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10 de fevereiro de 2016

'Bora tentar mais uma vez!

Há mais de um ano sem uma palavra aqui.

Parece que perdi a mão. :(

Será que vale a pena insistir?

Acho que a primeira voz que ouvi  sobre a vontade/necessidade de retornar aos nossos  blogues, em 2016,   foi a da Jenny.

E vieram outras vozes conhecidas.

Hoje a gota d'água: a Marli (sempre inspiradora!), comemora dez anos da Blogosfera Marli! Num texto instigante - Blog X Rede Social -, usou imagens bacanas:
O blog é como a casa da gente, onde você guarda suas coisas de forma organizada e recebe suas visitas que chegam sem tanta pressa de ir. A rede social é como a rua. Você transita por ela, cruza com um monte de gente, eventualmente cumprimenta alguém ou tem uma conversa rápida.
Resolvi tirar a poeira e ajeitar a casa pra receber as visitas! Tipo puxar um banco, conversar devagar...

*** *** *** *** ***

Seguindo a metáfora da Marli, nas minhas ruas surgem, sem avisar,  coisas inúteis... passo por elas correndo... sem saco! Muitas, excluo. Não sou obrigada, né?!

Por isso, nos últimos tempos, várias vezes pensei em desativar meu perfil no Facebook. Acabo ficando pela facilidade de acesso às atualizações dos blogues que sigo, dos jornais, das revistas, por causa  de pessoas com ideias bacanas, com quem aprendo muito, por causa da militância, numa tentativa de desconstruir o que a mídia oficiosa vem fazendo há tempos no Brasil. 

Fico, principalmente, por causa do grupo do Curso Normal - Elisa Valls. Tá, nem sempre conseguimos o que está  na descrição:
Este grupo é uma proposta do Curso Normal do Instituto Estadual de Educação Elisa Valls, de Uruguaiana-RS; uma forma de ampliar o diálogo entre (futuros/as) professores/as.
O que se pretende é muita interação, muita aprendizagem, muita partilha... por isso, fica à vontade, entra na conversa!
Em alguns momentos, o grupo se torna  um curso de artesanato, como se o trabalho com as crianças se limitasse a fazer bichinhos, flores e o escabau de sucata e eva.

E a conversa é escassa ali. A maioria se limita a visualizar as publicações e, às vezes, curtir mesmo sem lê-las. Sim, muitas vezes postei textos ou vídeos longos e, no minuto seguinte, havia uma curtida (o que me deixa sem saber o que significa curtir uma publicação... assunto pra outra hora!).

Acho que nem as alunas* nem as professoras* do Curso, ainda,   fazemos as provocações necessárias, não percebemos o potencial das redes online para mediar a aprendizagem.

Então, o que me prende ao FB é um grupo que não cumpre o seu propósito? É que tenho a esperança de conseguir, a partir dele, a interação, a aprendizagem compartilhada,  ampliando as conversas em outras redes online - blogues, youtube...

Essa esperança está se renovando hoje. Confesso que, nesse ano e tanto que não apareci no Ufa!, havia desistido.

Desistido de usar as tecnologias digitais como mediadoras da aprendizagem.

Mas eu preciso voltar, afinal, sou professora no século XXI. Mais: trabalho num curso de formação de professoras* que vão atuar com alunos nascidos no século XXI.

'Bora tentar mais uma vez!

*** *** *** *** ***

* Ao me referir às alunas e às professoras do curso, opto pelo uso do substantivos femininos, meus motivos óbvios, ou não?!



23 de fevereiro de 2013

Escola = domesticação?


Me explico: estudos recentes no campo de antropologia/ciência do conhecimento mostram que fora da escola funciona um saber (não domesticado por conveniências de controle ou por babaquices didáticas) que surge das necessidades de troca de informação para que as coisas aconteçam (trecho do texto TIC e Educação: onde as coisas mudam?, do professor Jarbas Novelino).
Tinha acabado de ler  esse texto do professor Jarbas,   quando ouvi o chamado da Tatiane para a conversa: Será que nosso erro é tentar didatizar a internet?

Comecei a escrever nos comentários do Mulher é desdobrável. Eu sou., mas me estendi... então, resolvi puxar um fio da conversa pra cá! 

Lá vai...

**** ****

O exemplo dos gibis que o professor usou me fez lembrar uma situação que vivenciei, com as meninas da Cia. Era uma vez (mediadoras de leitura). 

Primeiro dia letivo de uma turma de 2° ano. 

Nós, entusiasmadas com a oportunidade de contar histórias, nossa paixão. As crianças amorosas, ao nosso redor, com o brilho nos olhos à espera. Antes, de começarmos, a professora da turma, em tom ameaçador: “Prestem bem atenção, porque depois vamos trabalhar essa história na aula e eu não vou contá-la novamente pra vocês.” 

Ouvi um “Aaaaaaaaah”! E uma das crianças me pergunta aflita: “Tia, tia, qual é o título da história, qual é o autor?” Até as questões elas já antecipavam... no segundo ano. 

Minhas alunas me olharam imediatamente... não é bem isso que a gente propõe quando partilha literatura... 

Realmente, os professores tendem a domesticar não só a internet!

**** ****
As questões da Tati:
  • Por que há um estranhamento entre o jovem enquanto usuário das mídias digitais em sua vida pessoal e como discente?
  • Quais são as dificuldades apontadas pelos estudantes na mudança de paradigmas da escola? Quais são as suas resistências?
  • Que representações os jovens têm do uso das mídias digitais na escola?

Tudo chute, certo? 

Acho que há estranhamento justamente por causa da forma como as mídias digitais entram na escola – como diz o professor Jarbas - domesticadas. Esse estranhamento não acontece, somente, com as mídias digitais; se dá, também, com a literatura (só pra ficar na área em que atuo): tantas vezes ouvi: "Professora, quando eu era pequena adorava ler historinhas; agora,  detesto ler!" Muitos jovens não leem literatura em função da maneira como as obras lhes são apresentadas: domesticadas.

A escola vai retirando de suas práticas, aos poucos, a ludicidade, a partilha, a criatividade... basta ver uma sala de educação infantil - mesas coletivas, almofadas, diversos materiais à disposição, livros, movimentação... 

E muitos de nós, professores e pais, consideramos essa etapa, apenas, como um tempo de brincar... A escola, aquela de verdade, começa no primeiro ano (ou, talvez, agora, com a nova estrutura de nove anos, no segundo): cada um na sua mesa, em fila, com seu material... 

