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8 de janeiro de 2014

"daytripper"

Me propus, nesses dias de férias, ler hq/graphic novel (ou a nomenclatura que for!).

Pura influência do Tomás! ;-)

Comecei com um livro que estava há um tempo na estante,  obra de Fábio Moon e Gabriel Bá, referências para nós - Tomás, Marco e eu -, especialmente depois da 14ª Jornada Nacional de Literatura, em que tivemos a oportunidade de conversar com eles.

daytripper.

O  prefácio (em quadrinhos!), de Craig Thompson, antecipa: "é uma reflexão sobre a efemeridade da vida".

E lá fui eu em busca dos motivos que fazem os olhos do Tomás brilharem quando fala sobre hq!

E encontrei! Sabe aquela obra que dá vontade de ficar (re) lendo?!


Nada de heróis, um cara comum -  Brás - que escrevia obituários  para um jornal me sensibilizou!  

(É coincidência? ou há um fio que liga ao Brás Cubas, de Machado?)

Nos dez capítulos, como se fossem crônicas, a partir dos silêncios, das reflexões e das relações (com o cachorro, com o pai, com a mãe, com o amigo, com a mulher...), entramos em contato com diferentes momentos  do personagem e temos a
"(...) sensação de que a vida está acontecendo aqui, bem à nossa frente, e a estamos vivendo. 
E como vivemos. 
E às vezes morremos para provar que vivemos" (posfácio dos autores). 


*** *** *** *** *** ***
Para ler mais:

Resenha de Bruno Alves 

Vídeo resenha - Leio Eu TV

14 de outubro de 2013

É preciso "virar o olho"!

O que é mais ilusório: o conto do gato de botas ou o anúncio da Doriana? Aquela família do anúncio existe? (Regina Machado)
Desde que foi criada a Plataforma do Letramento, tenho andado por lá.
(...) um espaço para a reflexão, formação, disseminação e produção de conhecimento sobre o letramento.
Há muito material bacana:
(...) estão disponíveis textos, artigos, matérias, entrevistas, propostas de atividades, referências de práticas em conteúdos multimídia, como vídeos, podcasts, infográficos interativos etc., que darão suporte ao trabalho e aos estudos sobre letramento. O ambiente promoverá, em seus canais de participação, discussões, debates e oficinas online gratuitas e de acesso livre para educadores, gestores, pesquisadores e demais profissionais, que buscam, a partir do âmbito de ação de cada um, apoiar as ações de formulação, planejamento, sistematização e troca de conhecimento.
Dias desses houve uma conversa online com Regina Machado, quando foram abordados alguns temas interessantes como 
a cultura de tradição oral, a relação dessa cultura com a literatura e as artes, o papel do professor como contador de estórias e a polêmica questão da adaptação das narrativas às questões politicamente corretas.



Dessa conversa faço alguns destaques.

Por que as histórias nos fascinam?
  • A história é uma substância humana de sabedoria e conhecimento que foi feita e desenhada em tempos imemoriais para todos os seres humanos, para conversar com as coisas fundamentais da vida. 
  • As histórias tradicionais são importantes, porque são feitas de propósito para ligar a gente com as coisas importantes da vida, com as imagens que levam a gente aos lugares mais fundamentais da gente mesmo e, principalmente, com as perguntas mais fundamentais.
A relação entre as histórias e os contadores:
  • efeito que as histórias  fazem em primeiro lugar na minha pessoa. (...)  observei, muitas vezes, algumas coisa se revirando dentro de mim na hora em que estava lendo ou escutando uma história boa.
  • Essas histórias têm um efeito sobre a humanidade da gente. 
  • ... quando um educador vai contar uma história seja tradicional seja um conto de autor o mais importante é se posicionar e contextualizar, saber de onde isso vem.
  • É importante contextualizar, conversar com a obra e descobrir o que ela diz para mim.
  • Cada pessoa precisa encontrar a sua relação com aquela obra, mas, para isso, é importante contextualizar. Se não percebo a diferença entre um conto popular brasileiro e um conto de Guimarães Rosa, como vou me relacionar, onde vou colocar minha experiência de escuta dessas obras.
  • A gente, como educador, tem que perguntar o tempo todo. (...) ir para onde a curiosidade leva. 
Literatura e contos de tradição oral - arte da palavra:
  • A arte da palavra tanto faz se é conto de tradição oral, literatura contemporânea...
  • ... faz com que as pessoas se conversem nos lugares profundos delas mesmas.
  • Tolkien: imaginem uma árvore azul ou desenhem uma árvore azul, todo mundo pode fazer isso. Escrever um texto onde uma árvore azul seja acreditável, isso é a arte da fantasia.
  •  ... criar um discurso, um encadeamento de palavras que tenha o dom do encantamento, faça que as pessoas escutem, leiam ou escrevam e parem para refletir para ver o efeito que aquilo fez dentro delas, isso é a arte da palavra.
  • O símbolo é uma coisa que todos compreendem. Um conto tradicional compartilhado numa comunidade é algo que aquela comunidade compreende.
Sobre "virar o olho":
  • É como as crianças brincam, como as crianças se entendem, como a gente também, como o poeta faz.
  • ... um jeito divertido,  instigante...
  • .... quando a criança brinca com dois saleiros como se fossem reis conversando, ela está de olho virado. Quer dizer, ela está olhando com outro jeito, com o olhar da fantasia, da imaginação, da transformação, o olhar da história. E se  fosse possível que esse saleiro fosse uma princesa? pergunta imaginativa  essencial que move o ser humano na direção do conhecimento. 
  • ...é um recurso para que o ser humano entre em contato com as possibilidades, com aquilo que não é, mas pode ser... 
Regina fala de um jeito poético sobre a arte da palavra, sobre contação de história, sobre imaginação, sobre aprendizagem...

