Ando pelos corredores das escolas e vejo as mesmas salas de aula: o professor à frente, falando ou passando o conteúdo no quadro e os alunos enfileirados, ouvindo ou copiando...
Saio da escola e um mundo cheio de inovações, cheio de novas relações, se apresenta!
As tecnologias mudam nossas maneiras de interagir, de aprender! E uso como exemplo, simples, corriqueiro até!, uma habilidade que devo desenvolver em meus alunos, pois professora de língua portuguesa: a escrita.
Não necessitamos mais planejar antecipadamente o que escrever. Podemos, com o apoio dos editores de texto, ir construindo o escrito, copiando, colando, recortando... A angústia do papel ou da tela em branco diminui... Assim, ensinar a escrever não pode ser do mesmo jeito que há vinte anos, quando iniciei!
(Re) lendo as teorias da aprendizagem, enxergo muitas contribuições interessantes trazidas pelos estudiosos há bastante tempo e, ainda, pouco exploradas pelos educadores no século XXI!
Um dos resgates mais urgentes é o papel do professor como mediador! Freud e Vygotsky enfatizaram que “a aprendizagem se realiza pela apreensão indireta da realidade”. Os mediadores “passam para nós algo que já é deles, tais como conhecimentos, modos de viver, jeito de ser, etc. que deverão ser ressignificados por nós a partir do que eles nos deixaram”.
Com (ou sem) as novas tecnologias, a postura do professor deve mudar: de mero repassador de conteúdo a parceiro na construção do conhecimento, buscando desenvolver a autoria dos alunos no processo de aprendizagem.
Pois, aprender “pressupõe que o sujeito dê um passo além da mera aquisição da informação, incorporando e manipulando os instrumentos de indagação”. E a ideia que mais nos desafia: “aprender é poder indagar”!
Quais as informações necessárias? Onde encontrá-las? São confiáveis? O que fazer com elas? Para que preciso delas? Quem as veiculou? Por quê?
Questões que precisam permear o cotidiano das escolas. Essa atitude investigativa, indagadora é uma das habilidades que deve ser construída nos alunos... porque inseridos num mundo com tecnologias ao alcance da mão.
A parceria entre professor e aluno na construção do conhecimento, referida anteriormente, implica a “necessidade de buscar meios de compreender o que se passa na sala de aula, os procedimentos das crianças, as concepções que elas têm, para ter condições de planejar e propor problemas ou desafios adequados e pertinentes.”
E aqui dá para fazer uma relação com o alerta que Freud nos fez: não há métodos pedagógicos que “sejam uniformemente bons para qualquer criança”; ou seja, é imprescindível “um olhar individualizado para nossos alunos”, a fim de valorizar as habilidades já desenvolvidas e auxiliar na superação dos limites... E como as individualidades enriquecem o grupo!
Usar novas tecnologias na educação só tem sentido se o professor entender que o aluno, para aprender, precisa participar ativamente do próprio aprendizado, “mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estímulo à dúvida e o desenvolvimento do raciocínio”, como nos legou o construtivismo.
Penso que o paradigma imposto pela web 2.0 - construção coletiva do conhecimento - é o ponto chave das nossas reflexões ( e das nossas resistências!).
É muito interessante: o mundo virtual - com o estigma da impessoalidade, do anonimato - aproximando as pessoas para trabalhos colaborativos! E essas atitudes respingam no mundo real: nas relações de sala de aula, não há espaço para a postura de alguém que domina o conteúdo e que faz dos outros, apenas, receptores desse "saber"...
O uso das TIC, na educação, talvez, seja um bom mote para a escola se reinventar, se transformar num espaço de colaboração, de construção... e não, apenas, de reprodução, como tem acontecido ao longo dos séculos!
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Observação: os trechos entre aspas são da professora Maria Apparecida Mamede-Neves, das aulas da disciplina Concepções de Aprendizagem, no curso de especialização Tecnologias em Educação.