4 de outubro de 2009

Pensando em voz alta…

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Uma das minhas inquietações como professora, talvez a principal, é fazer com que as aulas sejam instigantes. Como sempre repito: adoro por minhocas na cabeça dos alunos e ter minhocas na minha cabeça! E uso a imagem da minhoca como sinal de terra fértil, de vida, de possibilidade de germinação, de transformação... Não é fácil...

Quando li, no texto “Falando de aprendizagem”, de Maria Aparecida Mamede-Neves: “ (...) a aprendizagem pressupõe que o sujeito dê um passo além da mera aquisição da informação, incorporando e manipulando os instrumentos de indagação. Nesse sentido, aprender é, muito mais, poder indagar”, me indaguei: nas aulas, sou transmissora de informações ou uma professora que auxilia os alunos para transformar informação em conhecimento???

Um dos complicadores, no meu ponto de vista, talvez, sejam os modelos de aula que tenho (temos) internalizados. Sou de um tempo em que aluno bom era aluno quieto. Esse processo de emudecimento dos alunos ainda está presente em algumas salas de aula... Tempo em que professor bom era aquele que passava muita matéria no quadro... ainda vejo (vemos?) essa prática em muitas salas de aula...

Um dos maiores desafios para nós, professores, especialmente, de língua portuguesa: devolver a palavra aos alunos, tanto na modalidade escrita quanto na falada... fazer com que cada um descubra o que tem a dizer e diga! Fazer com que cada um se sinta dono da língua portuguesa e não tenha medo de usá-la nos diferentes contextos (infelizmente, se ouve muito: professora, eu não sei português!)...

E aqui as ideias da professora Maria Aparecida Mamede-Neves, em outro texto “Ainda falando de motivação”, caem como uma luva : “(...) o trabalho do professor é ajudar a construção do envolvimento pessoal de seus alunos”. Entendendo-se envolvimento pessoal como “pouca frustração e expectativa positiva de êxito”.

(reflexões a partir das leituras do referencial teórico das aulas da unidade 2 – Motivação e ato de aprender, da disciplina Concepções de Aprendizagem, do Curso de Especialização Tecnologias em Educação)
Publiquei este texto, originalmente,  nO Normal tá na rede!


4 comentários:

Lenira, Deolinda, Claudiane, Vanda disse...

Enquanto lia seus pensamentos ia pensando nos meus pequeninos e na nossa tarefa de iniciá-los como leitores e escritores dessa nossa Língua. De fato enquanto o mundo gira tudo muda muito rápido, assim acontece com a maneira de ensinar/aprender e se não nos mantivermos alertas, ligadas, antenadas, conectadas, preparadas, certamente nos restará os des e os adas que não queremos. As suas indagações nos instigam, e isso é muito bom, mais interessante ainda é ver que elas instigam também os seus alunos. Acredito que estamos caminhando muito bem nesse novo mundo. A vontade de aprender é o que nos move. Adorei o post.

Bjus..

Lenira

Patrícia disse...

"..adoro por minhocas na cabeça dos alunos e ter minhocas na minha cabeça! E uso a imagem da minhoca como sinal de terra fértil, de vida, de possibilidade de germinação, de transformação..."

Nunca vou esquecer esta tua frase, Suely! Amei!

Grande abraço!

Tati Martins disse...

Tem selinho pra vc em meu blog...
Beijos

Elaine dos Santos disse...

Indagação deveras inquietante, amiga! Eu ainda me acho super tradicional ou como os meus alunos do ensino médio me apelidaram: "Sargento"! Só que, ao mesmo tempo, lendo o teu texto, eu ousaria afirmar que existem, existiram momentos de inquietação, de "minhocagem" mesmo, nestes 10 anos de docência. Nem todos "pegam o nosso trem" e aceitam a viagem, mas há muitos momentos compensadores e mesmo que os passageiros sejam em número reduzido, fiz diferença para eles..eu acho! será?! abçs :)