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Outros textos de Regina Machado:

6 de outubro de 2013

Piquenique literário virtual



Este é o nosso sexto Piquenique Literário Virtual!! Que legal ver as pessoas queridas super afinadas com a leitura, dedicando um pouquinho do seu tempo do final de semana para uma leitura gostosa, buscando unir os amigos em torno desse afeto tão especial. Para quem ainda está chegando e vai participar pela primeira vez, a ideia é reunir as pessoas e os livros, seja real ou virtualmente. Para que essa reunião seja divertida de verdade, todo mundo que puder e quiser participar do encontro deverá fazer um momento bacana de leitura durante o final de semana. Se a criançada estiver por perto, melhor. Mas se não houver crianças, vale leitura de gente grande, de gente adolescente, de gente de todas as idades. Mas tem que ser leitura da ordem do "frui" (para usar Rubem Alves), ou seja, uma leitura para ser apenas desfrutada, daquelas “sem serventia”, só prazer!! Vale pipoca, chimarrão, bolinho de chuva, cafezinho, pinhão, chazinho. Só tem uma regra: tem que ser divertido (e literário, é claro)!! Quem quiser registrar o momento para depois compartilhar aqui na página do evento, será legal!! Pode ser registro fotográfico e também (ou então) um breve relato contando qual foi a leitura que fez, porque assim já compartilhamos ideias literárias também. Não precisa ser a leitura de um livro inteiro, pode ser de um conto ou um poema. E quem estiver muito ocupado com tarefas ou leituras da ordem do "uti", pode apenas fazer uma pausa para relaxar, ler um poema e mandar boas energias literárias para o universo. Nós acolheremos!! Mas tem que compartilhar para a gente poder receber mais de pertinho a energia, ficar com vontade de trocar livros e ideias. Quem ficou com vontade, bota o dedo aqui!!
Amo essa ideia da Léla Mayer! E como veio o convite, pus o dedo ali!

E estou compartilhando aqui algumas leituras com alma  piqueniqueira!!!

1.

Na semana passada, apresentei para o Tomás  e para @s alun@s  minha mais recente paixão - Rosalva, uma moça com "mãos de fada".


Já nas primeiras linhas, Sisto nos encanta:
"Naquela praia, onde o mar risca e rabisca a areia com seus desenhos inimitáveis, vive Rosalva-mãos-de-fada."
E assim entre desenhos, bordados, rendas, ondas,  vai se desenrolando a vida de Rosalva, que carregava  a pureza e a inocência no nome.

Até que esses fios se  entrelaçam com  Rolante:
"Tu me ensinas a fazer renda, que eu te ensino a namorar!"
Feito o trato, vieram os encontros e a vida de Rosalva  ficou cheia de graça!

E o amado caixeiro-viajante andava para lá e para cá cumprindo seu ofício...

Até que os dias começaram "a amarelar a renda guardada nos baús, protegida por bolotas de naftalina."

A poesia dessa obra, revelada no texto de Celso Sisto e  na ilustração de André Neves, nos emociona e nos põe  pensar em nossos próprios tecidos...

2.

E outro dia, O carteiro chegou com uma bolsa cheia de cartas, cartões, catálogo de loja...


Um livro muito bacana, em que Janet e Allan Ahlberg brincam com vários contos de fada.

O Carteiro da comarca, muito camarada e apreciador de chá, vai distribuindo a correspondência: uma carta da Cachinhos Dourados para a família Urso; outra, dos advogados da Chapeuzinho e dos Três Porquinhos para  o Lobo Mau; mais uma, de um editor pedindo autorização para Cinderela e o Príncipe Encantado para a publicação de um livro com a história de amor do casal... 

Há, também, o catálogo de propaganda do Empório da Bruxaria que a Bruxa Malvada recebe; o cartão postal enviado por Joãozinho (pé de feijão) para o Gigante.

E olhem só que fofo o texto do cartão  que a Chapeuzinho envia  felicitando a amiga Cachinhos pelo aniversário de oito anos:
Quem me dera ter agora
um cavalo de vento,
para dar um galopinho
onde está meu pensamento.
Cada correspondência vem num envelope que abrimos para ler!

Me encantei!

Até o próximo Piquenique!

Boas leituras!!!


29 de setembro de 2013

Remix: filme, livro e texto do Tomás

Parte 1: o filme

O filme de hoje foi "Bravura indômita", na versão de 1969.

O dos irmãos Cohen é um dos favoritos do Tomás e do Marco.

Eu também gosto (dos dois) - a estética dos filmes de mocinho remetem à infância, quando havia cinemas, sim, no plural, em Uruguaiana. As matinês nos domingos eram sagradas.

Cultivamos do jeito que dá nossa paixão por filmes - em geral, em casa; quando possível, em cinemas.

*** *** *** *** ***

Parte 2: o livro

A temática dos ritos de passagem nos agrada! ;-) 

Um livro que circulou entre nós três - Marco, Tomás e eu - foi  "As vantagens de ser invisível".