Uma dificuldade fazer os pais entenderem que, embora o caderno do filho no terceiro ano, por exemplo, esteja sem muitas anotações, houve aula naquele dia, as crianças aprenderam mesmo sem ter copiado. 

Resumo: acho que os alunos (e os professores e os pais) resistem às mudanças, por causa desses modelos, que, além de arraigados, são “vendidos” como de sucesso. 

Nestes pagos, quando ouvimos: “Aquela escola é boa, bem puxada!”, significa que os alunos são submetidos ao ensino classificatório, baseado no copia e cola (do quadro, do livro, da web), na repetição, no individualismo, na nota da prova, na aprovação/reprovação...

**** ****
Por falar em modelos arraigados, uma das reflexões que perpassa as aulas do Ensino Médio Curso Normal: por que, quando assumem as turmas nos estágios, por exemplo, tendem a reproduzir o modelo de aula instrucionista que tanto repudiaram quando alunas? 

Por que foi esse o único modelo de aula que vivenciaram? porque é mais fácil e cômodo passar no quadro para as crianças copiar?  porque não há relação entre as teorias estudadas, ao longo do curso, e as práticas? ou...

**** ****
Me coloco no grupo de "educadores bem intencionados, mas ignorantes no campo das comunicações", em busca "usos mais eficazes das novas mídias" (professor Jarbas).

Algumas boas intenções  - jornal da escola,  blog do curso,  revista sobre literatura infantil -, experiências em que os alunos  exercem a autoria e, acho, contribuem, de certa forma, para uma  representação mais dialógica das mídias digitais. São  tentativas de fugir das "babaquices didáticas"! Só que muito didáticas! :P Afinal, uma das "minhas" disciplinas é didática da linguagem! ;)

De verdade, como as alunas são futuras professoras, pelo menos, gostaria que as ideias de colaboração e de autoria mediadas pela web fossem internalizadas a partir dessas práticas. 

**** ****
Sim, Tati, penso que nosso erro é didatizar, não só a internet!

Detalhe: acho que  estamos usando didatizar e domesticar como sinônimos de práticas repetitivas, em que o aluno fica, apenas, como recebedor, né?

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Pergunta honesta: Como inserir as mídias digitais nas práticas pedagógicas sem usá-las de forma didática?

Continuamos conversando...

**** ****
Atualização:

A Miriam puxou mais um fio: Um registo de conversa virtual.

Meu destaque:
Acredito mesmo que temos mais é que dar a maior força e apoio aos professores que se arriscam a começar a usar as TICs, mesmo que ainda não tenham chegado no que se considera ideal. Porque pelo menos estão buscando novas formas de ensinar!

27 de novembro de 2012

Sobre livros e mediadores de leitura


biblioteca_basica

Educar para crescer é um projeto do Grupo Abril que, entre as ações, está um portal sobre educação.

Nele, volta e meia, aparecem testes  simpáticos do tipo Qual personagem de Monteiro Lobato você é? 

Pois é, sou o Visconde!

Ou Que poesia infantil combina mais com você?

Combino com a  poesia bem-humorada, por exemplo,
O médico é o monstro? 
O médico nunca me disse:
– Sorvete. Tome sorvete.
– Picolé, três vezes por dia.
Doutor é contra a alegria.
Adora remédio, adora injeção!
Doutor, ora, Doutor...
O certo é Dou-dor, isso sim,
por que não? (Cláudio Thebas)
Sim, eu corro para responder e me descobrir! ;)

Mas não é sobre testes  que quero falar...

Faz um tempão que tive acesso à Biblioteca Básica - o que ler dos 2 aos 18 anos para ter uma ótima formação e chegar com boas referências à vida adulta - (sub-título de respeito esse, né?!) divulgada no site.

Comecei a passear pelas sugestões feitas  por 18 educadores...  204 obras, distribuídas mês a mês  a partir dos dois anos.

Quer dizer, nenhum absurdo ou tarefa irrealizável... um livro por mês, um objetivo fácil de se alcançar. Ou não?

De acordo com Regina Scarpa - especialista em educação infantil-, uma criança, aos dois anos, deve ler:


As indicações são muito bacanas. Não li todas essas obras ainda, mas os autores garantem a qualidade dos textos!

Passeando pelas idades e pelas sugestões, não há reparos a fazer!

No entanto, me ponho a pensar: se o acesso às obras - se não as do site, outras de qualidade também - está cada vez mais fácil, pois o MEC envia bons acervos às escolas, o que falta, então, para que os livros cheguem aos alunos?

Observo, por exemplo, que, aproximadamente, até o quinto ano os professores   leem junto com os alunos.  Depois, a gurizada fica meio abandonada, sem referências de leitura/leitores.

Então, por que somos parceiros de leitura dos alunos, apenas, nos anos iniciais?

Por que, nas aulas de língua portuguesa, do sexto ao nono ano, quando a disciplina literatura não está, ainda, institucionalizada,  insistimos em levar fragmentos de obras - reproduzidos em xerox ou os que aparecem em livros didáticos -  como se  bastassem? 

E solicitamos que os alunos façam,  em geral,  a interpretação  a partir de questões, digamos, óbvias, em que  devolvem o texto simplesmente, sem buscar as entrelinhas? E o pior, para que os alunos analisem a que classes gramaticais pertencem as palavras de um poema? Assim, só para classificar, como se isso fosse a tal gramática contextualizada (?!).

E no ensino médio, largamos os alunos em Cinco minutos e A viuvinha, de Alencar... 

Poucos, muito poucos conseguem encarar essas obras e tantas outras - lindas! - sem a mediação do professor ou de um leitor mais experiente.

É bom que nós, professores de língua e literatura, nos lembremos, com Bartolomeu Campos de Queirós, que
A literatura (arte) não é servil. Ela só existe em liberdade, e seu compromisso é para com a revelação. Para tanto persegue a beleza. Daí, todas as vezes que a escola lança mão da literatura, quer transformá-la em "instrumento pedagógico", mesmo cortando as asas do leitor para um voo amplo, desmedido, desfronteirado. A escola reduz as funções maiores do texto literário e o transforma em objeto de convergência, sem escrúpulo. Se o texto é usado para saber aonde o autor quis chegar, é melhor pegar o telefone e perguntar ao escritor. Se ele souber, ele responderá e não haverá desperdício de tempo
Que tal, então, fazer rodas de leitura com os alunos? Transformar esses momentos em diálogo a partir dos textos, intermediados pelas vivências, pelos sonhos, pelas culturas que passeiam nas salas de aula?




