28 de maio de 2014

Texto da Suany

Há meses sem aparecer! :P

E essa aparição (?) é pra trazer um mimo que "ganhei" no Facebook e que desejo guardar aqui!

Sempre é bom ter as nossas práticas avaliadas pel@s alun@s; ainda mais quando o olhar é cheio de generosidade.

Fico feliz, sim, mas, ao mesmo tempo, dá um frio na barriga: não posso esquecer da minha responsabilidade como professora de um curso de formação de professor@s!

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Ontem, a Suany, colega/aluna querida que se formou no final do ano passado,  no Ensino Médio Curso Normal, atualmente, cursando Matemática/UNOPAR. me surpreendeu com o texto que segue:
O presente trabalho é um relato de observação em uma escola de ensino regular e normal desta cidade, onde tivemos a oportunidade de conhecer a professora Suely Caputo Aymone; uma educadora com muito “café no bule”; aquela que além de estar na frente de uma sala com 30 alunos aproximadamente, com sua ternura, seu carinho e compreensão tornar-se uma verdadeira amiga/mãe.
Possuindo uma criatividade imensa, sabe fazer com que seus alunos mergulhem de cabeça no mundo da leitura,dos sonhos e da realidade; propondo à eles inefáveis momentos de sorrisos, de estudos, de debates , de reflexões sobre como devemos atuar em sala de aula com nossos alunos e sobre nossas vidas.
Atuando no Curso Normal do Instituto Elisa Ferrari Valls, especialmente na área da Língua Portuguesa, desenvolve um excelente trabalho com seus alunos, na área de linguagem, contação de histórias, de compreensão e interpretação de textos, de sugestões de atividades para iniciantes no magistério; além de ser uma apaixonada pelo grande mestre Paulo Freire – que com sua grande capacidade de síntese demonstra sua maturidade, lucidez e vontade de, com simplicidade, abordar algumas das questões fundamentais para a formação dos educadores/as.
Suely é a verdadeira “professora maluquinha” – como a que Ziraldo se refere em seu livro; pois desperta em seus alunos o gosto pela aprendizagem e principalmente dialoga com eles de uma maneira aberta e simples,- como idealiza Paulo Freire a relação educador-educando-, buscando saciar todas as suas dúvidas,compreendendo suas dificuldades e criando meios para que estas sejam vencidas.
Competente e dedicada, possui uma maneira muito interativa de ensinar, onde utiliza a web como uma de suas ferramentas de ensino; tal maneira esta que foi noticiada pelo Mec; oportunizando um momento especial em sua vida e na vida de seus alunos.
É, sempre foi e sempre será a alma do Cultura Jovem,onde incentivava a interação de jovens do Curso Normal com os do ensino regular para a concretização do que seria o jornal on-line da escola e ainda mantém blogs sobre suas práticas e de suas alunas;dando enfoque às suas aprendizagens.
Esta professora é um exemplo a ser seguido, pois faz a diferença na vida de seus alunos e com seu jeito único valoriza cada passo dado por eles, acompanhando suas trajetórias. Quem tem o prazer de tê-la como professora, mestra, educadora, amiga, mãe com toda a certeza leva uma enorme bagagem de conhecimento; de alegria, de crise de risos, de lágrimas de emoções, de carinho e de amor; pois não há ninguém que possa igualá-la, tampouco superá-la.
Se hoje eu tenho certeza daquilo que eu quero, da profissão que eu devo seguir, se hoje eu tenho o gosto pela contação de histórias, o encantamento pelas crianças, o gosto pelo ensinar... Se hoje eu estou aqui formada foi pq tu entraste na minha vida e nada mais alegre pra mim do que fazer o meu trabalho da faculdade sobre tu que fostes mais que uma professora pra nós, foi uma verdadeira mãezona NÃO CANSO DE DIZER OBRIGADA SUU' POR TUDO ‪#‎saudades‬  ‪#‎volta_tempo‬‪#‎profe_maluquinha‬ ‪#‎tuémassasu‬ ‪#‎TEMQUETERDIÁLOGO‬
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Obrigada, Suany! <3

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3 de fevereiro de 2014

Estágio final, tempos de (re) pensar as minhas práticas: reinícios

Fim de semestre. 