É claro, assistimos ao filme também. 

Ah! Adoramos a trilha!

Não, não escolhemos qual o melhor - filme ou livro... obras com linguagens diferentes, né?!

*** *** *** *** ***

Parte 3: o texto do Tomás

Numa manhã, o Tomás chegou da escola muito entusiasmado, falando sobre uma história que estava escrevendo...

Há  tempos isso não acontecia... a escrita para a escola (para a professora ler), aos poucos, foi se tornando, apenas, tarefa a ser cumprida.

O texto, que alegrava meu filho adolescente,  era em forma de cartas - isso me fisgou. Mais ainda, a personagem central - uma menina que escrevia para a mãe contando as aventuras por que passava para vingar o assassinato do pai.

Ali estavam marcas explícitas de Bravura indômita - no tema - e do romance de Stephen Chbosky - na forma (cartas) -,  duas obras que o sensibilizaram.

Gosto disso, de ver a intertextualidade se realizando criativamente, com autoria.

Quer dizer, a construção de um texto sempre envolve outros textos, mas somente juntar textos não basta. É preciso olhar para eles, percebendo  algo diferente, ligando-os de forma inovadora.

É isso: sejamos antropófagos, sejamos hackers!


10 de agosto de 2013

"Sete camundongos cegos"


Como assim "Sete camundongos cegos"?

O título me perturbou! 

Muito mais do que uma história que ensina sobre as cores ou os dias da semana: uma bela metáfora sobre como pode acontecer a aprendizagem.

Nós, leitores, vemos desde o início que a "Coisa estranha perto da lagoa"  se trata de um elefante... 

Qual é a graça, então? 

Ah, ficamos com vontade de saber como os camundongos irão resolver a questão!

Passado o susto da descoberta (o medo do desconhecido), começam as investigações.

E cada um, ao se aproximar da Coisa,  "vê" algo diferente que o outro não percebera, compartilha a novidade com o grupo...   o que gera conflito...

Os camundongos refletem sobre cada resposta encontrada até chegar a uma conclusão e, juntos, vão confirmar a descoberta!

E o número de camundongos - sete - corrobora, pois é  
considerado um número mágico. É um número místico por excelência. Indica o processo de passagem do conhecido para o desconhecido (para saber mais).
Na quarta capa, a informação de que a história contada por Ed Young, baseia-se na fábula "Os cegos e o elefante" (aqui o texto de Malba Tahan).

E o melhor de tudo: 
Esta obra faz parte do acervo formado por vários títulos distribuídos às escolas públicas pelo Ministério da Educação por meio do Programa Nacional do Livro Didático para Alfabetização na Idade Certa. (Basta clicar aqui para ter acesso aos catálogos com os títulos que estão nas escolas!)


30 de julho de 2013

MQ

O Trágico Dilema
Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro.


30 de julho.

Nascimento do poeta.

E, hoje de manhã, (re) líamos, na biblioteca do Curso de Aplicação, "Lili inventa o mundo".

E lembrávamos da "Velha História".





5 de maio de 2013

Meu universo de leitora: uma sondagem

Ler é dialogar? - É. Ler é duvidar? - É. Ler é entender o significado das coisas e, por isso, entender o outro? - É! Ler é se transformar por meio do sentido que a palavra produz? - É. Então ler um bom livro é sempre garantir a mudança: nós nunca seremos os mesmos depois de terminada a leitura. Terminada no papel e continuada na vida! (Celso Sisto)

Uma das obras na minha cabeceira é "Textos e pretextos sobre a arte de contar histórias", de Celso Sisto.

Volta e meia, abro e leio e releio. Um texto delicioso.

Nas páginas 28 e 29,  Sisto propõe "uma sondagem do nosso universo leitor, baseado nos direitos imprescritíveis do leitor, inventados pelo escritor Daniel Pennac".

Bueno, aqui vai minha sondagem:

1. Livros com que exerci meu direito de não ler: do Paulo Coelho. Tá bem, li "O alquimista".

2. Não lembro de ter pulado páginas nas leituras de textos literários. Já nos  teóricos, pulo a toda hora!

3. Nunca terminei de ler "Em busca do tempo perdido" (Proust). Ganhei do Marco a obra em 1991 (lembro bem!). Andei uns dias abraçada aos livros - o contado mais íntimo que tive com eles. Dias depois dessa apropriação física, comecei a ler "Nos caminhos de Swann". Não consegui dar conta, sentia uma angústia, uma falta de ar...

Ah, e tem "Grande sertão: veredas", numa edição linda, dos 50 anos da obra,  que está guardada, à espera... "Nonada".

4. Releio contos: do Machado de Assis, do Rubem Fonseca, do Dalton Trevisan: adoro os temas; os jeitos, às vezes, irônicos; às vezes, cruéis; sempre, surpreendentes.  Releio "O continente - volume I", do Erico Verissimo, questão de identidade. Releio "Quatro negros", do Luís Augusto Fischer, a Janéti me emociona.

5. Outras coisas que leio? De tudo um pouco.

Os filmes (são textos também, né?!) andam taco a taco com a literatura. 

Tenho lido, muito mesmo,  artigos em livros, em revistas, na web sobre  ensino de literatura infantil, didática da linguagem (especialmente,  questões sobre a aprendizagem de ortografia - minha nova paixão) e uso de tecnologias na educação.