15 de outubro de 2012

A educação precisa de perguntas!

(Página do álbum "Meu primeiro ano de vida!",
 preenchida com capricho por minha mãe.)

Eu queria escrever isso e aquilo sobre o dia dos professores...

Quem sabe dizer que sou professora (e da rede pública estadual!) por opção; poderia ter sido arquiteta - primeiro curso em que pensei ainda no início do segundo grau (era assim, na época!) ou jornalista - faculdade que comecei (e adorava!), mas abandonei, logo no terceiro ou quarto semestre para dar aulas de língua e literatura.

Como assim? Pois é, talvez seja o vaticínio de meus pais... A imagem no início do texto comprova! ;)

A quem interessa essa historinha água com açúcar? Se a pauta do momento passa pelas (más) condições de trabalho? pelo pouco investimento do Estado? pelo baixo salário? pelos alunos desinteressados? pelos professores despreparados e desvalorizados? e por todo o rosário de queixas que ouvimos diariamente ao ligar a tv ou abrir os jornais?

Só que, mesmo correndo  o risco de ser tida como alienada, procuro o caos que é alardeado, e o que vejo? Muitos professores, de diferentes partes do Brasil, que sonham e lutam com/por uma educação pública de qualidade, por um mundo mais justo! Que fazem, como nos ensina Paulo Freire,
A escola em que se pensa, em que se cria, em que se fala, em que se adivinha, a escola que apaixonadamente diz sim à vida.
Acho que muito mais do que respostas, a educação necessita de perguntas, de problematização, de pesquisa.

Além disso,  quando se diz que a educação necessita de respostas, é necessário clarear: quem dá as respostas? por que responde? como responde?  com que intenções?

Desde 1985, quando tive minha primeira turma – uma 5ª série numa escola da rede particular - até hoje, tenho encontrado gente entusiasmada, comprometida, criativa... 

Problemas? Sim, como em todos os setores.

Mas que nos desafiam e nos movimentam!

De novo (e sempre!) Paulo Freire:
Ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira às quatro horas da tarde. Ninguém nasce educador ou é marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma como educador permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática.
Se concordamos com Paulo, não devemos permanecer nas avaliações pontuais e fatalistas dizendo que a escola pública é uma desordem! 

Ou devemos?



22 de fevereiro de 2012

Tá quase na hora!

Início de ano letivo dá frio na barriga. Sempre.

Ainda mais este em que vou trabalhar, apenas, com turmas novas... ( costumava acompanhar as turmas dos dois primeiros anos do curso!)

Ai, que medo!!

Ao mesmo tempo, adoro essas novas aproximações em que  vamos nos aprendendo.

Em 2012, há mais "coisas"  interessantes para acontecer.

Uma delas  é a possibilidade de sermos protagonistas (alunos e professores), repensarmos nossas práticas e colocarmos em ação a proposta pedagógica para o Ensino Médio Politécnico, Curso Normal e Educação Profissional Integrada ao Ensino Médio.

No ano passado, participei de alguns encontros que discutiram essa proposta: é um projeto que nos desestabiliza, nos retira da zona de conforto: entrar na sala de aula, dar o conteúdo, aplicar a prova, corrigir e devolver como nota...

Acho que é uma provocação para deixarmos de ser tão lecionadores  e nos tornar pesquisadores junto com os alunos, assumindo nosso papel de mediadores. (Em pleno no século XXI, com a informação ao alcance de todos,, não nos cabe mais, apenas,  repassar conteúdos e mais conteúdos, certo?!)

Usando palavras do professor Ladislau Dowbor (vale muito assistir ao vídeo que está linkado a seguir!):
Tudo vai acontecer, aos poucos, no modo aprender fazendo (as formações são importantes - óbvio! -, mas que venha a prática, a reflexão sobre ela,  a reelaboração da prática e assim por diante!!!).

Tá bem, isso  mexe com estruturas bastante cristalizadas, que ajudam a manter a  sociedade e tal e coisa. Por isso, ficamos tão inseguros. Mas nossa insegurança não pode nos imobilizar!

Dois vídeos para nos inspirar e nos colocar em movimento:

No primeiro,  fala de Rubem Alves, faço alguns destaques: 
Frequentemente os professores só tem que repetir o que já vem nas apostilas.

Um menino contou a Rubem Alves: Tenho uma professora que é demais, ela manda ler seus livros e grifar os encontros consonantais e os dígrafos.

O que o menino vai fazer com encontro consonantal, pra serve isso? Pra nada. E dígrafo pra que serve? Pra nada.

Era preciso que os professores parassem e dissessem: não vamos seguir os programas, vamos fazer as coisas que saõ essenciais no ambiente em que a criança vive.

Então, eu diria que os professores teriam que fazer sempre essa pergunta: isso que eu vou ensinar serve pra quê?


No segundo, fala da professora Lea Fagundes, também, faço destaques: 

 A gente tem uma educação resistente à mudança, porque os educadores e a educação se encarregam de preservar tudo o conhecimento humanidade produziu. Esse conhecimento tem que ser passado às novas gerações. Então, a escola sempre é um núcleo de resistência às mudanças das culturas.

A tecnologia digital amplia os sentidos do homem e melhora e corrige a percepção. Mas não é só isso: ela amplia a cognição.

Como a educação vai se apropriar dessa tecnologia e como vai entrar na cultura digital?

Por que não é botar computador na escola, nem rede, nem fazer atividades espcificas. É mudar a cultura da escola.

A cultura digital entra  quando mudam-se na escola os espaços, os tempos e os funcionamentos das salas de aula (...)




O que pensas sobre esses temas? Vem para o debate, deixa tua opinião nos comentários!

3 de janeiro de 2012

Memórias 2 - nov. - Cia. Era uma vez...

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                       (No  Dom Hermeto, brincando com  O Jogo da parlenda, de Heloísa Prieto)

Começava as aulas de língua e literatura, em geral, com um texto que me encantava e que desejava partilhar com os alunos.

A maioria se surpreendia: como assim contação de história, leitura de poemas no ensino médio?

