11 de janeiro de 2009

Escola e formação de leitores(as)

91337-37 Uma das funções da escola é a formação do(a) leitor(a). Ninguém há de negar!

Essa afirmação prestigia o texto escrito em detrimento da concepção de texto como “objeto cultural, seja verbal ou não, em que está implícito o exercício de um código social para organizar sentidos através de alguma substância física. Portanto, cinema, televisão, vestuário, esportes, cozinha, moda, artesanato, jornais, falas, literatura, partilham da qualidade de textos” (trecho do livro “Literatura: a formação do leitor”, escrito por Maria da Glória Bordini e Vera Teixeira de Aguiar).

Quer dizer, a sociedade letrada colocou o livro num pedestal, desprestigiando as outras formas de construção do conhecimento.

No entanto, há quase trinta anos, em “A importância do ato de ler”, Paulo Freire resgatava o conceito amplo de texto, postulando que a leitura do mundo antecede a leitura da palavra. Desde cedo as pessoas vão lendo o mundo, atribuindo-lhe sentidos. Desde cedo as pessoas são leitoras em formação e todo o conhecimento construído interage com a leitura do texto escrito: “Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto”.

Mundo e palavra escrita em construção!

Será que a escola está cumprindo seu papel: tirando o livro (a palavra escrita) do pedestal e colocando-o ao alcance dos(as) alunos(as)?

Será que a escola faz a mediação entre a leitura de mundo e a leitura da palavra?


3 comentários:

Luis Dhein disse...

Olá Suely!
Primeiro, permita-me um elogio, seu blog está muito bem estruturado, abordando temas instigadores, parabéns.
Freire, nos fez ressignificar nossa idéia sobre o sentido da "leitura". Ele nos apresentou uma concepção problematizadora, conscientizadora, libertadora do ato de ler. Ele trouxe para o debate a historicidade do sujeito. Ele nos apresentou e nos provocou com a idéia de leitura de mundo.
Mesmo passado tantos anos, ainda estamos buscando colocar em prática as suas idéias. Na minha concepção Freire é hoje um dos autores mais atuais, mesmo que algumas revistas tupiniquims digam o contrário. Mesmo que se diga que a escola é isso e é aquilo, fico feliz em perceber que "a escola" se deu conta que está em crise, e é notável o esforço a nível nacional, para provocar mudanças significativas. Te convido para dar uma passada em meu blog. Nesse post.
Link: http://luisdhein.blogspot.com/2009/01/crise-na-educao.html

Em breve, volto para discutir mais diretamente as idéias dessa sua provocação. Ótimo post.

Forte abraço.

Tati Martins disse...

Olá, Su!
Estou cada vez mais encantada com suas postagens. É isso aí!
A escola ficou presa, amarrada durante anos ao objeto livro, deixando de lado um mundo a ser lido. O problema é que essa escola que fez isso somos nós professores que nos prendemos a tradições, a manias.
É necessário inovar, mudar, mas é árduo o trabalho, pois são verdadeiras mudanças de paradigmas!
Acho que o livro "A revolta das palavras digitais" é um bom começo para se quebrarem esses vícios. Pretendo adotá-lo neste ano.
Um beijinho

P.S.: Vc conseguiu seguir o que lhe indiquei para postar o livro?

Francisco A Silva disse...

Ola! Parabéns pelo blog.
Vou acompanhar.