6. Meu direito ao bovarismo - "doença textualmente transmissível"! - aparece em Ana Terra, pretendo ter a coragem dela; em Judas, quando percebo que a vida é isso: um tanto obscura; em Janéti, queria ter a mesma obsessão pela família; em Ismália, divido a fantasia do suicídio (tão linda a imagem!).

7. Lugares em que gosto (ou gostava) de ler: antes, o ônibus, quando percorria um trajeto longo até a escola. Agora, para/com meus alunos: ou literatura infantil ou poesia ou contos.

8. Adoro economizar livro! Quase sempre, abandono por um tempo o livro antes que acabe, não gosto de me separar assim bruscamente das personagens, das tramas, dos ambientes... inicio a leitura de outra obra... então, retomo a anterior e termino. Quer dizer, quase nunca estou sozinha. ;)

9. Para ler em voz alta em qualquer lugar e em qualquer horário: "I-Juca-pirama", "Navio Negreiro", "Soneto de fidelidade" e alguns contos da obra "Capitu sou eu", de Dalton Trevisan - "De olhinho fechado", por exemplo.

10. A obra que mais trabalha dentro de mim: "Judas , o obscuro", escrevi sobre isso neste texto.

*** *** *** *** *** ***

Desafio: que tal fazeres a sondagem de teu universo leitor?

*** *** *** *** *** ***

Escrevi também:



2 de janeiro de 2013

Machado com hiperlinks


Há tempos pensei em pedir ajuda aos alunos do Curso Normal para inserir links para as referências que aparecem na obra Abrindo caminho, de Ana Maria Machado.

Montei um projeto¹ que foi apresentado à disciplina Oficina Projeto Pedagógico Usando Texto, Imagem e Som, do Curso de Especialização Tecnologias em Educação - CCEAD - PUC-Rio.

Dois anos depois, nada... :(

Lembrei desse trabalho ao abrir uma indicação no twitter da Fundação Casa de Rui Barbosa: Romances e contos em hipertextos:

Neste site, onde se pretende disponibilizar todos os romances e contos de Machado de Assis com links para as referências neles identificadas (...).
(...) o leitor poderá não apenas desfrutar o romance ou o conto em si, mas também achar, nas notas em forma de links, explicações sobre todas as citações e alusões do texto: tanto as de natureza simbólica (autores, obras de arte, personagens, fatos históricos referidos por Machado de Assis), como as menções a lugares e instituições não-ficcionais (bairros e ruas da cidade do Rio de Janeiro, lojas, teatros, cafés que as personagens machadianas frequentam).
Algumas obras já estão editadas - Ressurreição , A mão e a luva, Helena, Iaiá Garcia, Memórias póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro, Esaú e Jacó, Memorial de Aires e Contos fluminenses.

Outras virão.

Uma delícia passear pelo texto de Machado e encontrar referências que ajudam a ampliar os sentidos da leitura.

*** *** *** *** *** *** *** *** ***

1. "Abrindo caminho" - texto que publiquei em 2010, em que comento o projeto mencionado acima


26 de dezembro de 2012

Personagens inesquecíveis



Acho que a provocação é de 2010...

Mas recém topei com ela e resolvi brincar...