E logo sucumbiam às tramas, às metáforas, se entregavam à obra...

Faz tempo, cultivava o desejo de reunir pessoas para serem, também, mediadoras de leitura...

Em novembro de 2011, aconteceu...

A história é a seguinte: uma aluna me procurou para "encomendar" uma contação sobre a água - tema do projeto em desenvolvimento na escola em que ela atua.

Lancei a ideia na turma 21 A.
 
A Sabrina - que sugeriu O homem da chuva- a Laísa (companheira de sonho desde o ano passado) e a Dallal se juntaram e pronto: surgiu a Cia. Era uma vez...

Nessas poucas semanas, já contamos histórias em vários lugares: no Espaço Mágico, no Moacyr, no Dom Hermeto, no Elisa, no Jonfa, na Praça do Barão (fotos abaixo)...


NA FEIRA DO LIVRO 03-12

Já chegaram, também, a Laura, a Fiama e a Clarissa!

Sonho se realizando!

Grupo se fortalecendo, com compromisso e alegria!!!




16 de dezembro de 2011

Gianni Rodari e o Homem da Chuva

 
Conhecia Gianni Rodari da Gramática da fantasia - obra que me inspira no trato com as coisas da língua, das linguagens, da arte, da criatividade, ingredientes que me acompanham nas andanças pelas salas de aula.

Acho que a li pela primeira vez nos anos oitenta, em plena atuação com alunos da quinta série. Me lembro que fiquei aliviada, pois buscava ideias que mexessem comigo e com as crianças: aquele livro era um caldeirão cheio de ideias!

Em 2010, em uma das caixas enviadas pelo MEC, (re) encontrei Rodari; agora, na literatura infantil, e me encantei mais ainda!
 
O Homem da Chuva me levou direto para um tempo em que morávamos pra fora e os dias de chuva, especialmente, os de temporal eram assustadores. E, para nos aquietar (minha irmã e eu) em casa, a mãe, a cada trovoada, repetia: "Papai do céu tá brabo!" Medo.

Ao contrário, o Homem da Chuva anda por aí, com suavidade e alegria, abrindo e fechando as torneirinhas do céu. Às vezes, dorme um pouco além e esquece das torneiras... aí já viram, né?! Uns reclamam que choveu muito; outros, que faz tempo que não cai uma gota...
Pobre de mim, quem sabe quanto tempo eu dormi!
A gente anda de nuvem em nuvem acompanhando do Homem da Chuva no seu trabalho...

E a Cia. Era uma vez… tem contado essa história lindamente!

15 de dezembro de 2011

Cia. Era uma vez e o Homem da Chuva

A Cia. Era uma vez… contou a história de Gianni Rodari para as crianças da Escola Municipal de Ensino Fundamental Moacyr Ramos Martins.

Fizemos o registro para aprender a nos ver e avaliar nosso desempenho.



Se deixares tua sugestão nos comentários, ficaremos muito felizes!

21 de novembro de 2011

Boas práticas digitais: GeoGebra



falei sobre o Plan Ceibal e o Projeto Santa Tecla e o quanto me encantam, pois concretizam a democratização do acesso à informação.

No Seminário em Livramento, me entusiasmei, também, com as possibilidades de uso do GeoGebra - software de que nunca tinha ouvido falar!  :(

Criado por Markus Hohenwarter, o GeoGebra é um software gratuito de matemática dinâmica que reúne recursos de geometria, álgebra e cálculo. Por um lado, o GeoGebra possui todas as ferramentas tradicionais de um software de geometria dinâmica: pontos, segmentos, retas e seções cônicas. Por outro lado, equações e coordenadas podem ser inseridas diretamente. Assim, o GeoGebra tem a vantagem didática de apresentar, ao mesmo tempo, duas representações diferentes de um mesmo objeto que interagem entre si: sua representação geométrica e sua representação algébrica.



Aqui as boas práticas apresentadas:
  • O professor Valton Severo Gonçalves, de Santana do Livramento,  expôs o trabalho Geometria analítica - GeoGebra, que pode ser acompanhado  neste blog.
  • A professora Angela Filappi, de Rosário do Sul, nos mostrou o projeto Construindo mosaicos no GeoGebra, que pode ser acessado aqui.

São possibilidades muito interessantes para a área da matemática e suas tecnologias. Inspirações! :)

Para saber mais sobre softwares matemáticos, clica aqui.

18 de novembro de 2011

Boas práticas digitais: Plan Ceibal e Projeto UCA - Santa Tecla

Nos dias 16 e 17, participei do Seminário Regional de Educação Boas Prática Digitais, organizado pelas Coordenadorias de Educação de Livramento, Uruguaiana e São Borja.

Nesses dois dias, convivi com gente entusiasmada, corajosa, criativa!

E o melhor: gente que trabalha na rede pública estadual e reflete, no brilho dos olhos, a alegria da aprendizagem mediada pelas mídias digitais.

No evento, Ana Cláudia Figueroa - Diretora de Logística e Suprimento da SEDUC-SE - nos provocou:
o mundo vive uma revolução em que há a alteração de um sistema de linguagem, de produção do conhecimento que transforma as relações sociais.
 Ou seja, estamos imersos numa cultura digital e isso implica ir
 Aos poucos, vou trazer para o Ufa! alguns trabalhos apresentados no encontro.

*** *** *** *** ***

Começo com dois projetos semelhantes  que me entusiasmam e encantam: um no Uruguai, outro no Brasil (Bagé - RS):

PrimeiroPlan CEIBAL, apresentado pelos professores Marcelo Cuadro, Cristina Rodrígues, Iháscara Acosta

Meus destaques:
  • CEIBAL é a sigla de Conectividade Educativa Informática Básica para El Aprendizagem em Línea 
  • A ideia central do projeto "Que sejamos todos iguais perante a vida, não somente perante a lei".
El Plan Ceibal busca promover la inclusión digital, con el fin de disminuir la brecha digital tanto respecto a otros países, como entre los ciudadanos de Uruguay, de manera de posibilitar un mayor y mejor acceso a la educación y a la cultura.
  • "Os computadores são usados pelas famílias, fazemos oficinas com os pais para acessar contas de luz, aprender a fazer simulações, saber os gastos..."
Además del niño, quienes más usan la XO en el hogar son, en primer lugar, los hermanos mayores y en segundo lugar, las madres. Los principales usos a nivel familiar son buscar información general, buscar materiales para el liceo, y, por supuesto, entretenimiento. Una de cada 10 familias respondió que “buscar información sobre salud” es uno de los 3 principales usos que se realizan con la XO en el hogar.