Para nós, profes e alun@s do curso normal, momentos de reflexão mais intensa sobre nossas práticas. Momentos de rever o que foi construído... Planejar, (re) planejar...

Digo isso, pois 31 alun@s da turma 41 A e 8 da Etapa IV vão para o estágio final, nos anos inciais.

Serão 65 (para o quarto ano) ou 100 (para a etapa) dias de aulas...

Um grande desafio.

Uma imersão no cotidiano das escolas, com todas as contradições inerentes a esse espaço de construção de saberes - afetivos, sociais, cognitivos...

Um importante momento de avaliação do que   desenvolvemos nas  aulas no Curso Normal, especialmente, nas disciplinas de didática.

(Parei, aqui, no dia 20 de julho de 2013!)

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(Continuo, hoje,  dia 03 de fevereiro de 2014!)

Quase início de ano letivo!

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Antes de tudo um aviso: 

Sim, no estágio final de 2013, assisti a  muitas aulas lindas, cheias de entusiasmo, de criatividade... 

O que me dá esperança! E alegria! :-)

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E daqui para frente falo no singular (sobre minhas práticas como professora de didática da linguagem).

É inevitável, quando nas visitas do estágio supervisionado, rever as contribuições que fiz para que as aulas sejam menos instrucionistas.

Me vem à memória as leituras que propus sobre  a aprendizagem da língua escrita, a formação de leitores; as sugestões de atividades que buscamos ou criamos para dar conta dessas questões de forma mais lúdica, mais reflexiva... 

Basead@s nessas leituras (nosso café no bule!)...

Concordamos (@s alun@s e eu) que a aprendizagem da língua escrita não acontece, apenas, baseada na memorização de regras descontextualizadas. 

Concordamos que devemos compartilhar literatura, lendo com/para os alunos, textos que nos emocionam de alguma forma,  a fim de encantar as crianças, a fim de que reflitam sobre a vida, se divirtam, brinquem com as palavras.... 

Concordamos sobre os direitos de aprendizagem que devem pautar as práticas pedagógicas em língua portuguesa. 

Concordamos sobre os conhecimentos e as habilidades específicos a cada eixo de aprendizagem da língua portuguesa: leitura, produção de textos escritos, oralidade e análise linguística.

Parece que,  enquanto analisamos um e outro texto, uma e outra forma de abordar, por exemplo, a ortografia ou o fomento do gosto pela leitura,  nos entusiasmamos e  acreditamos na necessidade de fazer diferente... 

Mas, no momento de assumir uma turma, parece (!), sucumbimos e fazemos  mais do mesmo.

Aulas e mais aulas com as crianças copiando textos do quadro.

Aulas e mais aulas separando sílabas e classificando palavras quanto ao número de sílabas ou de acordo com a classe gramatical e preenchendo listas com palavras no plural ou no feminino.

Aulas e mais aulas fazendo ditado de palavras, sem reflexão, apenas para saber se o aluno escreveu certo ou não. 

Aulas e mais aulas fazendo hora do conto com textos que nem literários são.

Aulas e mais aulas contando histórias sem entusiasmo, apenas para cumprir um protocolo exigido pelo curso.

...

Que aprendizagens há nessas práticas? 

Por que reproduzimos as aulas nos entediavam, quando estávamos nos anos inciais? 

Que professor@s somos? Que professor@s queremos ser?

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Essas são algumas minhocas que me acompanham desde que comecei no Curso Normal...

E me angustiam... só que não me paralisam! Ao contrário, me fazem estudar mais, buscar outros caminhos, outras formas de abordar esses temas (e outros e mais outros...) com @s alun@s do Curso Normal! 

Sim, acho que a metodologia é essencial! 

Afinal, a aprendizagem se dá mais pelo exemplo do que pela palavra...

 Paulo Freire, então?
1.6 - Ensinar exige a corporeificação da palavra pelo exemplo
O professor que realmente ensina, quer dizer, que trabalha os conteúdos no quadro da rigorosidade do pensar certo, nega, como falsa, a fórmula farisaica do “faça o que mando e não o que eu faço”. Quem pensa certo está cansado de saber que as palavras a que falta a corporeidade do exemplo pouco ou quase nada valem. Pensar certo é fazer certo. ("Pedagogia da Autonomia", p. 16)
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E aqui vou eu para mais um ano...

