24 de abril de 2009

(Re) visita às práticas!

rodamu2
Conclui a graduação em 1984! Tempo, tempo, tempo…

Desde então já andei por escolas particulares e públicas, pelo ensino fundamental e pelo ensino médio…

E as aflições e as angústias e a necessidade de fazer uma escola (ou uma aula)diferente me acompanham por esses vinte e cinco anos!

Em todos os momentos, estabeleci parcerias…

“…é impossível ser feliz sozinho…”

Na época do Mãe de Deus, havia a Jusnara e a Rosana!

No Dolores Cunha, havia o Alcir, a Adri, a Tetê, a Ana Júlia…

No Jonfa, a Suzana, a Márcia, a Adri (de novo!), a Sheila…

No IEPF, há o Alcir (de novo!), a Ediles, a Rô Silva, a Andrea, a Maria do Carmo, a Vera, a Rô Carvalho, a Janete Camponogara, a Marília, o Vifran… (epa! aumentou o povo!)…

No Elisa, há a Luciana, a Maria Cristina…

E  o que eu-nós fiz-fizemos?

Diálogo… sabe aquela conversa mesmo, em que se diz e se ouve respeitosamente?! Aprendi que a melhor forma de dialogar é no círculo… então, uma nova disposição do espaço na sala de aula se constituiu e se tornou insubstituível…

Alegria… por estar junto, por poder partilhar as minhas pequenas descobertas (especialmente literárias!), por desvelar outras junto com a gurizada…

Um olhar diferente para a produção textual, em que se valoriza a ideia e não apenas a forma… em que se lê o texto do aluno como leitor e não como caçador de erros de gramática…

Uma aula de português em que a vedete é a língua e seus usos e não a metalinguagem, a classificação pela classificação…

A acolhida de diferentes formas de expressão…

A aula de literatura praticada como  leitura de literatura e não como estudo de períodos literários, autores e características…


O respeito ao tempo de cada um…

O aprendizado  sobre a avaliação como processo…

O uso de alguns recursos para ajudar na aprendizagem…

O livro didático (e agora o MEC nos garante muitos e bons livros!) como  fonte e não apenas  para cópia… A Internet como interação, partilha, possibilidade de ser autor(a)… O cinema, a televisão, o jornal, a revista presentes como suportes da língua viva! O seminário, a roda de leitura, o teatro…

A aula em diferentes espaços…

E a aula na sala de aula, com giz, quadro e construção coletiva de conhecimento…

A tentativa de vivenciar princípios freireanos: amorosidade… ética… construção da autonomia… emancipação…

… e paixão!

Como dá para ver, nada de novo! Mas tudo tão diferente!

Minhas-nossas micro-contra-hegemonias (é isso Sérgio?)… tentativas de     (trans) “formar”  para o presente!

Pois, ainda, nas escolas, os quadros são cheios de conteúdos prontos para ser copiados … tudo muito fragmentado…

Professores(as) sem paciência, rivais dos alunos… querendo dominar as turmas pelo medo, pelo constrangimento, pela ameaça da nota baixa…

Professores(as) que não saem da sala de aula, não se espraiam em outros espaços pedagógicos, e os laboratórios mofam… vazios…

Escolas plantadas no passado?

7 comentários:

Anônimo disse...

Olá Su, tenho saudade do nosso tempo de "oficina de teatro", parceria, aprendizado e crescimento, tem algo que me inquieta quando penso: bom se em uma escola mais conservadora ou tradicional observamos alguns marinheiro quase a deriva, mas que conseguem se destacar no sentido de proporcionar aos seus alunos situações significativas e prazerosas de aprendizagem, e é muito comum nestes lugares se dizer, há se tivéssemos mais apoio ou espaço para planejamento...,estes estão rodeados por currículos gradeados e estagnados do não pode, não dá...
Mas quando temos uma estrutura que garante, incentiva e valoriza estas criações (e tu deve saber do que estou falando) nem sempre isso ocorre...
Agora se vontade e/ou iniciativas isoladas não são suficientes, se proposta respaldada e assegurada pelo regimento ou PPP, espaços garantidos e regimentados de encontro, debate, debate..., também não. Como ficamos? Tenho pensado nisso...
Andréa

Fatima Cristina (www.fccdp.com) disse...

Oi Suely,
Parabéns! você acertou em cheio nos seus comentários sobre o ensino escolar. Sua experiência como professora aberta a conversas e a outras formas alternativas de ensino é de se louvar!
Bjs, Fatima

Profe Suely disse...

Oi, Déa!!!

Tu perguntas como ficamos???

Dia desses - 25/4, enviei para o Blogs_educativos o seguinte email:

Oi, pessoal!


Sempre acompanho os debates... nem sempre faço intervenções... quando consigo vir para o computador, já é madrugada e meus neurônios estão gastos... e vocês são muito rápidos... ainda bem, né!??

Mas como me sinto muito provocada por vocês... vou fazer um relato do "chão-de-escola"!

Numa das escolas em que trabalho, pois é sou daquelas que corre entre duas escolas... uma num lado da cidade e outra no outro lado... (não, a cidade em que moro não é grande, e sempre aparece uma carona) numa com turmas do magistério, noutra com ensino médio... mas vou tentando dar conta...