SegundoProjeto UCA e Santa Tecla desenvolvido pelo NTE - Bagé e equipe, coordenado por Maria Cristina Pereira
  • Blog da Escola Municipal de Ensino Fundamental Profª Reny Collares em que são postadas as atividades desenvolvida no projeto UCA

*** *** *** *** **

Agradeço à Cledenir, coordenadora do NTE da 10ª CRE, pela oportunidade de apresentar um pouco do que desenvolvemos no curso normal do Elisa!


6 de novembro de 2011

Compartilhando o Conecta 2011



     No ano passado fiquei encantada com a ideia do professor Wilson Azevedo: reunir pessoas no Google Docs para compartilhar o 3º Encontro sobre os Laptops na Educação/OLPC.

      Como foi feito?

(...) foi um trabalho realizado a várias mãos. Wilson Azevedo foi o organizador e um dos co-autores. Cybele Meyer, Denise Vilardo, Lilian Starobinas, Maria de Fátima Franco e Miriam Salles foram co-autoras voluntárias ou através do Twitter ou diretamente redigindo e complementando o texto. Em comum todos possuem uma característica: participam do grupo de discussão “Blogs Educativos”.
     Dessa forma, pude acessar os debates e conhecer o projeto Ceibal, por exemplo, desenvolvido no Uruguai.

     Neste ano, de novo, o professor (em Natal - RN) coordenou um grupo de pessoas que participou do Conecta 2011 (no RJ) e espalhou as informações do seminário para todos nós (especialmente, longe demais das capitais). O documento pode ser acessado aqui.

      Alguns pontos considerados no evento:
  • Tecnologia é um meio e não um fim para a educação;
  • Tecnologia potencializa o que existe, seja bom ou seja ruim;
  • Metodologias de ensino devem estruturar o uso de tecnologia na educação e não ao contrário;
  • Não se trata de fazer o “velho” (práticas tradicionais) com o “novo” (tecnologias), o objetivo é fazer o “novo” (práticas inovadoras) com o “novo” (tecnologias);
  • Aprendizagem não se restringe ao espaço e tempo escolares, ocorre em qualquer tempo ou lugar;
  • Professores estão em níveis diferenciados de “intimidade” com as tecnologias;
  • A aceitação das tecnologias é facilitada quando encontra aderência às necessidades e interesses do sujeito. 

     A atitude colaborativa desse coletivo mostra como fazer o "novo" com o "novo"!

      Muito obrigada Wilson e grupo!



3 de novembro de 2011

The Wall, também, me "inspirou"?


We don't need no education
We dont need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teachers leave them kids alone
Hey! Teachers! Leave these kids alone! 
Como sempre, fazendo duas ou três coisas ao mesmo tempo: preparando uma contação, refletindo sobre o papel do professor - eixo que pretendo abordar com os alunos do curso normal no projeto Com educação não se brinca... ouvindo música...

E a rádio tocou Hey you: voltei a 1980, quando cursava Comunicação Social, na Unisinos.

Nunca havia pensado, mas, quem sabe, The Wall e, em especial, Another brick in the wall, tenha influenciado minha vinda para o magistério...

Talvez me sentisse como aquele menino - Pink - sufocado, também, pelo sistema educacional...

Talvez Roger Waters, juntamente com minhas primeiras leituras de Paulo Freire - Educação como prática da liberdade, Pedagogia do Oprimido - e a Luíza, tenham me impulsionado a sonhar uma escola libertadora...

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Saí em busca de outros olhares sobre The Wall, encontrei textos muito interessantes, que nos auxiliam  na reflexão sobre as práticas, o papel do professor, as concepções de educação..
(...) a questão da dominação simbólica, especialmente a violência simbólica vinculada à Educação. Tem como aporte teórico os estudos do filósofo francês Pierre Bourdieu (1994, 1998 e 2007). A proposta de análise refere-se à constante presença da violência no ambiente escolar, principalmente quando esta acontece de forma velada e com interesses específicos da classe dominante, caracterizando-se como violência simbólica. Com o objetivo de contribuir com o estudo, apresentamos um trecho do filme Pink Floyd The Wall, quando este envolve uma situação escolar.

(...) que tipo de conhecimentos, conteúdos devem ser ensinados pelos professores, a fim de que seus alunos possam tirar um melhor proveito dos mesmos conhecimentos para suas vidas? O que leva certos professores a serem tão autoritários e repressores em sala de aula? Quais são os medos que os conduzem a terem tal conduta? Uma revolta no estilo anarquista, como apresentado nos pensamentos de Pink em “The Wall”, seria a melhor forma de se tratar os problemas referentes ao sistema educativo de tipo repressor, ou a razão, através de diálogos e argumentações, talvez pudesse conduzir a uma forma de consenso sobre os melhores métodos educativos possíveis? Qual é o papel dos alunos nessa discussão? Até que ponto os professores devem deixar os alunos interferirem em tais questões sem que com isso acabem sendo repressores, controladores dos pensamentos dos alunos?
cena em que se ouve a música Another Brick in the Wall, clássica por fazer uma crítica ao sistema educacional britânico, em que os alunos são formados para se tornarem úteis em sua sociedade, sufocando qualquer possibilidade de expressão, sem uma identidade, como se passassem por uma linha de montagem, na qual fossem triturados em um moedor de carne, transformando-se em uma massa, para se tornarem homogêneos. Nessa cena, os alunos são considerados metaforicamente como “mais um tijolo no muro”. As escolas estariam, então, sufocando a criação em favor da utilidade.


14 de agosto de 2011

É nóis!

Jornal do Professor

        A página inicial dos computadores da escola é o Portal do MEC.

        Na sexta-feira (12/08), ao abrirmos os pcs, lá estava a matéria sobre nosso trabalho!

        As alunas muito felizes por se enxergarem na foto e no texto.

        Sabe aquela ideia de que é por aí mesmo... o esforço vale a pena!

        Uma delas, surpresa, me olhou:

        - Nossa, faz 25 anos que a senhora é professora??? Nem parece!

        - Como assim?