É grande a responsabilidade  - formação de professor@s da educação infantil e dos anos iniciais!

Ainda bem que tenho colegas com que compartilho essas minhocas... e nos movimentamos coletivamente!

Ainda bem que tenho alun@s que desejam ser (@s melhores!) professor@s...

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Deixo aqui a ligação para o referencial teórico que organizei dia desses: Encontro de estudos.

Sempre é bom (re) ler...



1 de fevereiro de 2014

"Pavor espaciar"


"Até hoje há quem diga que extraterrestres não existem. Mas vai falar isso lá no interiorzão! Certamente, você ouvirá de volta algumas histórias de gente que jura já ter visto algum." (Mauricio de Souza, no prefácio)
Bueno, então aqui vai a minha história.

Final dos anos setenta, passávamos as férias na estância, distante uns 80 Km da cidade. As luzes que nos rodeavam eram, apenas, das estrelas, da lua e dos vaga-lumes.

Quando menores, minha irmã e eu fingíamos que os "enxames" de vaga-lume (havia muitos vaga-lumes naquela época!) eram as luzes da cidade... :-)

Numa rara noite em que recebemos visitas, os adultos proseavam à espera do  carreteiro... avistamos no céu -, "a noite no pampa é uma catedral"¹ -  três círculos brancos que permaneceram imóveis durante um tempo.

Eram, com certeza, discos voadores.

Não recordo como acabou aquele episódio...

Lembro, apenas, do medo, das explicações, da certeza de ter vivido um contato imediato...

Quando abri "Pavor espaciar", num passe de mágica essas imagens retornaram...

E outras tantas - sobre outros seres assustadores - que alimentavam, no galpão, a roda de mate dos homens, depois da lida no campo. (Não. Éramos meninas e não participávamos da roda, mas brincávamos por ali... e ouvíamos as histórias.)

No primeiro quadrinho,  Gustavo Duarte retrata o  céu que tínhamos sobre nós na noite em que avistamos os discos voadores. Perfeito! E a Rural Willis estacionada em  frente à casa... mais memória afetiva!



Antes de saírem para uma visita, os pais de Chico Bento recomendam para que ele e o primo Zé Lelé se comportem e durmam cedo.


Os meninos atendem: distraidamente, no sofá da sala, Chico escreve alguma coisa, Zé lê  "Có!" (acho que é a primeira hq do Gustavo). Por ali, também, estão Will Eisneir ("The Spirit"), Charles Schultz ("Peanuts")...


Até que Chico, acompanhado de Torresmo,  vai à cozinha pegar água (na geladeira tem Coca, mostarda, catchup... pinguim) e, primeiro, vê a cara de terror do porquinho, em seguida, um E.T.

Saem em disparada pelo milharal, levando Giselda. Zé Lelé já fora abduzido.

No livro, não há muitos diálogos. Andei pesquisando e descobri que  uma característica de Gustavo é a narrativa visual.

Me parece que, desse jeito, sem muitas palavras, nos dedicamos mais a apreciar os detalhes de cada quadrinho... os movimentos, as expressões, as referências (a outras obras) e as homenagens com que o autor brinca de vez em quando...

Por exemplo, um dos abduzidos é o Jotalhão!
"Virge Santa! Um elefante! I ele é verde! Qui surrear..." 
A vontade é entregar cada detalhe, mas não vou fazer isso! ;-)

Ainda, de lambuja, no final, há as primeiras aparições  do Chico, do Zé, da Giselda e do Torresmo.

 Sou fã do Chico Bento, talvez por minhas raízes rurais, sei lá...

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2. Aqui, falei um pouco sobre a paisagem do pampa.

3. Chico Bento - Pavor espaciar, de Luiz Santiago

4. Aqui, escrevi sobre "Turma da Mônica - Laços"

5. Sobre o Graphic MSP

8 de janeiro de 2014

"daytripper"

Me propus, nesses dias de férias, ler hq/graphic novel (ou a nomenclatura que for!).

Pura influência do Tomás! ;-)

Comecei com um livro que estava há um tempo na estante,  obra de Fábio Moon e Gabriel Bá, referências para nós - Tomás, Marco e eu -, especialmente depois da 14ª Jornada Nacional de Literatura, em que tivemos a oportunidade de conversar com eles.

daytripper.