É o seguinte: no site da Biblioteca de São Paulo, há o  desafio:
(…) não deixe de nos dizer quais os personagens da literatura que moram na sua memória afetiva.
Assim, rapidamente, me lembrei de...
Ana sentia-se animada, com vontade de viver. Sabia que por piores que fossem as coisas que estavam por vir, não podiam ser tão horríveis como as que já tinha sofrido. Esse pensamento dava-lhe uma grande coragem. Ali deitada no chão a olhar para as estrelas, ela se sentia agora tomada por uma resignação que chegava quase a ser indiferença. Tinha dentro de si uma espécie de vazio: sabia que nunca mais teria vontade de rir nem de chorar. Queria viver, isso queria, e em grande parte por causa de Pedrinho, que afinal de contas não tinha pedido a ninguém para vir ao mundo. Mas queria viver também de raiva, de birra. A sorte andava sempre virada contra ela. Pois Ana estava agora decidida a contrariar o destino.
- Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta.
Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar só. E, pensando bem, ele não era homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos outros. Vermelho, queimado, tinha os olhos azuis, a barba e os cabelos ruivos; mas como vivia em terra alheia, cuidava de
animais alheios, descobria-se, encolhia-se na presença dos brancos e julgava-se cabra. Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos, alguém tivesse percebido a frase imprudente. Corrigiu-a, murmurando: - Você é um bicho, Fabiano.
Isto para ele era motivo de orgulho. Sim senhor, um bicho, capaz de vencer dificuldades.
 – Deve cada um seguir cegamente o caminho em que se acha, sem considerar seus dotes pessoais, ou deve, pelo contrário, pesar as aptidões, as preferências que possa ter, e mudar a direção de sua vida? Foi o que tentei fazer e fracassei. Mas não admito que o meu fracasso valha como prova de que estava errado, do mesmo modo como não admitiria que o sucesso justificasse o bem-fundado do meu ponto de vista. E é assim, entretanto, que, muitas vezes, julgamos os esforços, não pelo seu valor essencial, mas pelo seu resultado acidental. Se me tivesse tornado um desses doutores vestidos de vermelho e preto que estamos vendo descer, ali, todos diriam: “Vejam como este homem agiu sabiamente, seguindo o pendor de sua natureza!” Mas, não tendo acabado melhor do que comecei, dizem: “Vejam como este homem agiu estupidamente, seguindo um capricho de sua imaginação!” No entanto, foi minha pobreza e não minha vontade quem determinou a minha derrota.
Eu olho pra Janéti, que me sorri (...) um sorriso de quem coloca a alma no rosto, nada a esconder, toda a intensidade viva nas linhas da cara (...). Ela me contou orgulhosa que hoje em dia é ela que sustenta o pai e a mãe (...).
(...) Lutamos dez anos pra que, Sargento? Pra tornar a ser escravos? (...) Lutamos porque nos prometeram a liberdade. E agora querem nos mandar pra Corte. (...) Sargento, entramos nesta guerra porque seríamos livres quando ela terminasse. (...) Todos mentiram. Os republicanos mentiram. Enquanto precisavam da gente pra guerra falavam em liberdade, igualdade, fraternidade. Quando a guerra terminou nos entregaram para os imperiais.  (...) Sargento, quem foi que um dia me disse: Milonga, vosmecê não vai ser mais um negro ignorante que nem eu, que só sabe matar pra se sentir livre. Quando a guerra acabar vosmecê vai estudar, vai aprender a pensar, vai entrar na política, vai ser advogado. Isto (ergue o que resta do braço direito decepado) foi tudo que eu ganhei, Sargento.
Capitu era Capitu, isto é, uma criatura mui particular, mais mulher do que eu era homem. (...) Era também mais curiosa. As curiosidades de Capitu dão para um capítulo. Eram de vária espécie, explicáveis e inexplicáveis, assim úteis como inúteis, umas graves, outras frívolas; gostava de saber tudo. No colégio, onde, desde os sete anos, aprendera a ler, escrever e contar, francês, doutrina e obras de agulha, não aprendeu, por exemplo, a fazer renda; por isso mesmo, quis que prima Justina lho ensinasse. Se não estudou latim com o Padre Cabral foi porque o padre, depois de lho propor gracejando, acabou dizendo que latim não era língua de meninas. Capitu confessou-me um dia que esta razão acendeu nela o desejo de o saber. (...)
Tudo era matéria às curiosidades de Capitu.
Durante seis meses, quando tinha quinze anos, Emma enxovalhou as mãos na sebenta poeira dos velhos gabinetes de leitura. Com Walter Scott, mais tarde, apaixonou-se por coisas históricas, sonhou com baús, salas de guardas e menestréis. Teria preferido viver nalgum velho solar, como aquelas castelãs de longos corpetes que, sob o trifólio das ogivas, passavam os dias com o cotovelo sobre a pedra e o queixo apoiado na mão, vendo aproximar-se, do fundo do campo, um cavaleiro com uma pluma branca a galope sobre um cavalo preto. Teve nesse tempo o culto de Maria Stuart e sentiu entusiástica veneração pelas mulheres ilustres ou desventuradas. Joana d'Arc, Heloísa, Inês Sorel, a bela Ferronnière e Clemência Isaura, para ela, destacavam-se como cometas sobre a tenebrosa imensidão da história, onde ainda sobressaíam, aqui e além, mas mais perdidos na sombra e sem qualquer relação entre si, São Luís com o seu carvalho, Bayard moribundo, algumas ferocidades de Luís XI, um pouco da matança de São Bartolomeu, o penacho do Bearnês e ainda a recordação dos pratos pintados onde Luís XIV era lisonjeado.
Bueno,  outro dia, continuo... conheci muitos personagens em obras de literatura infantil (esse adjetivo dá o que falar, né?!) que me encantaram...


*** *** *** *** ***
@Atualização@

Como tinha prometido, retomei essa ideia, desta vez, no Ufa! - drops

E estou ampliando a lista! ;-) 

É só seguir aqui!


27 de novembro de 2012

Sobre livros e mediadores de leitura


biblioteca_basica

Educar para crescer é um projeto do Grupo Abril que, entre as ações, está um portal sobre educação.

Nele, volta e meia, aparecem testes  simpáticos do tipo Qual personagem de Monteiro Lobato você é? 

Pois é, sou o Visconde!

Ou Que poesia infantil combina mais com você?

Combino com a  poesia bem-humorada, por exemplo,
O médico é o monstro? 
O médico nunca me disse:
– Sorvete. Tome sorvete.
– Picolé, três vezes por dia.
Doutor é contra a alegria.
Adora remédio, adora injeção!
Doutor, ora, Doutor...
O certo é Dou-dor, isso sim,
por que não? (Cláudio Thebas)
Sim, eu corro para responder e me descobrir! ;)

Mas não é sobre testes  que quero falar...

Faz um tempão que tive acesso à Biblioteca Básica - o que ler dos 2 aos 18 anos para ter uma ótima formação e chegar com boas referências à vida adulta - (sub-título de respeito esse, né?!) divulgada no site.

Comecei a passear pelas sugestões feitas  por 18 educadores...  204 obras, distribuídas mês a mês  a partir dos dois anos.

Quer dizer, nenhum absurdo ou tarefa irrealizável... um livro por mês, um objetivo fácil de se alcançar. Ou não?

De acordo com Regina Scarpa - especialista em educação infantil-, uma criança, aos dois anos, deve ler:


As indicações são muito bacanas. Não li todas essas obras ainda, mas os autores garantem a qualidade dos textos!