        - É que a senhora está sempre procurando coisas novas e não tem jeito de quem já está há tanto tempo no magistério... em geral, depois de anos, os professores só pensam em se aposentar!

        Esse comentário, assim, espontâneo, vale muito! :)

        Primeiro, por que é um olhar de uma aluna que está no chão da escola, partilhando aprendizagens comigo e com os colegas, no dia a dia.

        Segundo, por que é uma aluna do Curso Normal, futura professora. E, talvez, o movimento que a gente constrói nas aulas  a inspire nas práticas, assim como o jeito de ser professora da Luiza  me impulsiona até hoje!

25 de fevereiro de 2011

Minhocas que antecedem o ano letivo…

minhocas280

Algumas coisas que eu ouvi hoje me fizeram lembrar de Quem quer ser um milionário!

Não, eu não sou uma especialista em cinema. Apenas gosto de boas histórias, um vício que me acompanha na literatura, na propaganda, nas rodas de conversa, na música…

Assisti ao filme, somente, em janeiro de 2011, dois anos de atraso! Quase sempre torço a cara para os que ganham Oscar; preconceito! :(

Gostei do que vi. A narrativa me pegou de jeito e, também, um dos temas que perpassa o filme: a questão da aprendizagem, da construção do conhecimento. Como está no blog Educadores Urbanos:

Este é um foco interessante para refletirmos os processos de ensino e aprendizagem com professores, alunos e comunidade escolar. Como as pessoas aprendem? Onde elas aprendem? O que aprendem? Com quem ou com o quê aprendem? Qual tipo de saber é valorizado pela sociedade? Esse saber pode ser transformado em conhecimento? Logicamente que estas perguntas servem de alicerce para um reflexão sobre Educação numa visão mais ampla, aquela que não faz uso somente da “Pedagogia Escolar” mas aquela que agrega ao trabalho da Escola a ”Pedagogia Social”.

Penso que, às vezes, nós, professores, nos levamos a sério demais, nos damos ares de donos da verdade, do conhecimento. Apenas os meus conteúdos (olhem que não estou falando em aprendizagem!) têm valor! Se o aluno não souber tal e tal item na hora da prova, não pode avançar! E que alguém ouse me questionar!

Trago para cá palavras da professora Fátima Franco, em entrevista ao blog Conversa de Português, quando menciona o filme como exemplo de aprendizagem informal transformada em conhecimento:

Estudar não é um ato que exige um aparato especial, como foi há tempos atrás. Podemos aprender sobre várias coisas, em diferentes lugares, usando o computador, o celular, ouvindo uma música, assistindo TV e nos livros, claro. A informação está presente em diferentes espaços, em diferentes tecnologias.Cabe a nós, educadores, ensinar a nosso aluno como transformar estas informações em conhecimento.

Como temos desempenhado esse papel social?

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Aqui, o filme sob a visão de alguém que viveu na Índia! Vale a pena ler!

14 de dezembro de 2010

Aulas em escola da Fase

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(capa do livro de poemas, criado pelos alunos em 2002)

 

     Em 2000, fiz concurso para a rede estadual, passei com uma boa classificação, o que me permitiu escolher onde trabalhar.

    No turno da tarde, optei, puro idealismo, pela escola recém implantada na Fase.

     Foram quatro anos de muita aprendizagem.

     O mundo que a gente só conhece pela televisão e pelo jornal me desafiava todos os dias.

     As turmas eram de, no máximo, dez adolescentes. Acostumada com trinta, trinta e cinco alunos em cada sala de aula, pensava que seria muito fácil.

     No primeiro dia, as grades se fechando às minhas costas me perturbaram, não o suficiente para me fazer desistir.

     Alguns cuidados: não levar nada para a sala de aula além dos dez lápis, das dez canetas, das dez borrachas e os dez cadernos se tornaram rotina. Qualquer objeto é um estoque (arma) em potencial.

     A cada encontro, a mesma resistência: “Tô legal de aula, dona!” E  se negavam a realizar qualquer atividade…

     Na concepção desses jovens, a obrigação de frequentar a escola era humilhante. O sonho deles era estar na Modulada (penitenciária estadual), pois estudariam se quisessem, não por imposição do Estado.

    Nada disso me intimidava, preparava as aulas com dedicação, ouvia cada história atentamente e, aos poucos, fui pegando o jeito de me relacionar com os meninos.

     E uma ponte  se criou entre nós a partir da literatura –  que eu apresentei para eles - e do rap – que eles me apresentaram!

     Líamos muito: poemas de amor, os preferidos! Os guris copiavam os versos nos cadernos, se apropriavam de Drummond, de Vinícius, de Camões… Certa vez, um dos livros voltou mordido; literalmente, devoravam poesia! Sem falar nas folhas, volta e meia, arrancadas e nas obras que sumiam entre os pertences nos dormitórios.

     E ouvíamos rap: Racionais,   Rappin Hood, Ferréz…

    Então, começaram a escrever poemas! e raps! que se transformaram num livro com direito à sessão de autógrafos na feira  da cidade!

     Por que lembrei de tudo isso hoje? Ao ler uma entrevista do futuro secretário da educação no governo Tarso Genro, José Clóvis de Azevedo, em que refere

Muitas crianças não confiam na escola, outras nem sabem no que a escola pode ajudá-las. Não há, na casa delas, qualquer tipo de debate sobre o que é a escola, sobre a importância de educar. Além disso, costumamos avaliar as crianças pelo seu desempenho na matemática ou português. E uma pessoa não é só isso, uma pessoa é um conjunto de sensibilidades dos mais variados tipos. É sensibilidade linguística, lógico-matemática, histórico-social, artística…

     Ali, naquela escola da Fase,  além de curtir rap, comecei a entender-vivenciar o que lia na Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire,

Como educador preciso de ir “lendo” cada vez melhor a leitura do mundo que os grupos populares com quem trabalho fazem de seu contexto imediato e do maior de que o seu é parte. O que quero dizer é o seguinte: não posso de maneira alguma, nas minhas relações político-pedagógicas com os grupos populares, desconsiderar seu saber de experiência feito, sua própria presença no mundo. E isso vem explicitado ou sugerido ou escondido no que chamo “leitura do mundo” que precede sempre a “leitura da palavra.

     Penso que foi um tempo de transformações nas minhas práticas!

24 de abril de 2010

Sim, Paulo é contemporâneo!

