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4 de julho de 2010

Televisão: "o perigo de uma só história"

 
(Da disciplina Mídia, cultura e sociedade, do Curso de Especialização Tecnologias em Educação - CCEAD - PUC-Rio)

     O trabalho final da disciplina Mídia, cultura e sociedade  envolvia a escolha de um programa de televisão para a análise.
 
     Problema à vista: cada vez assisto menos aos programas de tv!

     Então, fiz uma breve pesquisa com @s alun@s: deu Malhação ID na cabeça!

     Não havia opção: vi alguns capítulos...

    O texto que segue faz parte da conclusão. Quem quiser saber mais é só clicar aqui!

A educação está no centro das atenções dos lares brasileiros. E onde ela está na escola? (Catarina Chagas, Revista TV Escola)
     Que a televisão está em todos os lares é indiscutível. Que a maior parte da população tem acesso aos canais abertos é inegável. Que as crianças chegam à escola com uma história de telespectadoras é fato.

     Como nos diz Eugênio Bucci, em “De olho na televisão: a deseducação educativa”:

(..) a televisão praticamente monopoliza a apresentação da criança para o mundo (do consumo) e vice-versa. Ela  inicia o público infantil na socialização.

     Como essa mídia

(...) desempenha papel fundamental no processo de construção de identidade dos adolescentes e na formação de uma cultura que é assimilada por eles (Camila Menegaz),
penso que uma das atribuições da escola é fomentar junto aos alunos a criticidade sobre esse veículo, a fim de construir novos olhares sobre os produtos veiculados por ele.

     Ou seja, a televisão deve estar nas salas de aula, sim, como mais um texto para ser lido por todos, a fim de que se explicitem suas gramáticas e suas  influências sobre os telespectadores.

     Finalizo, trazendo a fala da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, divulgada em uma palestra (vídeo imperdível, indicado pelo Sérgio Lima, no Buzz!):  a necessidade e a urgência de termos contato com várias histórias. Uma história, única, pode causar sérios danos à identidade de um povo.

Histórias importam. Muitas histórias importam. Histórias têm sido usadas para expropriar e tornar maligno. Mas histórias podem também ser usadas para capacitar e humanizar. Histórias podem destruir a dignidade de um povo, mas histórias podem reparar essa dignidade perdida.
      Ampliando essa idéia, para aproximá-la  da mídia em estudo neste texto, penso que um dos problemas da televisão é que ela conta apenas uma história. Principalmente pela escassez de opções entre os canais abertos. Neste recanto do Brasil em que vivo, há, apenas,  três opções: Rede Globo, SBT e Rede TV!
 
     Portanto, a escola deve problematizar o monopólio dessa voz, trazendo outras histórias para os alunos.

     Mais uma vez a fala de  Chimamanda Ngozi Adichie:

 Quando nós rejeitamos uma única história, quando percebemos que nunca há apenas uma história, sobre nenhum lugar, nós reconquistamos um tipo de paraíso.

26 de julho de 2009

Som e fúria: uma felicidade clandestina!

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Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante. (Clarice Lispector)
     Muito especial a relação que estabelecemos com os livros… com alguns livros… puro êxtase, como nos diz Clarice Lispector, em Felicidade Clandestina (lê aqui!).

     Quando embarco numa história que me encanta, tenho dificuldade de terminar a leitura… A separação da obra é custosa, por isso, sempre, reservo algumas páginas para depois, a fim de prolongar a minha felicidade clandestina…

    Finalizar um livro é romper com a história, trair as personagens que nos acompanharam em determinado tempo… não te parece?

     Essa fruição só as obras de arte nos permitem… um filme, um romance, um conto, um poema, uma peça de teatro, uma pintura…

    … uma minissérie…

     Pois é! Experimentei esse prazer ao assistir a Som e Fúria, na rede Globo! Nas noites geladas da fronteira oeste do Rio Grande do Sul, havia Shakespeare, lindamente… e os bastidores das produções teatrais e os egos inflados dos famosos e as dificuldades financeiras das companhias… havia o drama shakespereano e a comédia e a ironia da vida real … puro deleite…

     Fernando Meireles adaptou o roteiro e dirigiu: uma referência nas artes!




     Imperdíveis o Romeu e a Julieta, feitos por Sarah (Débora Falabella) e Patrick  (Leonardo Miggiorin):




     Eu sei, audiência muito baixa…


16 de dezembro de 2008

Me (re)encantando com Capitu...

Ler Machado de Assis é sempre uma experiência estética prazerosa!

Um dos traços que mais me encanta é o diálogo permanente com o(a) leitor(a). Volta e meia ele nos chama para o texto. Além, é claro, da ironia; às vezes, sutil; às vezes, escancarada.

E como ele remexe a alma humana (revelando-lhe os porões), transformando-a em arte literária!

Ele, um menino descendente de escravos, mulato, provavelmente epilético, bastante tímido - um sobrevivente no Rio de Janeiro do século XIX!

E seu texto chega até nós, no século XXI, num bonito diálogo com imagens, na minissérie Capitu!

Que belezura! A poesia do texto e a poesia da imagem! Pura alquimia de Luiz Fernando Carvalho!

Vamos partilhar essa magia com nossos(as) alunos(as)?

Não perde a estratégia de divulgação da minissérie: Mil Casmurros!