Passeando pelas idades e pelas sugestões, não há reparos a fazer!

No entanto, me ponho a pensar: se o acesso às obras - se não as do site, outras de qualidade também - está cada vez mais fácil, pois o MEC envia bons acervos às escolas, o que falta, então, para que os livros cheguem aos alunos?

Observo, por exemplo, que, aproximadamente, até o quinto ano os professores   leem junto com os alunos.  Depois, a gurizada fica meio abandonada, sem referências de leitura/leitores.

Então, por que somos parceiros de leitura dos alunos, apenas, nos anos iniciais?

Por que, nas aulas de língua portuguesa, do sexto ao nono ano, quando a disciplina literatura não está, ainda, institucionalizada,  insistimos em levar fragmentos de obras - reproduzidos em xerox ou os que aparecem em livros didáticos -  como se  bastassem? 

E solicitamos que os alunos façam,  em geral,  a interpretação  a partir de questões, digamos, óbvias, em que  devolvem o texto simplesmente, sem buscar as entrelinhas? E o pior, para que os alunos analisem a que classes gramaticais pertencem as palavras de um poema? Assim, só para classificar, como se isso fosse a tal gramática contextualizada (?!).

E no ensino médio, largamos os alunos em Cinco minutos e A viuvinha, de Alencar... 

Poucos, muito poucos conseguem encarar essas obras e tantas outras - lindas! - sem a mediação do professor ou de um leitor mais experiente.

É bom que nós, professores de língua e literatura, nos lembremos, com Bartolomeu Campos de Queirós, que
A literatura (arte) não é servil. Ela só existe em liberdade, e seu compromisso é para com a revelação. Para tanto persegue a beleza. Daí, todas as vezes que a escola lança mão da literatura, quer transformá-la em "instrumento pedagógico", mesmo cortando as asas do leitor para um voo amplo, desmedido, desfronteirado. A escola reduz as funções maiores do texto literário e o transforma em objeto de convergência, sem escrúpulo. Se o texto é usado para saber aonde o autor quis chegar, é melhor pegar o telefone e perguntar ao escritor. Se ele souber, ele responderá e não haverá desperdício de tempo
Que tal, então, fazer rodas de leitura com os alunos? Transformar esses momentos em diálogo a partir dos textos, intermediados pelas vivências, pelos sonhos, pelas culturas que passeiam nas salas de aula?




5 de agosto de 2012

Clube de Leitura

Na época da Páscoa, anotei algumas ações que gostaria de desenvolver com @s alun@s...

A Cia. Era uma vez...  firme e forte, nuns rumos diferentes,  direcionada à poesia.

O Primeiro Sarau já aconteceu - a professora Rosane Gelati foi indispensável! Temos planejado o segundo para setembro!

Graças à parceria da professora Noeli (vice-diretora do turno da manhã e coordenadora do curso de aplicação), a biblioteca do curso de aplicação e do curso normal  começa a surgir... quem sabe em outubro esteja funcionando...

O Clube de Leitura realizou encontros bem bacanas... mas, talvez, o frio das noites de junho e julho nos tenha feito dar uma parada...

Hoje, conversando com a Bruna Nunes - aluna da 21 A, lembrei de A redação no Enem 2012 - Guia do participante, lançado pelo MEC:

Nós já criamos nosso Clube... acho que podemos usar essas dicas para nos fortalecer... e, enquanto não temos livros à disposição, podemos ler contos...


Ah, e a revista online sobre literatura? Ainda não deu nenhum sinal! :(



28 de abril de 2012

Para aprender literatura

 
Dia desses, conversava com uma colega da disciplina de artes, muitos projetos interessantes... e sobre a necessidade do trabalho senão interdisciplinar (nunca sei direito o que é isso nem como fazê-lo!) pelo menos integrado entre duas ou mais disciplinas, visto que a grade curricular, cada vez mais fragmentada, destina, semanalmente, um período (mais ou menos cinquenta minutos) para artes,  dois para literatura, por exemplo.

Falávamos dessas  disciplinas pela proximidade do objeto de estudo de cada uma - as artes em geral, no primeiro caso e a arte da palavra, no segundo. E, por isso, a possibilidade (óbvia!) de integração entre elas.

Só que as coisas não são tão tranquilas assim nas nossas práticas pedagógicas...

Há que considerar a forma como a literatura é abordada nas escolas. Como os professores, em nome de um programa, elaborado há muito,  transformam o (des)encontro com o texto literário num emaranhado de datas, obras, autores, características de escolas literárias... listas e mais listas para serem decoradas...  Como a leitura do texto literário está ausente nas escolas...

Essas constatações me entristecem, pois acredito que estudar literatura é ler literatura. Ler para os alunos. Ler com os alunos. Ler.

A lembrança dessa conversa aí de cima, veio por causa do texto, de hoje, do professor Luis Augusto Fischer, Ensinar literatura, na coluna Pesqueiro (Caderno de Cultura, Zh - 28/04/12).

Ler o professor Fischer traz sempre a alegria de aprender. Sabe quando a gente pensa: putz, eu queria ter escrito isso. Pois, então, eu queria ser a autora do texto " Ensinar literatura"...

De qualquer forma, ler é também ser autor, né?! Nos tornamos parceiros dos autores, trazendo para o texto nossa história de leitura e de vida...

