15 de outubro de 2012

A educação precisa de perguntas!

(Página do álbum "Meu primeiro ano de vida!",
 preenchida com capricho por minha mãe.)

Eu queria escrever isso e aquilo sobre o dia dos professores...

Quem sabe dizer que sou professora (e da rede pública estadual!) por opção; poderia ter sido arquiteta - primeiro curso em que pensei ainda no início do segundo grau (era assim, na época!) ou jornalista - faculdade que comecei (e adorava!), mas abandonei, logo no terceiro ou quarto semestre para dar aulas de língua e literatura.

Como assim? Pois é, talvez seja o vaticínio de meus pais... A imagem no início do texto comprova! ;)

A quem interessa essa historinha água com açúcar? Se a pauta do momento passa pelas (más) condições de trabalho? pelo pouco investimento do Estado? pelo baixo salário? pelos alunos desinteressados? pelos professores despreparados e desvalorizados? e por todo o rosário de queixas que ouvimos diariamente ao ligar a tv ou abrir os jornais?

Só que, mesmo correndo  o risco de ser tida como alienada, procuro o caos que é alardeado, e o que vejo? Muitos professores, de diferentes partes do Brasil, que sonham e lutam com/por uma educação pública de qualidade, por um mundo mais justo! Que fazem, como nos ensina Paulo Freire,
A escola em que se pensa, em que se cria, em que se fala, em que se adivinha, a escola que apaixonadamente diz sim à vida.
Acho que muito mais do que respostas, a educação necessita de perguntas, de problematização, de pesquisa.

Além disso,  quando se diz que a educação necessita de respostas, é necessário clarear: quem dá as respostas? por que responde? como responde?  com que intenções?

Desde 1985, quando tive minha primeira turma – uma 5ª série numa escola da rede particular - até hoje, tenho encontrado gente entusiasmada, comprometida, criativa... 

Problemas? Sim, como em todos os setores.

Mas que nos desafiam e nos movimentam!

De novo (e sempre!) Paulo Freire:
Ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira às quatro horas da tarde. Ninguém nasce educador ou é marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma como educador permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática.
Se concordamos com Paulo, não devemos permanecer nas avaliações pontuais e fatalistas dizendo que a escola pública é uma desordem! 

Ou devemos?



12 comentários:

Fernanda Tardin disse...

Querida Suely!
Parabéns pelo texto maravilhoso e pelas reflexões. Concordo com você.
Ontem fiquei muito triste ao assistir uma reportagem na TV sobre o "Dia do Professor", onde só se falou sobre a violência nas escolas e a desvalorização do professor.
O trabalho que é feito por milhares de professores competentes e comprometidos com uma educação de qualidade não é notícia, mas isso sim, diariamente.
Beijo grande para essa grande "Educadora", uma referência!

Elisete Nunes disse...

Oi Suely! Interessante a tua reflexão. Neste dia especial, há sim, muito o que comemorar. Há muito o que recordar, pois tivemos mestres que contribuiram para nossa formação e que serviram de referência ao longo destes anos. Tivemos muitas conquistas. Tivemos e temos o reconhecimento de muitos de nossos alunos. Seguidamente cruzamos com alguns e somos reconhecidas, às vezes não lembramos seus nomes, apenas o rostinho.Educar é um grande desafio nos dias de hoje, é preciso vocação. paixão em ensinar, afeto, teimosia, persistência e acima de tudo comprometimento com a educação de nosso país.

Suely Aymone disse...

Fernanda e Elisete!

Eu ando sem paciência com esse pessoal que insiste em nos "desqualificar" publicamente!!!

Do jeito que falam, parece que os professores dedicados, comprometidos são exceções!

E nós que estamos nas escolas sabemos que a situação é difícil, sim, mas que trabalhamos com alegria, com "honestidade"!!

Vocês são exemplos de profes que tem paixão por ensinar e aprender!!!

Beijos

Laura Danielle Meyer Aguirre disse...

