13 de janeiro de 2009

Vamos mudar as histórias de leitura!



 
Li este artigo de Ana Miranda há alguns dias… Foi publicado no número 138, de setembro de 2008, da revista Caros Amigos.

O relato da história de leitura de Maria me deixou bastante sensibilizada… Nele reconheci as histórias de outras Marias, de outros Joões da vida real, com que convivemos nas escolas.

Transcrevo o texto na íntegra, para que, a partir dele, façamos uma reflexão sobre como podemos mudar essas histórias.

A ausência do livro

Maria é uma estudante brasileira. Gosta de ler, mas não tem o hábito da leitura. Ouve os pais, os professores dizerem que ela precisa ler, portanto sabe que precisa ler, mas não sabe muito bem o motivo. As escolas fazem um esforço para que ela leia, os governantes adquirem livros aos milhões e sustentam ou criam bibliotecas, mas Maria não lê. Ela já leu alguns livros na escola, orientada pelos professores, foi à biblioteca da escola e leu, teve dificuldades para ler um ou outro livro, mas dos livros “fáceis” ela gostou.

Maria até gosta de ler, porém não lê. Acha que é porque não tem tempo, ou porque não tem dinheiro, porque não sabe se concentrar, porque não entende… Simplesmente não adquiriu o hábito de ler. Não lê direito nem mesmo as placas de rua, as legendas de filmes, erra muito e sua mente fica confusa. Maria tem agora dezessete anos e vai fazer o vestibular, entende as matérias, mas erra nas respostas porque não sabe ler o enunciado. Não sabe ler o que encontra no computador, apenas copia e cola. Não sabe ler nem mesmo aquilo que escreveu. Não sabe escrever uma redação.

Maria cresceu distante dos livros, em sua casa jamais teve uma biblioteca na sala, nem uma pequena estante de livros, nem uma prateleira de livros no quarto, nunca viu seus pais lendo, sua mãe jamais a levou a uma livraria ou a uma biblioteca, nas salas de aula Maria jamais teve uma estante de livros, os passeios escolares jamais foram a uma livraria ou biblioteca ou editora ou impressora de livros, nos fins de semana a escola lhe oferece esporte, jamais Maria teve um horário de leitura no seu cotidiano, nem na escola nem em casa, ouviu a professora lendo livros para as crianças, encantou-se com contadores de histórias, mas jamais lhe ensinaram o hábito de ler e escrever diariamente, embora lhe tenham ensinado o hábito de tomar banho, escovar os dentes, amarrar os sapatos, fazer o dever de casa cotidianamente.

Maria percebe um esforço dos professores para que ela leia livros, mas o livro é retirado de sua vida, sua cartilha não tem o formato de livro, na escola os livros têm formato de apostila, mais parecida com revista, na igreja ela recebe um folheto. Maria nunca vê alguém lendo, o livro está fora de seu percurso diário, ela não sabe nada a respeito do livro, não sabe distinguir um bom livro de um livro ruim, os professores dão um tema que Maria vai pesquisar na Internet, e não exigem a leitura de um livro, um capítulo que seja, os professores dizem que é preciso ler, mas Maria recebe apostilas, jornais, onde se encontram os caminhos para evitar a leitura de um livro, que reproduzem trechos ou resumos de livros, e perguntas e respostas, o livro jamais fez parte da vida de Maria, ela não tem nenhum amor pelo livro, nem mesmo apreço, ou interesse, o livro não lhe diz nada, apenas ela sabe, de forma meio vaga, que precisa ler…


E, então, o que fazer para que o livro esteja presente na vida de noss@s alun@s?

Quais são as ações para a construção de uma escola leitora? Deixa aqui tua contribuição.


6 comentários:

Anônimo disse...

Olá,

Passando para conhecer esta maravilha de espaço e desejar uma linda quarta feira e muita paz em seu lar.

Smack!

Edimar Suely
jesusminharocha.blig.ig.com.br

Marli disse...

Cara Suely!
Acho que tenho uma boa resposta para você. Em primeiro lugar, para formar alunos leitores, é preciso que os professores sejam leitores, que transpirem entusiasmo pelos livros, que andem sempre com um debaixo do braço. Então sim, os alunos podem começar realmente a ler.Quanto á familia, é preciso que espalhem livros, os deixem ao alcance, que os pais contem histórias desde criança. Eu já comprei livros para meus filhos antes de nascerem. Quanto à escola, é preciso adotar um projeto de aluno leitor e que todos se envolvam. Na minha escola estamos indo para a 5ª feira do livro. Os alunos, professores, funcionários, até pais leem os livros e depois os escritores vão à escola para interagir com seus leitores. A cada ano os alunos leem mais e esperam pela feira com mais ansiedade. Por fim eu te diria, que aliar a literatura à internet é uma fórmula infalível, pois ler o livro e depois trocar ideias sobre ele com pessoas de outros espaços, até mesmo com os próprios autores, compartilhando as ideias, eu faço e sei que funciona bem. mas tudo precisa ser feito com paixão e verdade. Depois que somos picados pelo vírus da leitura, não há mais cura: viramos leitores pra sempre. Beijo, querida!

Suely disse...

Oi, Marli!
As ações que sugeres são realmente ações transformadoras, envolvem a família, a escola, a comunidade, as tecnologias...
Nas "escolas pobres", só para usar o adjetivo repetido pela Secretária de Educação nos últimos dias, a questão da leitura depende única e exclusivamente da escola. Meus(minhas) alun@s não tem livros nem revistas nem jornais em casa... e a maioria dos professores(as) não são leitores(as)... e a situação é muito grave! A responsabilidade recai, ainda, apenas sobre a área de expressão...
Eu pego guris e gurias (e adultos na EJA) no ensino médio que nunca leram um livro... tenho que formar leitores(as) e produtores(as) de texto no ensino médio... é uma função que desempenho com entusiasmo, com prazer, com alegria! e tenho conseguido encantar e contagiar alguns(as)! mas essa construção já deveria ter começado no fundamental...
Um dos motivos por que virei aprendiz de blogueira é esse: construir novos espaços de diálogo com meus(minhas alun@s)!
Espero contaminar meus(minhas) colegas!
Abraços!

Francisco A Silva disse...

Ola, sim minha familia é toda blogueira. O blgo.ceifazendoarte.com.br foi o primeiro. Nós também icentivamos bastante leitura. Normalmente leio um livro por mes, atualmente estou lendo Terra Vermelha.

Abraço

Conceição EJA disse...

Oi Suely... e Marli

Vivemos a mesma situação de carência em nossa escola, e os alunos da EJA inclusive não recebem nem os livros didáticos.
A proposta da Marli é muito oportuna e próxima em vários aspectos daquela que desenvolvemos em nossa escola para o PDE para a EJA.
Espero que possamos atuar desta forma, para que nossos alunos possam desenvolver não somente suas habilidade de leitura como também o prazer de ler!

Clarissa Oliveira disse...

Olá! Amei seu blog e virei sempre lhe visitar!
Tenho três filhos e sempre incentivei a leitura,pois sempre gostei muito de ler e nunca faltaram livros em minha casa.
Mas comprar livros para a criança não é o suficiente para fazê-la gostar de ler. Os pais tem que estar junto, sentar com os filhos e contar histórias, mostrar as imagens, mostrar o mundo maravilhoso que se projeta em nossa mente quando lemos.
Esta troca vai fortalecer ainda mais o vínculo entre pais e filhos e criar o gosto pela leitura.
Beijos...