Então, eis minha autoria (meus destaques!) em relação à coluna do professor:
 Ensinar literatura não se reduz a apresentar os textos canônicos elegantes, nem apenas os que caem no vestibular, que no entanto são importantes, porque aí está a vida real dos formandos  do Ensino Médio.
(...) não é apenas ler com os alunos os textos, embora isso seja essencial ao longo das séries todas, do começo ao fim da vida escolar (e na universidade, pr que não?!), o professor é o leitor mais experiente que pode  e deve abrir as portas.
(...) não se opõe a ensinar português, nem a estudar e praticar redação.
O que fazer? Sigo com o professor Fischer:
Hora de estudar o português brasileiro na literatura brasileira, não à parte dela, e de incluir na literatura da escola as cada vez mais competentes traduções à nossa língua; hora de incorporar à circulação escolar o vasto e magnífico repertório da canção, a veia lírica da língua portuguesa no Brasil encontrou um meio excelente de vida; hora de escrever a partir da literatura que se pratica e se praticou em nosso país, no continente americano e no mundo.

Hora também de os professores de língua pararem de achar que literatura não é com eles; de os pedagogos e gestores do ensino começarem a ler literatura, e não apenas manuais de doutrina; de os colegas todos entenderem que a língua e a cultura da língua dizem respeito a todos, não apenas a quem explica onde vai o acento e a vírgula; de os professores de literatura, no Ensino Médio, entratrem em circuito com os colegas de língua, de história, de filosofia, para dar notícia da riqueza que é de todos e se expressa em livros. (...)
Professores, e aí? Será que estamos disponíveis para entrar em circuito com os colegas? Para sermos leitores de literatura? Para assumir que somos responsáveis pela formação de leitores?


9 de abril de 2012

Apontamentos de um feriado




Aproveitando o "espírito" da Páscoa como passagem e tal e coisa...

Pegando carona em Paulo:
A consciência do mundo e a consciência de si como ser inacabado necessariamente inscrevem o ser consciente de sua inconclusão num permanente movimento de busca (...).

Faço alguns apontamentos que desejo/preciso transformar em ações:

Juntar as meninas e os meninos para
  • criar um clube de leitura (sei lá...);
  • (re) pensar a Cia. Era uma vez...;
  • fazer  saraus temáticos na escola (sonho antigo!);
  • contar histórias para crianças nas praças, embaixo de árvores, no hospital;
  • organizar a biblioteca do curso de aplicação e do curso normal;
  • elaborar uma revista online sobre literatura (aqui está um esboço).


Sonhos possíveis! Movimentos!

16 de março de 2012

Jornada Nacional de Literatura - parte 3 & La interminable Caperucita



O tema era “Formação do leitor contemporâneo”. O palco, a 14ª Jornada Nacional de Literatura, em Passo Fundo – RS, realizada em agosto de 2011.

Presenciei ali um acalorado debate entre Alberto Manguel – escritor argentino, unanimidade quando o tema é leitura, autor de obras como “Uma história da leitura”, – e Kate Wilson, editora britânica (para mim, até então desconhecida).

A editora (de livros impressos, ebooks e aplicativos) defendeu a idéia de que a literatura deve se servir das interfaces que as novas tecnologias digitais oferecem para garantir acesso às obras literárias. Na ocasião, mostrou uma versão interativa do clássico “Cinderela”, em que as crianças podem escolher “ler e jogar”, “ler para mim” e “ler sozinho”.

O argentino reagiu, dizendo que não estava ali para debater sobre “deformação” de leitores e que introduzir as crianças na leitura usando esses aplicativos era muito nocivo. “Aprender a ler é outra coisa”, completou Manguel.

Os outros integrantes da mesa e a plateia fomentaram uma das melhores discussões do evento, deixando questões: as mídias digitais possibilitam novas formas de leitura? a literatura deve “explorar” o que essas mídias oferecem?

Uma boa resposta encontramos no site de Ângela-Lago, escritora e ilustradora de literatura infantil e, em especial, na obra “La interminable Caperucita” (nem tão interminável assim, depois de alguns cliques as opções se esgotam!).


Esse intertexto (uma releitura de “Chapeuzinho Vermelho”) se apresenta como um jogo, em que a autora usa imagens, movimentos, sons e os leitores devem escolher os caminhos.

A história é pautada por animações, sem palavras (aí, brilha o talento da ilustradora!).

Logo na primeira cena, a mãe orienta a filha; esta parece concordar com os combinados.

Assim que clicamos em Chapeuzinho, dois caminhos surgem: um representado por uma seta verde e reta; outro, por uma seta amarela e sinuosa. Bastante sugestivas as formas das setas...

A verde mostra o Lobo, de pijama de bolinhas (ironia irresistível!), “abatido” pela menina que, assim, se dirige à casa da avó sem risco nenhum.

A opção pela seta sinuosa revela uma menina distraída com flores, borboletas; o lobo (de pijama de bolinhas!) ganhando tempo, pegando a vovó, a entrada dos caçadores... versão mais próxima da “original”.

No final dos dois caminhos, há um elemento surpresa: um livro que é lido pelo Lobo e, parece, a partir do qual orienta a menina na volta para a casa.

E há (surpreendentemente, mais uma ironia?!) a música: “La vie em rose”, entoada por Chapeuzinho enquanto anda pelos caminhos, talvez, uma metáfora da vida sossegada (cor de rosa) da menina ou, quem sabe, a antevisão de um amor irresistível?!