Numa das escolas em que trabalho, considerada uma das melhores da cidade, com bom índice de aprovação nos vestibulares, de acordo com o ranking da cidade... como eu brinco: "uma escola forte, que roda!", planejei uma aula no salão, pois íamos fazer um sarau... tudo combinado... na hora prevista para a arrumação do palco, som, data show e sei lá mais o que... cadê a chave da porta do salão??? sumira na noite anterior!!! E aí???

Se não fosse nossa determinação, não teríamos ido adiante... ouvi de colegas: "Por isso não dá para sair do quadro e do giz! Eles (acho que o governo do Estado!) não querem!"

Claro, é muito mais cômodo ficar na sala de aula...ter uma aula no salão (ou nos laboratórios ou no cinema ou no pátio...) dá trabalho, temos que lidar com imprevistos...

E aqui, no RS, o Estado não disponibiliza pessoal para os setores: não temos bibliotecários nem pessoal nos laboratórios...

Ao tirar uma turma da sala de aula, a gente tem que dar conta de tudo: desde a abertura da porta, se for o caso, até a instalção dos aparelhos... e depois desfazer... Aí entra a questão do tempo: há quem encare como perda de tempo todo esse movimento... Quem se habilita?? Poucos, muito poucos...

E falamos em escola formando para o futuro ou para o passado... e falamos em professores com medo da tecnologia...

Penso que a educação (a que está no papel - a academia é muita boa nisso! - referenciada pela LDB, pelos Parâmetros Curriculares, pelos projetos de formação disponibilizados pelo MEC (eu, por exemplo, faço o ProInfo!) tem um olhar para o futuro; ou melhor, como nos sugeriu a Tatiane (clica aqui!), para o presente!

Mas a escola, com suas práticas, ainda está com os dois pés no passado! Basta olhar o desenho da disposição das mesas: uma atrás da outra. Ah, mas isso não tem nada a ver! Tem a ver sim: se não nos enxergamos, o diálogo (e não estou falando de perguntas e respostas, estou falando de fala e escuta respeitosas, que contribuem para que a aula fique melhor, para que haja a construção do conhecimento) não acontece! Se não acontece na sala de aula, imagina fora dela...

As políticas públicas existem, temos que tirá-las do papel... é uma responsabilidade partilhada entre estados, municípios, escolas, famílias, professores, alunos...

Se o Estado não cumpre seu papel, não consigo ficar parada esperando que isso aconteça... se o laboratório está quebrado (como é o caso de uma das minhas escolas!), vou inventar uma alternativa... mostrar para os alunos os espaços públicos de acesso à Internet, por exemplo... e, ao mesmo tempo, ficar cutucando o diretor da escola para que o laboratório funcione!

Se não dá para fazer aula com tecnologia, dá para fazer uma boa aula com giz e quadro... enquanto a tecnologia não vem...

Se as transformações não se dão coletivamente - meu/nosso sonho - vamos remando contra maré e encontrando parcerias - sempre há dois, três, quatro colegas com essas mesmas inquietações...

(Ah! nosso sarau foi muito legal!!! Vamos repetir a dose!!!)

Abraços!

Suely


Acho que ficamos assim... um pouco ETs, quando fazemos nossos movimentos...

É muito difícil quebrar paradigmas... tenho uma leve, muito leve esperança com a gurizada do magistério... Quem sabe... alguém se contagia...

Abraços!!!

EVELIZE SALGADO disse...

Parabéns, Su.
Na mosca!!!!!!

Anônimo disse...

Olá Su, nossas escolas necessitam de professores que não tenham medo de arrumar e desarrumar salas para proporcionarem momentos marcantes para seus alunos, professores que não deixem a alegria de motivar e encanar seus alunos dentro de um armário qualquer junto com a burocracia e os desmandos governamentais. Fantástico comentário!!!
Ass: Sandra Maia

Patrícia disse...

Suely!! Obrigadaaa! Meu estágio começa dia 13 de maio e vai até 17 de julho, maior frio na barriga pra falar a verdade, e escola é boa, a turma também me pareceu, mas, primeira vez... Dizem que a gente nunca esquece, espero poder guardar boas lembranças dessa experiência! Espero também conseguir transmitir coisas boas para aquelas pessoinhas, independente de metodologias, pois ainda acredito que a educação é o caminho. Outro dia, li uma frase que achei linda... "O professor que desperta entusiasmo em seus alunos consegue algo que nenhum método sistematizado pode obter, preparar pessoas para transformar algo". (John Dewey)
Beijos!

Alcir Martins disse...

O primeiro passou (ou um deles) é sentir-se seguro para poder errar...
Se a chave não estava lá, corre atrás; descobre onde tá!
Se a porta quebrou, usa outra sala...se o som não sai na passagem de áudio, aproxima o microfone da lap top e fica segurando.
O improviso que demonstra autonomia (não aquele que comprova o desleixo com o planejamento e é muito comum!) deve acompanhar nossas lutas diárias contra uma estrutura de dois séculos atrás, moviemntada pro gente do século passada e que ousa dizer que quer preparar para o futuro, como se hoje estívessemos preparando gente pra viver depois!!!!

vamos abrir as janelas, as portas, quebrar as correntes...

e não precisa pedir licença pra Direção!!!!

Eu me sinto orgulhoso e feliz de ter tido a tua parceria desde minha primeir aescola. Época diferente...já distante e saudosa, né!!!??

Sinto que entrei no lugar certo, na hora certa e com a spessoas certas!! Abração!!