar quando a escola disponibiliza folhas sulfite e xerox...

Obrigações.

Por que, então, alguns reclamam dos tablets que acabaram de receber? 

Sim, apenas, mais uma tecnologia para mediar o processo de aprendizagem dos professores e dos alunos... 

O quadro e o giz, os livros, o xerox... tão acomodados em nossas práticas passam despercebidos...  

Quem sabe admitimos: o que nos desestabiliza não são as tecnologias digitais... mas o que elas carregam: a ideia de repensar as práticas, o papel do professor...

Quem sabe substituímos as lamentações sobre a falta de formação pela construção de redes online, para aprendermos uns com os outros, para que uns sirvam de inspiração para os outros...

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Leituras que recomendo:

Tablets e netbooks na educação - professor José Moran
Ganhei meu Tablete Educacional, que faço com ele agora? - professor Sérgio Lima
Tábletes educacionais - wiki do sleducacional
Formação continuada docente – relato de uma experiência - professora Gládis dos Santos
Redes sociais, apropriação (internalização!) tecnológica - professora Suzana Gutierrez

31 de março de 2013

Mais uma especialização? :P


Tá, sou aluna do curso de especialização Tecnologias Aplicadas à Aprendizagem de Língua Portuguesa, da UFPE. Um pequeno mimo que me permiti em 2013/1014. Digo mimo, pois o objetivo do curso me pegou:
(...) envolver a Universidade Federal de Pernambuco no processo de desenvolvimento acadêmico promovendo capacitação e formação continuadas de profissionais que atuam na Educação em suas diferentes áreas e níveis. Ao disponibilizar a experiência de ensino e de pesquisa, no campo da Linguística e da Língua Portuguesa, atrelada ao uso das novas tecnologias, contribui-se para o aperfeiçoamento das práticas pedagógicas no que concerne especificamente ao ensino da Língua Portuguesa.
Minhas paixões - ensino de língua portuguesa, novas tecnologias... bem instigante!

Além disso, se tudo der certo, há o encontro presencial obrigatório, acho que em 2014, em Recife. Ueba!! ;)

Mais uma especialização? por que não tentas mestrado? tenho ouvido direto.

Qual universidade aceitaria uma professora quase do fim do mundo (vizinha do Papa, heheh), há anos fora da academia e sem  padrinhos? Não  tenho  paciência para disputar vaga com os jovens... o tempo é deles! Enfrentar a obrigação de publicar, de  participar de congressos? Xiii, para mim já passou. :P

Quer saber mais?  de um tempo pra cá, depois da instalação do campus Unipampa - Uruguaiana, volta e meia nos procuram, na escola,  para aplicar projetos de pesquisa de mestrado e doutorado - o ensino médio - curso normal é o predileto; e daí? nada. As pessoas vêm, te mostram os questionários, pedem tuas aulas para realizar a pesquisa; passado o interesse (delas!) tudo continua como antes...

Por favor,  não me entendam mal, admiro muuuito as pessoas que  se dedicam à pesquisa... o que seria de nós, pobres mortais, sem elas... 

Só que me parece, na área da educação, as coisas  saem muito pouco da universidade, ou nós, do chão da escola,  não sabemos entender os resultados... sei lá...