Quem  não gostaria de ler essa obra? Quem recusaria o jogo com a Chapeuzinho e o Lobo?

Leitura, seja em que suporte for, é interação entre obra, autor, leitor, contexto de produção, possíveis sentidos, marcas  ideológicas... As tecnologias digitais, penso, explicitam essas relações.

Sim, senhor Manguel, sou atrevida: leitura é não é, apenas, outra coisa, mas muitas coisas. 
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 Para saber mais sobre o debate na Jornada:
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Esse texto enviei para cumprir a tarefa "escrever uma resenha sobre um produto cultural", do curso Sequência didática: aprendendo por meio de resenhas, promovido pelo Cenpec - Olimpíada de Língua Portuguesa

3 de janeiro de 2012

Memórias 2 - nov. - Cia. Era uma vez...

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                       (No  Dom Hermeto, brincando com  O Jogo da parlenda, de Heloísa Prieto)

Começava as aulas de língua e literatura, em geral, com um texto que me encantava e que desejava partilhar com os alunos.

A maioria se surpreendia: como assim contação de história, leitura de poemas no ensino médio?

E logo sucumbiam às tramas, às metáforas, se entregavam à obra...

Faz tempo, cultivava o desejo de reunir pessoas para serem, também, mediadoras de leitura...

Em novembro de 2011, aconteceu...

A história é a seguinte: uma aluna me procurou para "encomendar" uma contação sobre a água - tema do projeto em desenvolvimento na escola em que ela atua.

Lancei a ideia na turma 21 A.
 
A Sabrina - que sugeriu O homem da chuva- a Laísa (companheira de sonho desde o ano passado) e a Dallal se juntaram e pronto: surgiu a Cia. Era uma vez...

Nessas poucas semanas, já contamos histórias em vários lugares: no Espaço Mágico, no Moacyr, no Dom Hermeto, no Elisa, no Jonfa, na Praça do Barão (fotos abaixo)...


NA FEIRA DO LIVRO 03-12

Já chegaram, também, a Laura, a Fiama e a Clarissa!

Sonho se realizando!

Grupo se fortalecendo, com compromisso e alegria!!!




16 de dezembro de 2011

Gianni Rodari e o Homem da Chuva

 
Conhecia Gianni Rodari da Gramática da fantasia - obra que me inspira no trato com as coisas da língua, das linguagens, da arte, da criatividade, ingredientes que me acompanham nas andanças pelas salas de aula.

Acho que a li pela primeira vez nos anos oitenta, em plena atuação com alunos da quinta série. Me lembro que fiquei aliviada, pois buscava ideias que mexessem comigo e com as crianças: aquele livro era um caldeirão cheio de ideias!

Em 2010, em uma das caixas enviadas pelo MEC, (re) encontrei Rodari; agora, na literatura infantil, e me encantei mais ainda!
 
O Homem da Chuva me levou direto para um tempo em que morávamos pra fora e os dias de chuva, especialmente, os de temporal eram assustadores. E, para nos aquietar (minha irmã e eu) em casa, a mãe, a cada trovoada, repetia: "Papai do céu tá brabo!" Medo.

Ao contrário, o Homem da Chuva anda por aí, com suavidade e alegria, abrindo e fechando as torneirinhas do céu. Às vezes, dorme um pouco além e esquece das torneiras... aí já viram, né?! Uns reclamam que choveu muito; outros, que faz tempo que não cai uma gota...
Pobre de mim, quem sabe quanto tempo eu dormi!
A gente anda de nuvem em nuvem acompanhando do Homem da Chuva no seu trabalho...

E a Cia. Era uma vez… tem contado essa história lindamente!

15 de dezembro de 2011

Cia. Era uma vez e o Homem da Chuva

A Cia. Era uma vez… contou a história de Gianni Rodari para as crianças da Escola Municipal de Ensino Fundamental Moacyr Ramos Martins.

Fizemos o registro para aprender a nos ver e avaliar nosso desempenho.



Se deixares tua sugestão nos comentários, ficaremos muito felizes!

29 de setembro de 2011

Jornada de Nacional Literatura - parte 2

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Num Café Literário, entre um turno e outro da Jornada, ouvi Gonçalo Tavares.

Na voz do autor, conheci um dos moradores d’O Bairro: O Senhor Brecht e uma de suas histórias:
Por um curto-circuito elétrico incompreensível o eletrocutado foi o funcionário que baixou a alavanca e não o criminoso que se encontrava sentado na cadeira.
Como não se conseguiu resolver o defeito, nas vezes seguintes o funcionário do governo sentava-se na cadeira elétrica e era o criminoso que ficava engarregue da baixar a alavanca mortal.
Depois, o Senhor Valéry:
O senhor Valéry era pequenino, mas dava muito saltos.
Ele explicava:
- Sou igual às pessoas altas só que por menos tempo.
Por último, o Senhor Henri:
Depois de beber, de uma só vez, o copo de absinto que segurava na mão direita, o senhor Henri pediu: outro copo de absinto.
… é para os dois lados do corpo – disse. – Este segundo é para a mão esquerda.
E segurando com a mão esquerda bebeu o segundo copo.
… é fundamental pra o equilíbrio de um homem – disse o senhor Henri.

Três personagens que se juntam a outras (que, ainda, não conheço) para compor a vizinhança.

As histórias são assim mesmo: provocam estranheza… riso desconcertante.