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13 de julho de 2009

Outro conto que me encanta!

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Como o autor me permitiu, eis outro texto produzido pelo Marco… (Postei aqui Sexo na sacristia, que, também, vale muito a pena ler!).

Gosto muito dessas experiências literárias bissextas!!!

SINA

Sessenta anos depois eu vou contar o caso.

Sinamara. Minha sina. Acabou não sendo. Cabelos loiros cortados rentes. Rúbia, como diria minha vó. Roupa descuidada, sem brincos, seios pequenos ou apequenados pela blusa. Dúbia, como diria meu pai.

Não sabia quem era a moça. Nem se era moça (Naquele tempo tinha disso. Hoje também tem).

Duvidei das cartas do Tarô. Erro grosseiro.

Depois que se passam sessenta anos você vê as coisas com clareza. Aí você diz enxergar. Que era verde. Mas os marcianos e algumas cobras também são verdes e se relacionam ou pelo menos não se negam à essa proposição . Cada qual a seu modo. Não gostaria de me relacionar da mesma maneira dos marcianos. Nem das cobras. Mas seria simples: minha maneira.

O que pensar. Ela não percebera que o elevador estava fora do lugar. E esse tipo de coisa acontecia com frequência. O que me deixa culpado foi o fato de ter recebido uma carta três dias depois da sua morte, na qual ela declarava todo seu desespero por nunca ter conseguido sequer me chamar a atenção.
Marco Antônio
Porto Alegre, 06 de agosto de 1992.

20 de fevereiro de 2009

Um conto que me encanta!

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Sempre pensei que o texto que nos encanta deve ser partilhado! Por isso, hoje, estou dividindo com vocês uma “arte” do meu companheiraço, Marco Antonio!

Quando morávamos em Porto Alegre, ele participou de uma oficina literária e produziu algumas histórias. Depois, foi abduzido pela medicina legal… Uma pena!!!


SEXO NA SACRISTIA

Quinze de janeiro. Catorze horas, sol quente. A cidade almoçou e agora dorme. Mas nem toda cidade dorme após o almoço. O carro azul marinho deslizou pela rua deserta, devagar, parecia querer parar frente à igreja. Resolveu dar mais uma volta na quadra. Uma única janela da casa paroquial estava aberta, as cortinas cobrindo quase todo o espaço.

Automóvel parado em frente à igreja, embaixo de uma árvore que o protege do sol e das pessoas. Abre-se a porta do carro. A mulher elegante desce. Lenço na cabeça, óculos escuros, passadas em compasso. 

Campainha tocando, coração batendo. A única janela aberta se fecha. A porta se abre, a mulher entra. Foi envolvida pelo frescor dos lugares protegidos. Cabeça baixa. Seus olhos erguem-se lentamente temendo encontrar o que lhes espera. Dois olhos negros, brilhantes e ansiosos a fazem estremecer. Dois braços exaltados pelo desejo a imobilizam e uma boca lhe queima a boca. Mãos ávidas vão-lhe subindo o vestido e descendo a resistência. Chocam-se contra a parede. Deslizam. Batem no chão. Superfície dura. Frio nas costas. Contato com a realidade. Está ao lado da igreja. Duro, rijo, entre suas coxas. Está dentro dela. Os movimentos seguem a cadência e a candência do desejo. Tornam-se cada vez mais acelerados. Celerados. Gemidos. Pedidos de mais. Ela sussurra demais. O desejo é contagioso, insuportável. Atinge-os quase ao mesmo tempo. O mundo se despedaçando. Rolam escada de dois degraus. Estão num nível inferior. Ofegantes. Sensação de quê? Ele se movimenta bruscamente. Está sem camisa, as calças pelos joelhos, de sapatos. Ela, imóvel, sem lenço, óculos quebrados próximos à cabeça, vestido levantado. À mostra as belíssimas coxas douradas e o minúsculo recorte de pele branca deixado pelo biquíni.

Estão em pé. Olham-se e nada dizem. Ela pensa no marido. Ele na missa das vinte horas.

Automóvel azul marinho liga sem alarido na tarde que já mostra movimento.


Marco Antônio

Porto Alegre, 11 de setembro de 1992.