Suely, outra 'tia' minha encontrada nas redes, tia Elisete foi minha prof. na Aplicação alguns aninhos atrás, na 3° série. Eram ótimas aulas, projetos maravilhosos que nunca esquecerei, lembro-me que as crianças vinham dois turnos as vezes. De manhã aula normal e a tarde para assistir apresentações com as meninas do magistério. Eram apresentações lindas, sobre índios, planetas, países... Em fim outra educadora que passou na minha vida que nunca esquecerei. ^^
Tenho a felicidade de dizer aqui, que em minha trajetória como aluna tive tantas boas professoras, que me incentivaram a sonhar, criar e amar o estudo. E assim como elas foram para mim, luto para ser inesquecível com os meus alunos.
Essas coisas boas devem ser mostradas. Infelizmente todas as coisas ruins caem nas mãos dos professores.
Televisões incentivem o papel dos pais, dos familiares, dos vizinhos. Afinal, como querer boa educação com uma sociedade tão desestruturada? Precisamos de uma sociedade mais organizada e famílias que deem atenção a suas crianças.

Suely Aymone disse...

Laura!

Oba! Comentário! ;)

Sim, a sociedade está estruturada de uma forma a atender aos interesses do mercado, do capital!!

A escola, eu acho, deve problematizar isso, pelo menos, mostrando alternativas de desenvolvimento...

Sobre a atenção às crianças, todos devemos assumir essa responsabilidade, como educadores - famílias, Estado, sociedade, escola...

E penso que temos, de maneira geral, nos saído bem... pois acolhemos as crianças com amorosidade , com rigorosidade(sabe aquelas ideias freireanas?!)...

Continuamos conversando...

Beijos!

Vanessa Gonçalves Vieira disse...

oi Suely

Recebi um prêmio lá em meu blog, uma forma de carinho e reconhecimento entre os blogueiros, repassei ao teu blog em reconhecimento ao teu trabalho. Espero que goste. Se não quiser não precisa postar em teu blog sim. Fique a vontade!

Deixo o link: http://trasnformandovidas.blogspot.com.br/2012/10/recebi-o-premio-dardos.html

Um abraço!

Suélen Tedesco Cappellaro disse...

Oi Suely! Estou passando por aqui para agradecer a tua visita no meu blog. E pode ter certeza que voltarei muitas vezes, tenho muito para aprender e compartilhar. Teu blog é muito inspirador...Abraços!

Nelza Jaqueline disse...

Bem Suely, o que dizer? Concordo com o que tu postou e recomedo-te, se é que já não leu, uma coluna do Juremir Machado da Silva, intitulada paradoxos da educação, que aborda a mesma temática na linha que tu fizeste.

Vim aqui para te deixar um selo prêmio, pro teu blogue. Vi que uma outra menina acima fez a mesma coisa, se não quiseres publicar fica à vontade, mas este aqui está sempre na minha lista dos melhores. Para pegar, acessa a minha postagem http://nelzajaque.blogspot.com.br/2012/11/meu-primeiro-premio-de-blogue-premio.html

Beijos!!!

Suely Aymone disse...

Oi, Jaque!

Já peguei o selinho!!! Vou guardá-lo com muito carinho!

Do texto do Juremir Machado que indicaste, destaco:
"Os defensores dos métodos antigos saíram a campo. Querem autoridade, memorização, cobrança, muita reprovação e enquadramento. Ah, como sentem saudades da palmatória, do grão de milho, da decoreba, do latim e da disciplina. O futuro estaria no passado. Um tempo de grande qualidade, que só existiu para poucos, voltou a ser a referência. Os mesmos que condenavam qualquer reivindicação do magistério passaram a falar até em salários melhores."

É isso mesmo!

E qualquer um (digo assim mesmo, de maneira deselegante!) se acha no direito de dizer o que devemos fazer nas escolas...

Beijos

Nelza Jaqueline disse...

É isso mesmo, infelizmente. Mas como tu dizes, tem uma legião de professores batalhando, dando o seu melhor, realizando projetos interessantes, captando e canalizando o potencial dos alunos e lhes indicando um rumo. Sigamos com as nossa luta. Um grande beijo!

Alcir Martins disse...

Oi, Su!
Sempre é bom "ufar" um pouco!
Em tempos de "rapidezes" cada vez mais fugazes já se vai pro 5º ano de UFA! Parabéns!

Em especial é bom passar por aqui e reenergizar com tuas histórias e tuas práticas. Reencantar com a escola, reencantar a escola! Aqui é sempre um canto inspirador.

Abração!

Suely Aymone disse...

Oi, Dire!
Que alegria te (re)encontrar aqui!
Sim, o Ufa! vai resistindo as mil e tantas outras atividades que vou inventando...
E tu sempre muito generoso!
Obrigada pela parceria!
Saudades de montão!
Bjs