6 de novembro de 2009

Integração de mídias: outro jeito de ensinar e de aprender




“A simples introdução dos meios e das tecnologias na escola pode ser a forma mais enganosa de ocultar seus problemas de fundo sob a égide da modernização tecnológica. O desafio é como inserir na escola um ecossistema comunicativo que contemple ao mesmo tempo: experiências culturais heterogêneas, o entorno das novas tecnologias da informação e da comunicação, além de configurar o espaço educacional como um lugar onde o processo de aprendizagem conserve seu encanto” (Jesús Martín Barbero).
      As tecnologias e mídias estão nas escolas. Algumas há bastante tempo – a televisão, o vídeo, o DVD; outras, mais recentemente – o computador, a Internet. Sem falar em mídias mais tradicionais como o rádio, o jornal, o livro. Em qualquer forma, elas são “interfaces que nos possibilitam captar e interagir com o mundo”. E assim devem ser tratadas: como possibilidades de trazer o “mundo para a escola”.

      Por isso uma das tarefas mais urgentes é “compreender e incorporar as novas linguagens, desvendar os seus códigos, dominar as possibilidades de expressão e as possíveis manipulações”. E dessa forma, “propiciar aos alunos a utilização das mídias para a expressão de idéias, a produção de conhecimento, a comunicação e a interação social”.

     Como a escola ainda está centrada na fala do professor, as mídias são usadas para apenas transmitir informações, seguindo o modelo tradicional das aulas. É como se substituíssem o professor no papel de repassar os conteúdos. Um exemplo são os vídeos para complementar o que foi passado na aula; outro, o da Internet para “pesquisa”, em que somente se copia e cola. Em nenhum caso, se explora a possibilidade de autoria.

     Penso que os espaços de formação continuada, além de trazer as reflexões necessárias sobre as “especificidades dos recursos midiáticos”, poderiam ser momentos de planejamento interdisciplinar em que se desenvolveria a integração de mídias à prática pedagógica.
       Aí, entra a pedagogia de projetos viabilizando “a integração das mídias e de conteúdos de diferentes áreas do conhecimento, bem como o trabalho em grupo, que favorece o desenvolvimento das competências, as quais se tornam cada vez mais necessárias na sociedade atual.”

      E não precisa nenhum projeto mirabolante que exija este ou aquele suporte...

      Quem sabe explorar a linguagem da televisão a que todos têm acesso, buscando novas leituras, novos olhares, trabalhando os gêneros textuais televisivos, quebrando o paradigma da neutralidade... e criando os próprios programas (os roteiros), direcionados a públicos definidos... Assim, o aluno constrói conhecimento, vivencia a autoria.
      É inquestionável que o professor, para sair do estado confortável de sua ação pedagógica, deve estar “preparado para compatibilizar formas de diálogos e mediatizações entre as mídias, orientando o seu uso de forma significativa e adequada ao contexto da sala de aula, às demandas dos alunos e à realidade da escola.”

      Sei que não é fácil, mas, se não pesquisamos, como instigar o aluno para a investigação? Se não escrevemos, como formar produtores de textos? Se não compartilhamos informações, conhecimentos... e por aí vamos...

      Por isso precisamos (re) aprender a pesquisar, a nos comunicar, a partilhar conhecimento, a publicar, a aprender em rede... experimentar a autoria, para poder provocar os alunos a serem autores também!

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      Observação: os trechos entre aspas são da professora Elisabette Prado, das aulas da disciplina Mídias na Educação, no curso de especialização Tecnologias em Educação.


5 comentários:

Adrianne Ogêda disse...

Oi Sueli, que bom conhecer seu blog e te acompanhar no desafio de ir constrindo esse espaço de exercício da autoria.

Elaine dos Santos disse...

Oi, Suely! É tão bom saber que alguém "fala a nossa língua"...meu Deus, é um lenitivo ler os seus textos! Bem aventurados seus os seus @lunos, que Deus te ilumine sempre!

Biosfera disse...

"precisamos (re) aprender a pesquisar, a nos comunicar, a partilhar conhecimento, a publicar, a aprender em rede... experimentar" [2]

Concordo plenamente!

Josiane disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nelza Jaqueline disse...

Oi Suely! É o terceiro texto que leio do seu blog, passei para ler um só, que peguei la da lista dos blogs educativos, mas não consegui me desgrudar, pois tenho toda uma ansiedade em trabalhar com mídias, e que meus alunos sejam autores e que construam suas aprendizagens significativamente, mas de outro lado tem toda aquela lista de conteúdos a serem vencidos. E eu vivo nessa angústia de não querer ser uma professora transmissora e sim mediadora, mas sei que estou longe disso, seus textos estão me dando um "sul"...

beijos