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“Eu gostaria de ser lembrado como alguém que amou o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida”. (Depoimento dado a Edney Silvestre, em NY, abril de 1997, publicado em seu livro Os Contestadores... e transcrito no livro de Paulo Freire, Pedagogia da Intolerância,  organizado e apresentado por Ana Maria Araújo Freire.)
Assisti ao documentário Paulo Freire Contemporâneo, realizado por Toni Venturi…

O filme nos guia num lindo e emocionante passeio pela vida, pela obra, pelo legado de Paulo Freire!

E nos faz reafirmar: sim, Paulo é contemporâneo!

Ainda hoje se buscam caminhos na educação para superar “o sentimento de A sobre B, de um professor que transmite uma educação bancária a alguém que recebe” (Marcos Guerra, professor/advogado).

No filme, um belo resgate dos círculos de cultura com relatos de educadores(as) e de educand@s:

“Aprendi a ler no colo de meu pai. Isso me fascina”, nos diz a senhora que acompanhava, quando menina, o pai nos círculos.

Sebastião Vassão, pescador:  “… porque a pessoa que não sabe ler, praticamente ele é cego.”

Ou, a fala de Marisa Pereira, doméstica: “Fiquei até emocionada,  quando eu vi o Ministério. Aí, olhei assim, aprendi a ler, para mim era uma emoção”.

E a gente vê, nas palavras e nos olhos dessas pessoas, a esperança! a alegria!

Essa é uma das  revoluções de Paulo Freire: o oprimido sai da invisibilidade imposta pela cultura dominante, e vem para o palco da história (Moacir Gadotti).

E há, nos dias que correm, os que questionam as políticas afirmativas, por exemplo, como se fossem ações discriminadoras… na verdade,  ações de justiça social.

Paulo Freire é contemporâneo, sim!

Gadotti refere os quatro pilares da educação  para o  século XXI propostos pela UNESCO e presentes na pedagogia freireana:
  • aprender a aprender;
  • aprender a conviver;
  • aprender a fazer;
  • aprender a ser.
A eles, Paulo acrescentaria: aprender por quê? a favor de quê? contra quê? – a dimensão política, a necessidade de desvelar as relações de poder subjacentes às ações.

Paulo Freire é contemporâneo, sim!

Nos coloca a necessidade de ensinar as crianças, os jovens, os adultos a construir um estilo de vida sustentável – um dos  grandes temas do século XXI!

Ver, ouvir  (ler) Paulo é fortalecer a esperança, indispensável à vida e à prática pedagógica! Sacia nossa “sede de saber” ou alimenta nossa “fome de cabeça”, como diziam em Angicos! Nos faz sonhar sonhos possíveis!

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Para ler: Reinventando Paulo Freire na escola do século XXI, texto de Moacir Gadotti.

19 de fevereiro de 2010

Há formação continuada?

TREINAMENTO PARA PROFESSORES

Retornando, aos poucos…

As aulas no Curso de Especialização Tecnologias em Educação (PUC – Rio/MEC) reiniciaram em 03/02: debates, reflexões…

Estão em andamento duas oficinas “Recursos e Pesquisa na Web” e “O professor e a prática pedagógica com integração das mídias”.

Especialmente a segunda tem me provocado, pois toca numa das grandes vulnerabilidades da educação no Brasil: a formação continuada dos professores!

Pergunto: a formação acadêmica, nos cursos de licenciatura, tem possibilitado o uso das mídias na perspectiva da autoria, do trabalho colaborativo? Ou, ainda, as aulas nos cursos de graduação são instrucionistas¹?

O que isso tem a ver?  Penso que construímos nossos modelos de aula estudando as teorias do conhecimento, é claro, mas, e principalmente, observando nossos mestres!

Sim, podemos nos transformar, estamos aprendendo sempre, mas tudo fica mais difícil, se a faculdade não investe em comportamentos inovadores!

Os alunos terminam a graduação - professores, coordenadores, gestores - com o modelo tradicional de aula internalizado…

Ah, mas tem a formação continuada, permanente… A partir dela, aos poucos, dá para rever as práticas e transformá-las, a fim de buscar a construção do conhecimento…

E aí mais um problema: não há espaço/tempo para formação continuada!

Parece que os sistemas públicos de educação entendem o adjetivo *continuada* como um ou dois encontros durante o ano letivo para decidir sobre festividades na escola! Pelo menos, é isso que vivencio…

Acho importantes os cursos fomentados pelo MEC, por exemplo. Percebo, porém, um  limite: em geral,  formam professores para multiplicar nas escolas. Mas, onde estão os espaços/tempos para essa  multiplicação???

Penso que a formação continuada  deveria ser garantida nas escolas, com os gestores, a coordenação a supervisão, os professores refletindo sobre as práticas, partilhando boas ações…

Enquanto isso, na vida real, cada professor dá sua aula e ninguém tem nada com isso. Não há troca, não há projeto…

Como inserir o uso das mídias num contexto assim? Se sabemos da necessidade de um ambiente de aprendizagem que implica

um processo de investigação, representação, reflexão, descoberta e construção do conhecimento, no qual as mídias a utilizar são selecionadas segundo os objetivos da atividade. (…) caso o professor não conheça as características, potencialidades e limitações das tecnologias e mídias, ele poderá desperdiçar a oportunidade de favorecer um desenvolvimento mais poderoso do aluno.

(…)

Para que o professor possa desenvolver tais competências é preciso que ele esteja engajado em programas de formação, participando de comunidades de aprendizagem e de produção de conhecimento.²

Um dos papéis fundamentais dos gestores é  garantir esses ambientes de aprendizagem!

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1. Expressão usada pelo professor Pedro Demo, no texto “Dissecando a aula”; disponível aqui!

2. Trecho do texto “Prática pedagógica e formação de professores com projetos: articulação entre conhecimento, tecnologias e mídias”, de Maria Elisabette Prado; disponível aqui!

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  • Na Revista Nova Escola, de outubro de 2008, há um bom material sobre formação de professores, em que destaco a reportagem “Não basta só tapar buracos”; disponível aqui!
  • No site Salto para o Futuro, há uma entrevista muito interessante com Vani Kenski, professora doutora da Faculdade de Educação da USP e diretora da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) - “Tecnologias digitais na educação”; disponível aqui!

