28 de abril de 2012

Para aprender literatura

 
Dia desses, conversava com uma colega da disciplina de artes, muitos projetos interessantes... e sobre a necessidade do trabalho senão interdisciplinar (nunca sei direito o que é isso nem como fazê-lo!) pelo menos integrado entre duas ou mais disciplinas, visto que a grade curricular, cada vez mais fragmentada, destina, semanalmente, um período (mais ou menos cinquenta minutos) para artes,  dois para literatura, por exemplo.

Falávamos dessas  disciplinas pela proximidade do objeto de estudo de cada uma - as artes em geral, no primeiro caso e a arte da palavra, no segundo. E, por isso, a possibilidade (óbvia!) de integração entre elas.

Só que as coisas não são tão tranquilas assim nas nossas práticas pedagógicas...

Há que considerar a forma como a literatura é abordada nas escolas. Como os professores, em nome de um programa, elaborado há muito,  transformam o (des)encontro com o texto literário num emaranhado de datas, obras, autores, características de escolas literárias... listas e mais listas para serem decoradas...  Como a leitura do texto literário está ausente nas escolas...

Essas constatações me entristecem, pois acredito que estudar literatura é ler literatura. Ler para os alunos. Ler com os alunos. Ler.

A lembrança dessa conversa aí de cima, veio por causa do texto, de hoje, do professor Luis Augusto Fischer, Ensinar literatura, na coluna Pesqueiro (Caderno de Cultura, Zh - 28/04/12).

Ler o professor Fischer traz sempre a alegria de aprender. Sabe quando a gente pensa: putz, eu queria ter escrito isso. Pois, então, eu queria ser a autora do texto " Ensinar literatura"...

De qualquer forma, ler é também ser autor, né?! Nos tornamos parceiros dos autores, trazendo para o texto nossa história de leitura e de vida...

Então, eis minha autoria (meus destaques!) em relação à coluna do professor:
 Ensinar literatura não se reduz a apresentar os textos canônicos elegantes, nem apenas os que caem no vestibular, que no entanto são importantes, porque aí está a vida real dos formandos  do Ensino Médio.
(...) não é apenas ler com os alunos os textos, embora isso seja essencial ao longo das séries todas, do começo ao fim da vida escolar (e na universidade, pr que não?!), o professor é o leitor mais experiente que pode  e deve abrir as portas.
(...) não se opõe a ensinar português, nem a estudar e praticar redação.
O que fazer? Sigo com o professor Fischer:
Hora de estudar o português brasileiro na literatura brasileira, não à parte dela, e de incluir na literatura da escola as cada vez mais competentes traduções à nossa língua; hora de incorporar à circulação escolar o vasto e magnífico repertório da canção, a veia lírica da língua portuguesa no Brasil encontrou um meio excelente de vida; hora de escrever a partir da literatura que se pratica e se praticou em nosso país, no continente americano e no mundo.

Hora também de os professores de língua pararem de achar que literatura não é com eles; de os pedagogos e gestores do ensino começarem a ler literatura, e não apenas manuais de doutrina; de os colegas todos entenderem que a língua e a cultura da língua dizem respeito a todos, não apenas a quem explica onde vai o acento e a vírgula; de os professores de literatura, no Ensino Médio, entratrem em circuito com os colegas de língua, de história, de filosofia, para dar notícia da riqueza que é de todos e se expressa em livros. (...)
Professores, e aí? Será que estamos disponíveis para entrar em circuito com os colegas? Para sermos leitores de literatura? Para assumir que somos responsáveis pela formação de leitores?


3 comentários:

flacmk disse...

Oi, Suely! Perdi a primeira reunião do grupo de vocês, pois eu recebi o recado pelo msn e há algum tempo eu não utilizei a internet. Acabei perdendo o recado! Gostaria que me perdoassem e também, de ter uma segunda chance! Adorei o texto aqui, principalmente o questionamento sobre como a literatura é abordada nas escolas. Uma reflexão necessária, séria...
Parabéns pelo trabalho.
Um abraço!

Cecilia Ferreira disse...

Boas preocupações, belo envolvimento. Gostei. Bjnhs!

Tais Luso disse...

É verdade! Ensinar não é mandar ler um escritor - que muitas vezes não é o escolhido... Por que apresentar um clássico a um aluno que não está acostumado a ler. Sou de opinião que deixe o aluno escolher, o primeiro passo é pegar o hábito, depois, com o tempo, saberá fazer a triagem.
Você fala tudo quando cita o 'emaranhado de textos com datas, obras e autores'- isso deve vir ao natural, assusta!
Concordo com você: estudar literatura é ler literatura.

beijos!
Tais