1 de fevereiro de 2014

"Pavor espaciar"


"Até hoje há quem diga que extraterrestres não existem. Mas vai falar isso lá no interiorzão! Certamente, você ouvirá de volta algumas histórias de gente que jura já ter visto algum." (Mauricio de Souza, no prefácio)
Bueno, então aqui vai a minha história.

Final dos anos setenta, passávamos as férias na estância, distante uns 80 Km da cidade. As luzes que nos rodeavam eram, apenas, das estrelas, da lua e dos vaga-lumes.

Quando menores, minha irmã e eu fingíamos que os "enxames" de vaga-lume (havia muitos vaga-lumes naquela época!) eram as luzes da cidade... :-)

Numa rara noite em que recebemos visitas, os adultos proseavam à espera do  carreteiro... avistamos no céu -, "a noite no pampa é uma catedral"¹ -  três círculos brancos que permaneceram imóveis durante um tempo.

Eram, com certeza, discos voadores.

Não recordo como acabou aquele episódio...

Lembro, apenas, do medo, das explicações, da certeza de ter vivido um contato imediato...

Quando abri "Pavor espaciar", num passe de mágica essas imagens retornaram...

E outras tantas - sobre outros seres assustadores - que alimentavam, no galpão, a roda de mate dos homens, depois da lida no campo. (Não. Éramos meninas e não participávamos da roda, mas brincávamos por ali... e ouvíamos as histórias.)

No primeiro quadrinho,  Gustavo Duarte retrata o  céu que tínhamos sobre nós na noite em que avistamos os discos voadores. Perfeito! E a Rural Willis estacionada em  frente à casa... mais memória afetiva!



Antes de saírem para uma visita, os pais de Chico Bento recomendam para que ele e o primo Zé Lelé se comportem e durmam cedo.


Os meninos atendem: distraidamente, no sofá da sala, Chico escreve alguma coisa, Zé lê  "Có!" (acho que é a primeira hq do Gustavo). Por ali, também, estão Will Eisneir ("The Spirit"), Charles Schultz ("Peanuts")...


Até que Chico, acompanhado de Torresmo,  vai à cozinha pegar água (na geladeira tem Coca, mostarda, catchup... pinguim) e, primeiro, vê a cara de terror do porquinho, em seguida, um E.T.

Saem em disparada pelo milharal, levando Giselda. Zé Lelé já fora abduzido.

No livro, não há muitos diálogos. Andei pesquisando e descobri que  uma característica de Gustavo é a narrativa visual.

Me parece que, desse jeito, sem muitas palavras, nos dedicamos mais a apreciar os detalhes de cada quadrinho... os movimentos, as expressões, as referências (a outras obras) e as homenagens com que o autor brinca de vez em quando...

Por exemplo, um dos abduzidos é o Jotalhão!
"Virge Santa! Um elefante! I ele é verde! Qui surrear..." 
A vontade é entregar cada detalhe, mas não vou fazer isso! ;-)

Ainda, de lambuja, no final, há as primeiras aparições  do Chico, do Zé, da Giselda e do Torresmo.

 Sou fã do Chico Bento, talvez por minhas raízes rurais, sei lá...

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2. Aqui, falei um pouco sobre a paisagem do pampa.

3. Chico Bento - Pavor espaciar, de Luiz Santiago

4. Aqui, escrevi sobre "Turma da Mônica - Laços"

5. Sobre o Graphic MSP

2 comentários:

António Jesus Batalha disse...

Ao passar pela net encontrei seu blog, estive a ver e ler alguma postagensé um bom blog, daqueles que gostamos de visitar, e ficar mais um pouco.
Eu também tenho um blog, Peregrino E servo, se desejar fazer uma visita.
Ficarei radiante se desejar fazer parte dos meus amigos virtuais, saiba que sempre retribuo seguido também o seu blog. Deixo os meus cumprimentos e saudações.
Sou António Batalha.

Claudete Pellizzari disse...

Puxa , fiquei impressionada com a quantidade de coisas que você conseguiu postar no blog. E o mais interessante: de forma organizada.
É possível encontrar o que se quer. Imagino que seus alunos, Suely, usem muito o blog, não é ?
Um abraço, Claudete , sou aluna do curso da profe Marli Fiorentin aqui em Nova Bassano.