O  prefácio (em quadrinhos!), de Craig Thompson, antecipa: "é uma reflexão sobre a efemeridade da vida".

E lá fui eu em busca dos motivos que fazem os olhos do Tomás brilharem quando fala sobre hq!

E encontrei! Sabe aquela obra que dá vontade de ficar (re) lendo?!


Nada de heróis, um cara comum -  Brás - que escrevia obituários  para um jornal me sensibilizou!  

(É coincidência? ou há um fio que liga ao Brás Cubas, de Machado?)

Nos dez capítulos, como se fossem crônicas, a partir dos silêncios, das reflexões e das relações (com o cachorro, com o pai, com a mãe, com o amigo, com a mulher...), entramos em contato com diferentes momentos  do personagem e temos a
"(...) sensação de que a vida está acontecendo aqui, bem à nossa frente, e a estamos vivendo. 
E como vivemos. 
E às vezes morremos para provar que vivemos" (posfácio dos autores). 


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Para ler mais:

Resenha de Bruno Alves 

Vídeo resenha - Leio Eu TV

4 de janeiro de 2014

"Turma da Mônica: Laços"


Quando menina, lia muito gibi -  Luluzinha, Bolinha, Riquinho, Pato Donald, Zé Carioca, Bronco, furacão de fraldas...

Lembro de uma amiga que colecionava essas revistinhas, mantendo-as impecáveis. Eram pilhas organizadas, limpas, completas (uma inveja!). E não nos emprestava.

As nossas,  lidas e relidas, perdiam as capas ou páginas, passavam de mão em mão!

Adulta, assinava a Turma da Mônica. Meu personagem favorito,  Chico Bento.

Nos últimos anos, o Tomás me reconduziu a essas histórias, ampliando as concepções e as estéticas.


  • "O Continente" (2005), HQ baseada no romance homônimo de Erico Verissimo e assinada por Carlos André Moreira (roteiro) e Gilmar Fraga (desenhos);
  • "O Alienista", de Machado de Assis, roteirizada e desenhada por  Fábio Moon e Gabriel Bá;
  • "Dom Quixote das crianças", de Monteiro Lobato (em quadrinhos);
  • "Dom Quixote", de Miguel de Cervantes, com arte de Caco Galhardo;
  • "Dom Quixote", com roteiro e ilustrações de Bira Dantas.
Sim, o cavaleiro andante, é o preferido! ;-)

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Ontem, li "Turma da Mônica: Laços", feita pelos irmãos Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi,  do projeto Graphic MSP

Os primeiros laços, os familiares, são mostrados com uma delicadeza emocionante!

O momento em que o Cebolinha recebe o presente, abre a caixa, sob os olhares ternos do pai e da mãe, e encontra o Floquinho, uma bolinha de pelos - mais um laço se estabelece.



Em seguida,  um plano infalível... e a Mônica e o Sansão perseguem o Cebolinha - Peter Pan e o Cascão - Capitão Gancho. No trajeto pelas ruas do Bairro Limoeiro, alguns personagens são "citados" - Aninha, Titi, Cascuda, Xaveco, Xabéu...

Então, vem a notícia do sumiço do Floquinho... que destaca os laços de amizade entre as crianças.


Elas se unem para encontrar o cachorrinho, usando estratégias criativas, enfrentando uma turma de meninos provocadores...  


E os medos de uma noite no Parque das Andorinhas, espantados com histórias ao redor da fogueira - a ideia da circularidade, nossa ancestralidade africana. E uma bonita homenagem a Maurício de Souza!

É legal ficar apreciando cada quadrinho para "descobrir" algumas referências  - os brinquedos na estante, o quadro na parede (releitura d"O tocador de pífaro", de Manet) do quarto do Cebolinha, por exemplo.

E a cena das bicicletas?! Me vi no "E.T., o extraterrestre"!

Muito bom, também, acompanhar os primeiros encontros das crianças - laços em construção -  na escolinha...

Adoro ser surpreendida! E "Turma da Mônica: Laços" me surpreendeu!

Uma obra de uma belezura... encantadora!

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Agora, preciso muuuito ler "Chico Bento: pavor espaciar", de Gustavo Duarte.

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Atualização - 01/02/14

Li "Chico Bento: pavor espaciar"! Me encantei e escrevi aqui! :-)