20 de fevereiro de 2009

Um conto que me encanta!

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Sempre pensei que o texto que nos encanta deve ser partilhado! Por isso, hoje, estou dividindo com vocês uma “arte” do meu companheiraço, Marco Antonio!

Quando morávamos em Porto Alegre, ele participou de uma oficina literária e produziu algumas histórias. Depois, foi abduzido pela medicina legal… Uma pena!!!


SEXO NA SACRISTIA

Quinze de janeiro. Catorze horas, sol quente. A cidade almoçou e agora dorme. Mas nem toda cidade dorme após o almoço. O carro azul marinho deslizou pela rua deserta, devagar, parecia querer parar frente à igreja. Resolveu dar mais uma volta na quadra. Uma única janela da casa paroquial estava aberta, as cortinas cobrindo quase todo o espaço.

Automóvel parado em frente à igreja, embaixo de uma árvore que o protege do sol e das pessoas. Abre-se a porta do carro. A mulher elegante desce. Lenço na cabeça, óculos escuros, passadas em compasso. 

Campainha tocando, coração batendo. A única janela aberta se fecha. A porta se abre, a mulher entra. Foi envolvida pelo frescor dos lugares protegidos. Cabeça baixa. Seus olhos erguem-se lentamente temendo encontrar o que lhes espera. Dois olhos negros, brilhantes e ansiosos a fazem estremecer. Dois braços exaltados pelo desejo a imobilizam e uma boca lhe queima a boca. Mãos ávidas vão-lhe subindo o vestido e descendo a resistência. Chocam-se contra a parede. Deslizam. Batem no chão. Superfície dura. Frio nas costas. Contato com a realidade. Está ao lado da igreja. Duro, rijo, entre suas coxas. Está dentro dela. Os movimentos seguem a cadência e a candência do desejo. Tornam-se cada vez mais acelerados. Celerados. Gemidos. Pedidos de mais. Ela sussurra demais. O desejo é contagioso, insuportável. Atinge-os quase ao mesmo tempo. O mundo se despedaçando. Rolam escada de dois degraus. Estão num nível inferior. Ofegantes. Sensação de quê? Ele se movimenta bruscamente. Está sem camisa, as calças pelos joelhos, de sapatos. Ela, imóvel, sem lenço, óculos quebrados próximos à cabeça, vestido levantado. À mostra as belíssimas coxas douradas e o minúsculo recorte de pele branca deixado pelo biquíni.

Estão em pé. Olham-se e nada dizem. Ela pensa no marido. Ele na missa das vinte horas.

Automóvel azul marinho liga sem alarido na tarde que já mostra movimento.


Marco Antônio

Porto Alegre, 11 de setembro de 1992.

9 comentários:

Alcir Martins disse...

Se não me engano, a carta da Yeda foi publicada segunda... mas tenho acompanhado pelos Blogs...o rs Urgente e o Tomando na Cuia ...

Sérgio F. Lima disse...

Muio, muito bom mesmo este conto.

[]'s

Alcir Martins disse...

Su!
Enganada não tá não...rsrsrs

Li sim...ia comentar até... Que ritmo!!! E que riquezas de detalhes!!! Deliciosamente descritivo... eu quase ouvi o som do carro dando a partida ao fim de tudo...

Imagino que não deva ser o único texto do Doutor, né??
Socializa mais coisas aí!!!!

Maria Xilica disse...

Num emaranhado de blogs sem conteúdo, poluídos de imagns e sons, encontro o seu. Parabéns!!! Ufa!Bloguei! é uma agradável surpresa para mim...

Patrícia disse...

Suely! Andei sumida mas voltei, adorei tua fotinho, quem sabe um dia não te conheça pessoalmente!
Muuuito bom esse conto! O blog ta lindo! Beijão!

Cristiane Marino disse...

Maravilhoso!

ótima semana, bjs

Armando Maynard disse...

Na COMUNHÃO dos corpos, REZA somente o prazer.
O Conto, retrata um momento de sexo frenético, pois soma um ambiente proibido, de perigo, segredo, dógma, desejo, traição, sensualidade e prazer. A carne não é fraca, pelo contrário é FORTE e VIVA. Em pleno século XXI, a Igreja insiste em continuar indo de encontro a natureza, exigindo dos padres o voto de castidade. O celibato é um castigo sem pecado. Um abraço, Armando

Nei disse...

Mas que sacrilégio, seu Marco! Um conto tão bom, tão vivo e forte, merece uma continuação. O que acontece depois? Suely, coloca esse cara para trabalhar nas letras diárias. Aí tem coisa! Grande abraço aos dois.

Anônimo disse...

Heheheheh....Mas e não é que o Marco é danado de porreta mesmo...!! Muito tri esse conto dele, se é que posso chamar assim. Tu dizias que era pornográfico, nem tem pornografia, é meio erótico....hehehehhe... a Janete que ia gostar de ler, leva para ela no colégio...
bj
bj
Magui