22 de novembro de 2009

Um olhar sobre psicanálise e educação

655C32_1 (… mais   algumas reflexões instigadas pelo curso de Especialização Tecnologias em Educação (PUCRJ/MEC), de que participo como aluna desde setembro…)


Trabalhei  numa escola pública estadual pautada na pedagogia freireana. Ali, nas  formações semanais, garantidas pelo Projeto Político Pedagógico, e nas práticas cotidianas, aprendi a olhar de forma mais amorosa, mais rigorosa, mais humanizada, mais solidária, para os educandos e as educandas.

Lendo o referencial teórico proposto na unidade 5, da disciplina Concepções de Aprendizagem, revi, sob a ótica da psicanálise, muitas ações desenvolvidas nessa escola.

Uma das principais contribuições de Freud, e que  Paulo Freire reafirma, é “a necessidade de se ter um olhar individualizado para nossos alunos”. Em busca desse olhar, a escola a que referi realizava (realiza) um movimento muito interessante de conhecimento da realidade: professores e alunos saíam (saem) para a comunidade a fim de interagir com as famílias. Outra atividade fundamental era (é) a escrita da autobiografia: cada educando conta um pouco de suas vivências... Isso nos permitia entender melhor cada aluno e tentar, a partir daí, buscar estratégias para a superação de limites.

Penso que essas são algumas possibilidades de experienciar o que Freud propôs: “reconhecer a individualidade constitucional da criança (no caso da escola em que atuei, dos adolescentes); discernir, a partir de pequenos indícios, o que está se passando na mente ainda imatura dela e dar-lhe a quantidade exata de amor e ao mesmo tempo manter um grau eficaz de autoridade”.

Outra questão que gostaria de trazer para cá, por ser fundamental nas relações de ensino-aprendizagem, é o papel do professor: modelo de identificação “e de quem o aprendente cria uma idealização de dono do saber”.

Muito importante que os professores não se perpetuem nesse papel (donos do saber) e abram espaços para que o “aprendiz legitime, re-signifique criticamente, por si mesmo, o que lhe é ensinado”.

Essencial, também, que desempenhemos a função de maternagem, preparando os “alunos para construir o seu conhecimento e entender melhor o mundo”, e a função paterna “dando (aos alunos) os limites necessários”.

Inquestionável o papel do educador: “um dos modelos significativos que ajudam o ser humano a constituir seu eu”! Não é fácil, bem sei...

Para que se consiga minimamente desempenhar esse papel é necessário um refletir constante sobre as práticas. Ainda há muitos professores que apenas dão conteúdos e mais conteúdos, e ignoram a dimensão social, a dimensão afetiva em suas relações com os alunos.

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Observação: os trechos entre aspas são da professora Maria Apparecida Mamede-Neves, das aulas  da disciplina Concepções de Aprendizagem.


20 de outubro de 2009

Relato de um insight

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Meu filho tem 10 anos e é leitor! Há três anos mais ou menos tinha guardado na estante “Dom Quixote das crianças”, de Monteiro Lobato (uma edição linda em quadrinhos!), mas nunca se interessara pela obra...

De uns tempos para cá, lê vorazmente HQ... e descobriu o livro de Lobato. E me surpreendeu:

- Mãe, eu me identifico muito com Dom Quixote! disse alegremente.

- Como assim, filho?! levei o maior susto…

- Eu também adoro brincar com a imaginação... e por isso tem gente que me acha meio doido!

Ao ler a teoria dos gestaltistas sobre o modo de aprender,  um dos temas da disciplina Concepções de Aprendizagem, do curso de Especialização Tecnologias em Educação,  me lembrei desse episódio que vivenciamos há alguns meses, que evidencia a idéia de que
“... o modo de aprender é totalmente ligado à percepção das relações que existam no que estamos aprendendo e das relações que estabelecemos com o que já temos construído, ou seja, nossa experiência.” (texto de Maria Apparecida Mamede-Neves)
Meu filho relacionou a história de vida daquela personagem da ficção com a experiência pessoal dele (menino de 10 anos)... Entendeu a chave da história de Cervantes recontada por Lobato e vibrou com isso. Revelou na sua fala a alegria de encontrar alguém parecido com ele – criativo e incompreendido: estava resolvido seu problema.Teve um insight!


4 de outubro de 2009

Pensando em voz alta…

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Uma das minhas inquietações como professora, talvez a principal, é fazer com que as aulas sejam instigantes. Como sempre repito: adoro por minhocas na cabeça dos alunos e ter minhocas na minha cabeça! E uso a imagem da minhoca como sinal de terra fértil, de vida, de possibilidade de germinação, de transformação... Não é fácil...

Quando li, no texto “Falando de aprendizagem”, de Maria Aparecida Mamede-Neves: “ (...) a aprendizagem pressupõe que o sujeito dê um passo além da mera aquisição da informação, incorporando e manipulando os instrumentos de indagação. Nesse sentido, aprender é, muito mais, poder indagar”, me indaguei: nas aulas, sou transmissora de informações ou uma professora que auxilia os alunos para transformar informação em conhecimento???

Um dos complicadores, no meu ponto de vista, talvez, sejam os modelos de aula que tenho (temos) internalizados. Sou de um tempo em que aluno bom era aluno quieto. Esse processo de emudecimento dos alunos ainda está presente em algumas salas de aula... Tempo em que professor bom era aquele que passava muita matéria no quadro... ainda vejo (vemos?) essa prática em muitas salas de aula...

Um dos maiores desafios para nós, professores, especialmente, de língua portuguesa: devolver a palavra aos alunos, tanto na modalidade escrita quanto na falada... fazer com que cada um descubra o que tem a dizer e diga! Fazer com que cada um se sinta dono da língua portuguesa e não tenha medo de usá-la nos diferentes contextos (infelizmente, se ouve muito: professora, eu não sei português!)...

E aqui as ideias da professora Maria Aparecida Mamede-Neves, em outro texto “Ainda falando de motivação”, caem como uma luva : “(...) o trabalho do professor é ajudar a construção do envolvimento pessoal de seus alunos”. Entendendo-se envolvimento pessoal como “pouca frustração e expectativa positiva de êxito”.

(reflexões a partir das leituras do referencial teórico das aulas da unidade 2 – Motivação e ato de aprender, da disciplina Concepções de Aprendizagem, do Curso de Especialização Tecnologias em Educação)
Publiquei este texto, originalmente,  nO Normal tá na rede!